História
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Título
A Alegria de Francisco de Assis
Data Publicação
06/10/2001
Texto

Um dia, o beato Francisco chamou Frei Leão e disse:

- Frei Leão, escreve.

E este respondeu:

- Estou pronto.

- Em que consiste a verdadeira alegria.

Vem um mensageiro e diz que todos os mestres de Paris entraram

na Ordem: escreve, não é a verdadeira alegria. E depois que todos

os prelados além dos Alpes, os arcebispos e bispos e, depois, o rei

da França, o rei da Inglaterra fizeram o mesmo; escreve que nisto

não está a verdadeira alegria. E depois que os meus frades foram

para o meio dos infiéis e os converteram a todos à fé e, depois, que

tenho tanta graça de Deus, que curo os enfermos e faço muitos

milagres; digo-te que em todas estas coisas não está a verdadeira

alegria.

- Mas qual é a verdadeira alegria? Retorno de Perugia, a alatas horas

da noite, chego aqui e é tempo de inverno com lama e tão frio que das

gotas de água se formam pedaços de gelo na extremidade do hábito que

batem, sempre, nas pernas e sai sangue de tais feridas. E, totalmente na

lama, no frio, no gelo, chego à porta a que bato por longo tempo. Vem

um frade e pergunta:

- Quem é?

Eu respondo:

- Frei Francisco.

E ele diz:

- Vai embora, não é hora oportuna para viajar, não entrarás.

E a mim, que de novo insisto, responde:

- Vai embora, és um homem simples e ignorante, não venhas mais

até nós: nós somos tantos e tais que não precisamos de ti.

E eu, de novo, bato à porta e digo:

- Por amor de Deus, acolhe-me nesta noite.

E ele me responde:

- Não o farei, vai ao hospício dos crucíferos e pede lá. E, então,

Francisco cocluiu:

- Digo-te que, se em tudo isto eu tiver paciência e não ficar

inquieto, nisso está a verdadeira alegria e verdadeira virtude e

salvação da alma.