História
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Título
A Água e o Perdão
Data Publicação
26/10/2001
Texto

Certo dia, numa batalha, uma flecha lhe atravessou a

armadura e por pouco não lhe tirou a sua vida.

Num relance, o cavaleiro vislumbra o paraíso, mas bem

longe e, de qualquer maneira, fora de seu alcance.

Vislumbra também o inferno, bem próximo dele e prestes

a engoli-lo, porque há muito tempo se esquecera de suas

promessas de bravo cavaleiro, tornando-se um bruto

impenitente que matava, pilhava, violava.

Tomado de temor salutar, tira a armadura, a espada e as

manoplas de ferro e se dirige ao eremitério de um monge

famoso por sua santidade.

- Meu pai, desejo ser perdoado pelas minhas faltas,

pois temo pela minha salvação.

Farei a penitência que me indicares.

- Pois bem, meu filho, vai simplesmente encher de água

este barrilzinho e traze-mo, responde o monge.

O cavaleiro se irrita com a proposta do eremita, mas

o medo do inferno é mais forte, e ele põe o barril sob

o braço e se dirige ao rio.

Estupefato, vê o barril mergulhado na corrente

recusar-se a encher!

Se dirige a uma fonte que se precipita no curso d’água,

mas o barril continua a não se encher.

Se precipita para o poço da aldeia, mas em vão.

Um ano depois, o velho monge vê chegar à porta de seu

eremitério um pobre maltrapilho em farrapos, de pés

ensangüentados e com um barril vazio debaixo do braço.

- Meu pai, diz o cavaleiro (já que era ele), fui a todos os

rios, fontes e lagos do pais.

Não pude encher vosso barril.

Agora, com certeza, não me perdoareis os pecados.

Ai de mim! Estou perdido pelos meus pecados.

Como me arrependo deles!

E lágrimas lhe descem dos olhos.

Eis que uma lágrima cai no barril.

Num instante, este se enche até em cima, da mais

bela água pura que a terra já viu.

Uma única lágrima de arrependimento