Uma forte chuva caiu durante toda noite. O dia amanheceu envolvido
pelo intenso perfume da vegetação. O céu tingido pelos matizes róseos da
aurora, convidava ao agradecimento ao Senhor da vida pela beleza exuberante da
paisagem. Savitri sorveu em um profundo hausto o ar balsamizado, contemplou
extasiada o céu, na direção onde o Sol se insinuava com raios dourados, e
elevou seus pensamentos, em uma prece: "Agradeço a Ti, Senhor do Céu e
da Terra, poder desfrutar da beleza do mundo que creaste. Agradeço a
bênção do puro ar que respiro. Agradeço o perfume que a natureza exala. Agradeço
por meus olhos contemplarem tanta beleza".
Pressurosa, andou em direção ao quintal da humilde morada onde
ordenharia a vaca que, generosa, ofertaria o leite para a primeira
refeição da família. Ao regressar à casa, viu que Shanda, seu irmão, já
acendera o fogo. Após a refeição frugal, ambos saíram em direção a
plantação de arroz que cultivavam, para a lida do dia.
Ao entardecer, dirigiram-se para a fonte onde desfrutariam de mais um
encontro com Gautama. Estavam cansados, mas felizes por terem completado mais
um dia do trabalho que oferecia o sustento da família. Todos os discípulos
já se encontravam acomodados ao redor do Bhagavam. Eles foram os últimos
a chegar e não puderam participar do início do encontro.
- Reto Esforço é o sexto passo da Nobre Óctupla Senda - o Senhor
Buda enunciou e, olhando em direção aos irmãos, sorriu levemente, como a
saudá-los.
- Senhor Gautama, perdoe-nos termos nos atrasado ? desculpou-se Shanda.
- Não posso perdoá-los, porque não os condenei. Acomodem-se. O que
vocês entendem por reto esforço? - perguntou.
- É cumprirmos com nossos deveres da melhor forma que pudermos -
respondeu Ramanuja.
- Certo, porém não basta cumprirmos com nossos deveres. É importante
cessar de praticar o mal, devemos aprender a praticar o bem. Além disso
é importante termos consciência da quantidade de trabalho que podemos realizar
e aprendermos a não malbaratar nossas energias de forma leviana, reservando-as prudentemente
para podermos cumprir com os nossas responsabilidades diante da vida. Cada
um possui um quantum de energia física e mental. Saibamos não ultrapassar nossos limites, nem
ficarmos aquém de nossas possibilidades - esclareceu Gautama.
- Muitas vezes um chefe de família numerosa, tendo filhos ainda pequenos
que não podem colaborar, sente que o trabalho que tem de realizar para
suprir as necessidades dessa família, torna-se excessivo para
suas forças, porém, ele tem que realizar este trabalho que o exaure. Isto
é contrário à retidão de esforço? - indagou Dayananda.
- Ele precisa aprender a promover intervalos durante a lida, que são
necessários para seu refazimento, a fim de - recuperando sua
energia - conseguir cumprir seus deveres sem prejuízo para sua saúde.
Lembremos também que cada um de nós exerce constantemente influência
sobre pessoas que nos rodeiam: filhos, parentes, empregados , amigos. Esta
influência significa poder e somos diretamente responsáveis pelo resultado
de nossas atitudes diante dessas pessoas. Precisamos ser prudentes em
relação aos exemplos que oferecemos , através de palavras ou atos, que
podem ser seguidos.
- Qual a melhor atividade que uma pessoa pode exercer ? - perguntou Savitri.
- Cada pessoa possui uma aptidão. São diversas as atividades necessárias
para o andamento da vida. Cada um deve procurar realizar o que melhor
lhe convenha. Todas as atividades são importantes. Cada um nasce com um
talento especial que deve procurar desenvolver o melhor possível , sempre levando
em conta sua resistência, administrando sabiamente seu tempo e adeqüando
seu esforço às suas condições físicas.
Com estas palavras o Senhor Buda encerrou mais uma lição. Fechou
seus lindos olhos azuis e mergulhou em profundo Samadhi.