6. A Programação Cármica
"As pessoas não são o que pensam.
Elas pensam que são e isso lhes traz todo tipo de tristeza.
Não sou o que penso?
É claro que não.
A mente é um órgão de reflexão. Reage a
tudo.
Enche sua cabeça com milhões
de pensamentos aleatórios por dia.
Nenhum desses pensamentos
revela mais sobre você... do que uma sarda
na ponta do nariz.
do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior
Existem dois conceitos que devem ser explorados
antes de falarmos sobre Karma:
1 - Todos temos um ou mais objetivos na atual
encarnação, ele pode ser simples ou complexo, curto ou
longo, pessoal ou a serviço do próximo.
2 – Existe um planejamento bem definido
para nossa vida, ele é flexível, variável e não
está vinculado a datas exatas, mas segue uma linha base, definindo
fases que passaremos e seus respectivos objetivos.
O Destino existe em linhas gerais, mas não
como as pessoas o interpretam, existem objetivos que "devem"
ser alcançados e um plano de atividades, mas a sua execução
e conseqüências não são previstos, tudo pode
acontecer.
Para melhor entendimento podemos imaginar
que existem "tendências" para nossa atual encarnação
e podemos alcançar ou não os objetivos para os quais nos
programamos antes da atual encarnação.
Você deve estar se perguntando... Como
saber meus objetivos se não lembro de coisa alguma?? Sim, a situação
é delicada, porém não é impossível.
Existe uma voz no seu interior que ecoa longe e lhe fala sobre coisas
que você deve fazer, algumas situações o estimulam
a refletir e alguma coisa fala ao seu coração que você
deve mudar, realizando ações benéficas para o seu
crescimento espiritual.
Pare e pense nas oportunidades que bateram
a sua porta e você virou as costas. Alcançar a sintonia
com sua intuição faz parte do aprimoramento espiritual.
Existe uma idéia errada de que aqueles
que não alcançarem os objetivos espirituais programados
serão castigados, não é bem assim que funciona.
Quando o espírito volta ao mundo espiritual sofre uma grande
decepção e o real castigo é ter que voltar e repetir
a lição não aprendida.
O castigo é não habitar o mundos
mais evoluídos, onde existem somente espíritos bons e
evoluídos, o Pai não é um carrasco com chicote
e sim o mais sábio de todos os educadores.
Também é importante entender que NINGUÉM PASSA
POR AQUILO QUE NÃO PRECISA, um homem não será atropelado
se não existir "tendência" para isso acontecer,
você não terá uma doença séria se
essa possibilidade não existir, nada acontece por acaso, algumas
coisas realmente poderiam se evitadas através da prudência,
mas sempre existe a tendência.
No livro Libertação o instrutor
espiritual confirma o que informamos:
Ninguém sofre sem necessidade à frente
da Justiça Celeste e tão
grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males
se
transubstanciam em bênçãos.
Libertação – Chico Xavier – pelo espírito
André Luiz
Concluindo, a programação cármica
existe, mas pode ser atenuada ou agravada a cada minuto de sua vida,
através de pensamentos, ações e controle das emoções,
mas, isso não isenta os espíritos das dificuldades.
O desconhecimento da Lei do Karma e da finalidade
da Justiça Divina fazem com que protestemos sobre as dificuldades
da vida, alguns falam que não erram, outros dizem que só
fazem o bem, o que não falta no mundo são argumentos.
O mais interessante é que em muitos
casos agravamos nossos compromissos por escolhas erradas e condutas
impróprias.
Paremos então de cogitar, reclamar
e protestar para refletir, porque somente modificando o interior é
possível atenuar ou até anular o peso da justiça
divina.
Existe um exemplo perfeito de débito
espiritual agravado no livro Ação e Reação:
Temos aqui asfixiante problema de conta agravada.
E designando a jovem mãe, agora extenuada, continuou:
- Marina veio de nossa Mansão para auxiliar a Jorge e Zilda,
dos quais se fizera devedora. No século passado, interpôs-se
entre os dois, quando recém-casados, impelindo-os a deploráveis
leviandades que lhes valeram angustiosa demência no Plano Espiritual.
Depois de longos padecimentos e desajustes, permitiu o Senhor que muitos
amigos intercedessem, junto aos Poderes Superiores, para que se lhes
recompusesse o destino, e os três renasceram no mesmo quadro social,
para o trabalho regenerativo.
Marina, a primogênita do lar de nossa irmã Luisa, recebeu
a incumbência de tutelar a irmãzinha menor, que assim se
desenvolveu ao calor de seu fraternal carinho, mas, quando moças
feitas, há alguns anos, eis que, segundo o programa de serviço
traçado antes da reencarnação, a jovem Zilda reencontra
Jorge e reatam, instintivamente, os elos afetivos do pretérito.
Amam-se com fervor e confiam-se ao noivado. Marina, porém, longe
de corresponder às promessas esposadas no Mundo Maior, pelas
quais lhe cabia amar o mesmo homem, no silêncio da renúncia
construtiva, amparando a irmãzinha, outrora repudiada esposa,
nas lutas purificadoras que a atualidade lhe ofertaria, passou a maquinar
projetos inconfessáveis, tomada de intensa paixão. Completamente
cega e surda aos avisos da sua consciência, começou a envolver
o noivo da irmã em larga teia de seduções e, atraindo
para o seu escuso objetivo o apoio de entidades caprichosas e enfermiças,
por intermédio de doentios desejos, passou a hipnotizar o moço,
espontaneamente, com o auxílio dos vampiros desencarnados, cuja
companhia aliciara sem perceber... E Jorge, inconscientemente dominado,
transferiu-se do amor por Zilda à simpatia por Marina, observando
que a nova afetividade lhe crescia assustadoramente no íntimo,
sem que ele mesmo pudesse controlar-lhe a expansão... Decorridos
breves meses, dedicavam-se ambos a encontros ocultos, nos quais se comprometeram
um com o outro na maior intimidade... Zilda notou a modificação
do rapaz, mas procurava desculpar-lhe a indiferença à
conta de cansaço no trabalho e dificuldades na vida familiar.
Todavia, em faltando apenas duas semanas para a realização
do consórcio, surpreende-se a pobrezinha com a inesperada e aflitiva
confissão... Jorge expõe-lhe a chaga que lhe excrucia
o mundo interior... Não lhe nega admiração e carinho,
mas desde muito reconhece que somente Marina deve ser-lhe a companheira
no lar. A noiva preterida sufoca o pavoroso desapontamento que a subjuga
e, aparentemente, não se revolta. Mas, introvertida e desesperada,
consegue na mesma noite do entendimento a dose de formicida com que
põe termo à existência física.
Alucinada de dor, Zilda desencarnada foi recolhida por nossa irmã
Luísa, que já se achava antes dela em nosso mundo, admitida
na Mansão pelos méritos maternais. A genitora desditosa
rogou o amparo de nossos Maiores. Na posição de mãe,
apiedava-se de ambas as jovens, de vez que a filha traidora, aos seus
olhos, era mais infeliz que a filha escarnecida, embora esta última
houvesse adquirido o grave débito dos suicidas, em seu caso atenuado
pela alienação mental em que a moça se vira, sentenciada
sem razão a inqualificável abandono... Examinado o assunto,
carinhosamente, pelo Ministro Sânzio, que conhecemos pessoalmente,
determinou ele que Marina fosse considerada devedora em conta agravada
por ela mesma. E, logo após a decisão, providenciou a
fim de que Zilda fosse recambiada ao lar para receber aí os cuidados
merecidos. Marina falhara na prova de renúncia em favor da irmã
que lhe era credora generosa, mas condenara-se ao sacrifício
pela mesma irmãzinha, agora imposta pelo aresto da Lei ao seu
convívio, na situação de filha terrivelmente sofredora
e imensamente amada. Foi assim que Jorge e Marina, livres, casaram-se,
recolhendo da Terra a comunhão afetiva pela qual suspiravam;
entretanto, dois anos após o enlace, receberam Zilda em rendado
berço, como filhinha estremecida. Mas... desde os primeiros meses
do rebento adorado, identificaram-lhe a dolorosa prova. Zilda, hoje
chamada Nilda, nasceu surda-muda e mentalmente retardada, em conseqüência
do trauma perispirítico experimentado na morte por envenenamento
voluntário. Inconsciente e atormentada nos refolhos do ser pelas
recordações asfixiantes do passado recente, chora quase
que dia e noite... Quanto mais sofre, porém, mais ampla ternura
recolhe dos pais que a amam com extremados desvelos de compaixão
e carinho... A vida corria-lhes regularmente, não obstante atribulada
pelas provas naturais do roteiro, quando, há meses, Jorge foi
apartado para o leprosário, onde se encontra em tratamento. Desde
então, entre o esposo doente e a filhinha infeliz, Marina, em
seu débito agravado, padece o abatimento em que a encontramos,
martelada igualmente pela tentação do suicídio.
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
Um outro exemplo, mas desta vez de débito
atenuado, pode ser encontrado no mesmo livro:
- Em meados do século precedente, Adelino
era filho bastardo de um jovem muito rico que o recebeu das mãos
da genitora escrava, que desencarnou ao trazê-lo à
luz. Martim Gaspar, o moço afazendado que lhe foi o pai solteiro,
era homem de coração enrijecido, muito cedo acostumado
ao orgulho tiranizante, em face da incúria do lar em que nascera.
Abusava das donzelas cativas a seu talante e, em muitas ocasiões,
vendeu-as com os próprios filhos recém-natos para lhes
não ouvir os choros e petitórios. Temido na casa grande
da qual se fizera absoluto senhor, por morte do velho pai, que, em vão,
buscara tardiamente controlar-lhe os instintos, sabia usar o tronco
e o chicote, sem qualquer compaixão. Era execrado pela maioria
dos servos e bajulado de quantos lhe obtinham os favores, a troco de
lisonja servil. Entretanto, para o filho Martim - o mesmo Adelino de
agora -, a sua ternura e dedicação não mostravam
limites. Inexplicavelmente para ele mesmo, amava-o com desvelado enternecimento,
a ponto de providenciar-lhe educação esmerada na própria
fazenda. Entre pai e filho estabeleceram-se, dessa forma, os mais santos
laços afetivos. Eram companheiros inseparáveis nos jogos
e nos estudos, no serviço e na caça. Foi assim que Gaspar,
não obstante cruel para com os outros rebentos da própria
carne, nas senzalas sofredoras, não hesitou em legitimá-lo
como filho, perante as autoridades do tempo, tornando-o partícipe
de seu nome e de sua herança. Pai e filho contavam, respectivamente,
quarenta e três e vinte e um anos de idade, quando Gaspar, embora
solteirão amadurecido, resolveu casar-se, em grande metrópole,
desposando Maria Emília, leviana jovem de vinte primaveras que,
trazida à grande casa rural, desenvolveu sobre o enteado estranha
fascinação. Martim, extremamente amado pelo genitor, atraído
agora para os encantos femininos da madrasta, passou a experimentar
torturantes conflitos sentimentais. Ele, que se julgava o melhor amigo
de Gaspar, entrou a detestá-lo. Não lhe tolerava a posse
sobre a mulher que desejava, sabendo-se por ela ardentemente querido,
porquanto Maria Emília, pretextando essa ou aquela necessidade,
sabia isolá-lo em viagens diversas, nas quais lhe exacerbava
a afeição juvenil. Ambos souberam furtar-se a qualquer
desconfiança e, totalmente entregue à paixão que
o requestava, o jovem Martim, desprevenido, planejou o medonho parricídio
em que se enliçou, desventurado.
Sabendo o genitor acamado, em tratamento do fígado enfermo, tomou
a cooperação de dois capatazes da sua inteira confiança,
Antônio e Lucidio, igualmente verdugos de meninas cativas, e,
certa noite, administrou-lhe uma poção entorpecente, com
aprovação da madrasta... Tão logo se pôs
o doente a dormir, coadjuvado pelos dois cúmplices que odiavam
o patrão, espalhou substâncias resinosas no leito paterno,
simulando, logo após, o incêndio no qual o mísero
Gaspar, em horríveis padecimentos, se ausentou do corpo. Conduzido
o pai ao sepulcro e apoderando-se-lhe dos haveres, tentou a felicidade
ao pé de Maria Emília; todavia, o genitor desencarnado,
a inflamar-se em cólera, envolveu-o em nuvens de fluidos inflamados,
contra os quais o infeliz não possuía defesa... Apegando-se
ao afeto da companheira, Martim procurou anestesiar a consciência
e esquecer... esquecer... Confiou a fazenda aos cuidados de ambos os
cúmplices do tenebroso delito e, arrimando-se à companhia
da mulher, demandou à Europa, em busca de repouso e distração.
Tudo, porém, debalde... Ao fim de cinco anos de resistência,
tombou integralmente vencido, sob o jugo do Espírito paternal
que o cercava, incessantemente, apesar de invisível. Abriu-se-lhe
a pele em chaga, como se chamas ocultas o requeimassem. Circunscrito
ao leito de dor e constantemente empolgado pelo remorso, recapitulava
mentalmente a morte do genitor, em urros de martírio selvagem...
Não sabia, desse modo, senão chorar, gritando a esmo o
arrependimento de que se via possuído, no que foi interpretado
à conta de louco pela própria companheira, que se dava
pressa em reconhecer-lhe a suposta alienação mental, de
modo a inocentar-se perante os amigos e servidores. Foi algemado a semelhante
suplício que Martim recebeu escárnio e abandono, dentro
do próprio círculo doméstico, vindo a expirar em
tremenda flagelação. Martim Gaspar, o genitor assassinado,
aguardou-o no túmulo, arrastando-o para as sombras infernais,
onde passou a exercer pavorosa vingança... O desditoso filho
desencarnado sofreu terríveis humilhações e indescritíveis
tormentos, durante onze anos sucessivos, em cárceres de treva,
até que, amparado por Mensageiros de Jesus, que lhe promoveram
o resgate, ingressou em nosso instituto, ao que fui informado, em lamentável
situação.
Tendo entrado em sintonia com o genitor, sequioso de vindita, através
das brechas mentais do remorso e do arrependimento tardio, foi hipnotizado
por gênios perversos, que o fizeram sentir-se dominado de chamas
torturantes. Fixada a imaginação dele em semelhante quadro
de angústia, o próprio Martim nutria com o pensamento
culposo as labaredas em que se torturava sem consumir-se, até
que foi convenientemente aliviado e socorrido por nossos instrutores,
através de recursos magnéticos que lhe sanaram o doloroso
desequilíbrio. Devotou-se, então, depois de melhorado,
aos serviços mais duros de nossa organização, conquistando
com o tempo apreciáveis lauréis que lhe valeram a volta
à esfera humana, com o direito de iniciar o pagamento da larga
dívida em que se onerou, desavisado. Cultuando a prece com a
renovação do mundo íntimo, renasceu de espírito
inclinado à fé religiosa, ardente e operante, encontrando
no Espiritismo com Jesus, ao influxo dos amigos desencarnados que o
assistem, precioso campo de fortalecimento moral e trabalho digno, no
qual tem sabido estender, com louvável aproveitamento das horas,
o seu raio de ação no estudo edificante e na caridade
pura, atraindo em seu favor as mais amplas simpatias, por parte de irmãos
encarnados e desencarnados, que lhe devem generosidade e carinho.
Atirado a imensas dificuldades materiais, desde cedo cresceu órfão
de pai, de vez que não valorizou no passado a ternura paterna,
lutando com extrema pobreza e com enfermidade constante...
Custodiado, porém, por benfeitores da nossa Mansão, foi
conduzido a um templo espírita, ainda muito jovem, onde, submetido
a tratamento da epiderme esfogueada, entrou no conhecimento de nossa
Renovadora Doutrina... A leitura dos princípios espíritas,
ao sol do Evangelho do Senhor, constituiu para ele recordações
naturais dos ensinamentos assimilados em nossa casa, antes da reencarnação.
Desde aí, aceitou nobremente a responsabilidade de viver e buscou,
acima de tudo, aplicar a si próprio as diretrizes regeneradoras
da fé que abraça.
Disciplinou-se. Rendeu sincero preito às suas obrigações
e, não obstante os entraves orgânicos, muito moço
se dedicou às representações comerciais, de cujos
labores retira os abençoados recursos que sabe repartir com necessitados
numerosos, reservando para si tão-somente o indispensável.
Não é um rico da Terra, na acepção do conceito,
mas um trabalhador da fraternidade que sabe dar o próprio coração
naquilo que distribui.
Trilhando o caminho da simplicidade e da renúncia edificante,
modificou as impressões de muitos dos companheiros de outro tempo,
que, nas baixas camadas da sombra, se lhe haviam transformado em perseguidores
e desafetos, obsessores esses que, em lhe observando os exemplos novos,
se sentiam moralmente desarmados para os conflitos que se propunham
manter. É assim que não deixa de ressarcir as suas culpas,
sofrendo-lhes o gravame em si mesmo.
Entretanto, pelos valores que entesoura, devotado ao bem alheio, resgata
o pretérito com o alívio possível, ganhando tempo
e adquirindo novas bênçãos. Ajudando aos outros,
desbasta, dia a dia, o montante dos seus débitos, de vez que
a Misericórdia do Pai Celestial permite que os nossos credores
atenuem o rigor da cobrança, sempre que nos vejam oferecendo
ao próximo necessitado aquilo que lhes devemos...
Silas confiou-se a pausa breve, mas Hilário, tanto quanto eu
fascinado por sua exposição clara e sensata, rogou, sedento
de ensino:
- Continue, Assistente. Esta lição viva ilumina-nos de
esperança... Como se explica estar Adelino ganhando tempo?
Nosso amigo sorriu e acrescentou:
- Correia, que não merecia a ventura do lar tranqüilo por
haver arruinado o lar paterno, casou-se e padeceu o abandono da companheira
que lhe não entendeu o coração.
Avançando para a terna Marisa que dormia, acentuou:
- Assim, pela vida útil a que se consagra e pela caridade incessante
que passou a exercer, atraiu para junto de si, como filha da sua carne,
a antiga madrasta que desviou dos braços paternais, hoje reencarnada
junto dele para reeducar-se ao calor de seus exemplos nobres, guardando
a dor de saber-se filha de pobre mulher que renegou o tálamo
conjugal, tanto quanto ela mesma o menosprezou no passado recente. Mas...
não é apenas essa a vantagem de Adelino...
Silas pousou levemente a destra nos pequenos que ressonavam e prosseguiu:
- Dedicando-se de alma e corpo à sua renovação
com o Cristo, nosso amigo recolheu como filhos adotivos os dois cúmplices
do parricídio tremendo, os antigos capatazes Antônio e
Lucídio, que, abusando de humildes donzelas escravizadas, de
quem furtavam os filhinhos para exterminar ou vender, não encontraram
senão o alcoice por berço, vindo para o círculo
afetivo do companheiro de outro tempo, no sangue africano que tanto
enxovalharam, de modo a lhe receberem o amparo moral à reforma
precisa.
Enquanto nos edificávamos com o precioso ensinamento, Silas observou:
- Como é fácil de reconhecer, nosso irmão, através
da responsabilidade espírita cristã, corretamente sentida
e vivida, conquistou a felicidade de reencontrar os laços do
pretérito criminoso para o necessário reajuste, ao passo
que, se houvesse desertado da luta pela irreflexão da companheira
ou se tivesse cerrado a porta do coração a dois meninos
infelizes, teria adiado para futuros séculos o nobre trabalho
que está fazendo agora...
Ação e Reação
– Chico Xavier – pelo espírito André Luiz
Os dois últimos trechos, retirados do
livro Ação e Reação, mostram exemplos das
conseqüências amargas que erros do passado podem acarretar,
informando também que podemos atenuar os débitos ou agravá-los.
Para entender um pouco mais sobre essas "marcas" cármicas
que trazemos, retirei o trecho abaixo do mesmo livro.
Generoso amigo, poderíamos ouvi-lo, de alguma
sorte, quanto aos sinais cármicos que trazemos em nós
mesmos?
Sânzio refletiu alguns momentos e ponderou:
- É muito difícil penetrar o sentido das Leis Divinas,
com os recursos limitados da palavra humana. Ainda assim, iniciemos
o tentame, recorrendo a imagens tão simples quanto seja possível.
Apesar da impropriedade, comparemos a esfera humana ao reino vegetal.
Cada planta produz na época própria, segundo a espécie
a que se ajusta, e cada alma estabelece para si mesma as circunstâncias
felizes ou infelizes em que se encontra, conforme as ações
que pratica, através de seus sentimentos, idéias e decisões
na peregrinação evolutiva. A planta, de começo,
jaz encerrada no embrião, e o destino, ao princípio de
cada nova existência, está guardado na mente. Com o tempo,
a planta germina, desenvolve-se, floresce e frutifica e, também
com o tempo, a alma desabrocha ao sol da eternidade, cresce em conhecimento
e virtude, floresce em beleza e entendimento e frutifica em amor e sabedoria.
A planta, porém, é uma crisálida de consciência,
que dorme largos milênios, rigidamente presa aos princípios
da genética vulgar que lhe impõe os caracteres dos antepassados,
e a alma humana é uma consciência formada, retratando em
si as leis que governam a vida e, por isso, já dispõe,
até certo ponto, de faculdades com que influir na genética,
modificando-lhe a estrutura, porque a consciência responsável
herda sempre de si mesma, ajustada às consciências que
lhe são afins. Nossa mente guarda consigo, em germe, os acontecimentos
agradáveis ou desagradáveis que a surpreenderão
amanhã, assim como a pevide minúscula encerra potencialmente
a planta produtiva em que se transformará no futuro.
Nessa altura, Hilário perguntou, inquieto:
- Não teremos, nesse postulado, a consagração do
determinismo de ordem absoluta? Se trazemos hoje, no campo mental, tudo
aquilo que nos sucederá amanhã...
Sânzio, contudo, esclareceu, complacente:
- Sim, nas esferas primárias da evolução, o determinismo
pode ser considerado irresistível. E o mineral obedecendo a leis
invariáveis de coesão e o vegetal respondendo, fiel, aos
princípios organogênicos, mas, na consciência humana,
a razão e a vontade, o conhecimento e o discernimento entram
em função nas forças do destino, conferindo ao
Espírito as responsabilidades naturais que deve possuir sobre
si mesmo.
Por isso, embora nos reconheçamos subordinados aos efeitos de
nossas próprias ações, não podemos ignorar
que o comportamento de cada um de nós, dentro desse determinismo
relativo, decorrente de nossa própria conduta, pode significar
liberação abreviada ou cativeiro maior, agravo ou melhoria
em nossa condição de almas endividadas perante a Lei.
- Mas, ainda mesmo nas piores posições expiatórias
- inquiri -, goza a consciência dos direitos inerentes ao livre
arbítrio?
- Como não? - falou o Ministro, generoso - imaginemos um delinqüente
monstruoso, segregado na penitenciária. Acusado de vários
crimes, permanece privado de toda e qualquer liberdade na enxovia comum.
Ainda assim, na hipótese de aproveitar o tempo no cárcere,
para servir espontaneamente à ordem e ao bem-estar das autoridades
e dos companheiros, acatando com humildade e respeito as disposições
da lei que o corrige, atitude essa que resulta de seu livre arbítrio
para ajudar ou desajudar a si mesmo, a breve tempo esse prisioneiro
começa por atrair a simpatia daqueles que o cercam, avançando
com segurança para a recuperação de si mesmo.
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
É importante também entender
que na maioria dos casos o gênero das provas que o espírito
passará enquanto encarnado foram escolhidas por ele, buscando
cruzar a necessidade de aprimoramento espiritual com o resgate de débitos.
No Livro do Espíritos existem algumas
passagens que aprofundam o assunto abordado:
258. Quando na erraticidade, antes de começar
nova existência corporal, tem o Espírito consciência
e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?
“Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há
de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio.”
a) - Não é Deus, então, quem lhe impõe as
tribulações da vida, como castigo?
“Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus
quem estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Ide agora perguntar
por que decretou Ele esta lei e não aquela. Dando ao Espírito
a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de
seus atos e das conseqüências que estes tiverem. Nada lhe
estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como
o do mal. Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação
de que nem tudo se lhe acabou e que a bondade divina lhe concede a liberdade
de recomeçar o que foi mal feito. Demais, cumpre se distinga
o que é obra da vontade de Deus do que o é da do homem.
Se um perigo vos ameaça, não fostes vós quem o
criou e sim Deus. Vosso, porém, foi o desejo de a ele vos expordes,
por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu.”
259. Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero
de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações
que experimentamos na vida nós as previmos e buscamos?
“Todas, não, porque não escolhestes e previstes
tudo o que vos sucede no mundo, até às mínimas
coisas. Escolhestes apenas o gênero das provações.
As particularidades correm por conta da posição em que
vos achais; são, muitas vezes, conseqüências das vossas
próprias ações. Escolhendo, por exemplo, nascer
entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha;
ignorava, porém, quais os atos que viria a praticar. Esses atos
resultam do exercício da sua vontade, ou do seu livre-arbítrio.
Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que
sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que
natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas
ignora se se verificará este ou aquele êxito. Os acontecimentos
secundários se originam das circunstâncias e da força
mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais,
os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos,
sabes que terás de andar cautelosamente, porque há muitas
probabilidades de caíres; ignoras, contudo, em que ponto cairás
e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente.
Se, ao percorreres uma rua, uma telha te cair na cabeça, não
creias que estava escrito, segundo vulgarmente se diz.”
261. Nas provações por que lhe cumpre passar para atingir
a perfeição, tem o Espírito que sofrer tentações
de todas as naturezas? Tem que se achar em todas as circunstâncias
que possam excitar-lhe o orgulho, a inveja, a avareza, a sensualidade,
etc.?
“Certo que não, pois bem sabeis haver Espíritos
que desde o começo tomam um caminho que os exime de muitas provas.
Aquele, porém, que se deixa arrastar para o mau caminho, corre
todos os perigos que o inçam. Pode um Espírito, por exemplo,
pedir a riqueza e ser-lhe esta concedida. Então, conforme o seu
caráter, poderá tornar-se avaro ou pródigo, egoísta
ou generoso, ou ainda lançar-se a todos os gozos da sensualidade.
Daí não se segue, entretanto, que haja de forçosamente
passar por todas estas tendências.” ...
262. Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples,
ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência
com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?
“Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho
que deve seguir, como fazeis com a criancinha. Deixa-o, porém,
pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve,
senhor de proceder à escolha e só então é
que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por
desatender os conselhos dos bons Espíritos. A isso é que
se pode chamar a queda do homem.”
a) - Quando o Espírito goza do livre-arbítrio, a escolha
da existência corporal dependerá sempre exclusivamente
de sua vontade, ou essa existência lhe pode ser imposta, como
expiação, pela vontade de Deus?
“Deus sabe esperar, não apressa a expiação.
Todavia, pode impor certa existência a um Espírito, quando
este, pela sua inferioridade ou má-vontade, não se mostra
apto a compreender o que lhe seria mais útil, e quando vê
que tal existência servirá para a purificação
e o progresso do Espírito, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação.”
7. Karma – O Universo em Ação
É constrangedor.
Emoções são naturais.
Como o clima passageiro.
O que fazer...
quando não se pode fazer aquilo para o qual nasceu?
Tudo tem um propósito, Dan.
Até isso. E depende de você encontrá-lo.
do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior
Pesquisando sobre o sentido da palavra Karma
encontrei diferentes abordagens, alguns explicam que Karma é
igual a Lei de Causa e Efeito, responsável pela quitação
de débitos espirituais contraídos na encarnação
atual ou em anteriores. Outras abordagens estendem o conceito e explicam
o Karma como Ação, ou seja, uma força de movimento,
de expansão, que impulsiona a evolução.
Os dois conceitos podem ser observados nos
textos abaixo:
Grande benfeitor - exclamei, comovido, buscando
olvidar os meus próprios sentimentos -, poderemos ouvi-lo, de
algum modo, acerca do "karma"?
Sânzio retomou a posição que lhe era habitual, junto
ao espelho cristalino, eobtemperou:
- Sim, o "cárma", expressão vulgarizada entre
os hindus, que em sânscrito quer dizer "ação",
a rigor, designa "causa e efeito", de vez que toda ação
ou movimento deriva de causa ou impulsos anteriores. Para nós
expressará a conta de cada um, englobando os créditos
e os débitos que, em particular, nos digam respeito. Por isso
mesmo, há conta dessa natureza, não apenas catalogando
e definindo individualidades, mas também povos e raças,
estados e instituições.
O Ministro fez uma pausa, como quem dava a perceber que o assunto era
complexo, e continuou:
- Para melhor entender o "karma" ou "conta do destino
criada por nós mesmos", convém lembrar que o Governo
da Vida possui igualmente o seu sistema de contabilidade, a se lhe expressar
no mecanismo de justiça inalienável. Se no círculo
das atividades terrenas qualquer organização precisa estabelecer
um regime de contas para basear as tarefas que lhe falem à responsabilidade,
a Casa de Deus, que é todo o Universo, não viveria igualmente
sem ordem. A Administração Divina, por isso mesmo, dispõe
de sábios departamentos para relacionar, conservar, comandar
e engrandecer a Vida Cósmica, tudo pautando sob a magnanimidade
do mais amplo amor e da mais criteriosa justiça. Nas sublimadas
regiões celestes de cada orbe entregue à inteligência
e à razão, ao trabalho e ao progresso dos filhos de Deus,
fulguram os gênios angélicos, encarregados do rendimento
e da beleza, do aprimoramento e da ascensão da Obra
Excelsa, com ministérios apropriados à concessão
de empréstimos e moratórias, créditos especiais
e recursos extraordinários a todos os Espíritos encarnados
ou desencarnados, que os mereçam, em função dos
serviços referentes ao Bem Eterno; e, nas regiões atormentadas
como esta, varridas por ciclones de dor regenerativa, temos os poderes
competentes para promover a cobrança e a fiscalização,
o reajustamento e a recuperação de quantos se fazem devedores
complicados ante a Divina Justiça, poderes que têm a função
de purificar os caminhos evolutivos e circunscrever as manifestações
do mal.
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
Outra definição muito interessante
sobre Karma encontra-se no livro O TAO da Física, de Fritjof
Capra.
Na visão hindu da natureza, então,
todas as ás formas são relativas, fluidas e,Maya em contínua
mudança, conjuradas pelo grande mágico da atividade divina.
O mundo de maya muda continuamente, porque o divino lila é um
desempenho rítmico, dinâmico. A força dinâmica
da atividade é karma, outro importante conceito do pensamento
indiano. Karma significa «ação». '
- É o principio ativo do desempenho, o universo total em ação,
onde tudo está divinamente relacionado com todo o resto. Nas
palavras do Gita <karma> é a. força da criação,
donde todas as coisas retiram a sua vida».
O significado de karma, como o de maya, foi trazido do seu nível
cósmico original para o nível humano, onde adquiriu um
sentido psicológico. Enquanto a nossa visão do mundo for
fragmentada, enquanto estivermos sob o fascínio de 'maya e pensarmos
que estamos separados do nosso meio e podemos agir independentemente,
estamos dominados por karma. Ser livre do vínculo de karma significa
entender a unidade e harmonia de toda a natureza, incluindo nós
próprios, e agir adequadamente. O Gita é muito claro neste
ponto:
Todas as acções têm lugar pela conjugação
das forças da natureza, mas o homem perdido na desilusão
egoísta pensa que ele próprio é o ator.
Mas o homem, que conhece a relação entre as forças
da natureza e as ações, vê como algumas dessas forças
trabalham sob outras e não se tornam suas escravas.
O TAO da Física – Fritjof Capra
Muitas filosofias e religiões pregam
que somente pelo sofrimento podemos compensar o mal que praticamos,
ou seja, que dor se paga com dor.
Esse “conceito” é passado
para a humanidade há milênios, todos tivemos contato com
essas idéias durante nossas últimas passagens na Terra.
Por esse motivo que essa interpretação errônea da
Vontade do Pai está consciente ou inconscientemente presente
na maior parte das pessoas encarnadas e até desencarnadas de
média evolução.
É muito importante entender que ninguém
TEM que sofrer para evoluir, o que acontece muitas vezes é a
total alienação do espírito para as verdades espirituais,
sendo necessário um estímulo razoavelmente agressivo para
evitar uma anulação total das oportunidades da atual encarnação
ou até agravamento dos débitos espirituais.
Como diz uma grande amiga: ”Para acordar
um pequeno pássaro basta um suave raio de sol matinal, mas para
balançar uma montanha é necessário dinamite”.
Os luminares que aqui caminharam, como Buda,
Lantu, Confúcio, Jesus, Krishna, etc, não ficaram isentos
dos padecimentos e dores do mundo físico, mas, ensinaram e exemplificaram
para a humanidade que é possível transformar a dor em
oportunidade e a dificuldade em motivo de superação.
Alguns, como Jesus, tiveram que sofrer grandes
padecimentos, mas não pelo seu Karma, necessidade de evolução
ou para mostrar que somente sofrendo se cresce.
Por um amor infinito, que ainda não
compreendemos muito bem, pois excede nossa capacidade de compreensão,
eles optam por descer dos planos celestes onde habitam para mostrar
como devem se portar aqueles que ainda necessitam resgatar os erros
do passado e aprimorar seus atributos divinos.
Jesus mostrou o caminho para a libertação
espiritual, ensinando à espíritos de todos os estágio
evolutivos o que devem fazer para alcançar o direito de sentar
ao seu lado.
O Evangelho possui respostas para todas as
nossas dificuldades, dúvidas e angústias. Na posição
em que estiver: rico ou pobre, algoz ou vítima, espírito
nobre ou delinqüente, não importa, as mensagens do Cristo
são as respostas.
Vamos abordar agora o Karma sobre diferentes
aspectos.
Karma Positivo
O hábito é o problema.
Só precisa estar consciente de suas escolhas...
e ser responsável por seus atos.
Toda ação tem seu preço
e seu prazer.
Reconhecer ambos os lados o torna...
Realistas e responsável por seus atos.
do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior
A humanidade já está acostumada
a analisar os acontecimentos pelo lado negativo, e a palavra Karma não
poderia fugir a essa regra, por esse motivo é comum ligar a palavra
Karma a acontecimentos negativos, dor, etc.
A verdade é que não existe certo
ou errado, ruim ou bom, sempre existe o lado bom de um acontecimento,
quando compreendemos isso estamos iniciando um entendimento maior sobre
as Leis do Karma.
Embora todos os acontecimentos tenham um objetivo
elevado, existem débitos espirituais que OBRIGATORIAMENTE resgataremos
(Karma Negativo) e saldos que nos beneficiam a caminhada(Karma Positivo).
Ações positivas, realizadas
na atual encarnação ou em anteriores, em benefício
próprio ou do próximo, entram no saldo positivo. Mas existem
variáveis nesse contexto, por exemplo, o que o espírito
deseja quando auxilia o próximo??
Quando ajudamos com interesse a nossa recompensa
é o pagamento do que nos motivava, por exemplo, se um político
auxilia buscando votos, então a sua recompensa está nas
urnas e não no céu.
Aqueles que amparam para obter reconhecimento
obtém um Karma Positivo diferente daquele que ajuda pela simples
vontade de ajudar. O trecho abaixo, retirado do Evangelho, nos traz
uma reflexão sobre a caridade:
E sentando-se Jesus defronte do cofre das ofertas,
observava como a multidão lançava dinheiro no cofre; e
muitos ricos deitavam muito.
Vindo, porém, uma pobre viúva, lançou dois leptos,
que valiam um quadrante.
E chamando ele os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos
digo que esta pobre viúva deu mais do que todos os que deitavam
ofertas no cofre; porque todos deram daquilo que lhes sobrava; mas esta,
da sua pobreza, deu tudo o que tinha, mesmo todo o seu sustento.
Muito cuidado na interpretação
dessa passagem, não devemos doar tudo que temos para adquirir
Karma Positivo, Jesus nos fala sobre doar com o coração,
buscando ajudar da melhor forma possível, contribuindo sempre
para o bem do próximo.
Também entram no lado positivo do Karma
os atributos divinos alcançados pelo espírito, características
positivas consolidadas permitem que o “Universo Conspire”
para atrair oportunidades de evoluir em outros aspectos ainda não
aprimorados no EU Superior.
A diferença principal do crescimento
pelo Karma positivo é a ausência de dor, o estímulo
é suave e brando. Como uma grande sempre me fala: “Em tudo
há a infinita misericórdia de Deus!”
Contraindo Débitos Espirituais
Então disse-lhe Jesus: “Repõe
teu facão no
lugar dele, pois todos os que pegam o facão,
morrerão pelo facão”;
Mateus – Cap. 26:52
Em nosso caminho rumo à emancipação
espiritual passamos por diferentes situações: riqueza,
pobreza, poder, saúde, doença, etc. São oportunidades
que recebemos para burilar o nosso espírito e ajudar o bem estar
e crescimento daqueles que nos rodeiam.
Começamos a perder a direção
quando as situações que deveriam ser utilizadas para crescimento
próprio ou ajuda ao próximo são desviadas para
objetivos egoístas ou prejuízo daqueles que deveríamos
auxiliar.
Quando isso acontece, nos mais variados graus
de egoísmo e maldade, contrai-se um débito para com a
Justiça Divina. A gravidade do erro utiliza algumas variáveis
de nosso conhecimento, como objetivo, inteligência e conhecimento
das leis de amor.
Consciente ou não do seu erro o espírito terá um
dia que saldar essa dívida, seja pela senda do amor ou da dor,
pois a Justiça Divina não esquece NADA, não teme
NINGUÉM e não pode ser enganada.
Para os espíritos com maior grau de
evolução o peso do erro é muitas vezes insuportável,
mas, qualquer que seja o seu estado evolutivo ele terá que responder
pelos infrações cometidas, embora o grau de responsabilidade
seja variável.
Alguns espíritos acreditam que podem
apagar suas faltas com:
• Vultosas doações para
caridade – a caridade realmente ajuda a ganhar merecimento, mas
não acrescenta evolução.
• Simplesmente porque param de realizar
suas atrocidades – parar significa não agravar seu débito.
• Freqüentando casas religiosas,
templos, centros espíritas, etc – a freqüência
a lugares de elevação espiritual inicia uma nova fase
da vida do espírito, mas isso não significa que ele apague
os erros do passado.
Existem até aqueles que estudando superficialmente
as obras espíritas acreditam que podem expurgar seu erros após
a morte e depois serem resgatados pelos espíritos de luz.
- Quer dizer, então - disse por minha
vez -, que não basta a romagem de purgação do Espírito
depois da morte, nos lugares de treva e padecimento, para que os débitos
da consciência sejam ressarcidos...
- Perfeitamente - aclarou o amigo, atalhando-me a consideração
reticenciosa -, o desespero vale por demência a que as almas se
atiram nas explosões de incontinência e revolta. Não
serve como pagamento nos tribunais divinos. Não é razoável
que o devedor solucione com gritos e impropérios os compromissos
que contraiu mobilizando a própria vontade. Aliás, dos
desmandos de ordem mental que nos entregamos, desprevenidos, emergimos
sempre mais infelizes, por mais endividados.
Cessada a febre de loucura e rebelião, o Espírito culpado
volve ao remorso e à penitência. Acalma-se como a terra
que torna à serenidade e à paciência, depois de
insultada pelo terremoto, não obstante amarfanhada e ferida.
Então, como o solo que regressa ao serviço da plantação
proveitosa, submete-se de novo à sementeira renovadora dos seus
destinos.
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
No livro Entre a Terra e o Céu André
Luiz traz uma outra informação, muito importante para
entender os mecanismos da Justiça Divina, pois quando causamos
prejuízos ao próximo estamos ferindo nossa própria
alma.
É por isso que temos os vales purgatoriais,
depois do túmulo... a morte
não é redenção...
— Nunca foi — esclareceu o Ministro, bondoso. — O
pássaro doente não se retira da condição
de enfermo, tão só porque se lhe arrebente a gaiola.
O inferno é uma criação de almas desequilibradas
que se ajuntam, assim como o charco é uma coleção
de núcleos lodacentos, que se congregam uns aos outros. Quando
de consciência inclinada para o bem ou para o mal
perpetramos esse ou aquele delito no mundo, realmente podemos ferir
ou
prejudicar a alguém, mas, antes de tudo, ferimos e prejudicamos
a nós
mesmos. Se eliminamos a existência do próximo, nossa vítima
receberá dos outros tanta simpatia que, em breve, se restabelecerá,
nas leis de equilíbrio que nos governam, vindo, muita vez, em
nosso auxílio, muito antes que possamos recompor os fios dilacerados
de nossa consciência.
Quando ofendemos a essa ou àquela criatura, lesamos primeiramente
a nossa própria alma, de vez que rebaixamos a nossa dignidade
de espíritos eternos, retardando em nós sagradas oportunidades
de crescimento.
Entre a Terra e o Céu – Chico Xavier – pelo
espírito André Luiz
Um débito espiritual contraído
enquanto encarnado, dependendo da sua gravidade e extensão, deverá
ser resgatado enquanto encarnado, no livro Nosso Lar André Luiz
recebe essa informação de um instrutor espiritual.
Não observa o tratamento especializado da
zona cancerosa? Pois note bem: toda medicina honesta é serviço
de amor, atividade de socorro justo; mas o trabalho de cura é
peculiar a cada espírito. Meu irmão será tratado
carinhosamente, sentir-se-á forte como nos tempos mais belos
da sua juventude terrena, trabalhará muito e, creio, será
um dos melhores colaboradores em "Nosso Lar"; entretanto,
a causa dos seus males persistirá em si mesmo, até que
se desfaça dos germes de perversão da saúde divina,
que agregou ao seu corpo sutil pelo descuido moral e pelo desejo de
gozar mais que os outros. A carne terrestre, onde abusamos, é
também o campo bendito onde conseguimos realizar frutuosos labores
de cura radical, quando permanecemos atentos ao dever justo.
Nosso Lar – André Luiz – pelo espírito
André Luiz
No livro Ação e Reação
o instrutor espiritual traz um ótimo exemplo sobre como podemos
contrair um débito espiritual e como será o processo de
reparação:
Imaginemos que um homem tenha conduzido uma jovem
à comunhão sexual
com ele, à caça de mero prazer dos sentidos, prometendo-lhe
matrimônio digno, para abandoná-la vilmente ao próprio
desencanto, depois de saciado em seus desejos... A pobre criatura, desenganada,
sem recursos para refugiar-se no trabalho respeitável, entrega-se
ao meretrício. O homem é responsável pelos desatinos
que a infelicitada companheira venha a praticar, compreendendo-se que
ele não terá marchado sozinho para semelhante aventura?
- É preciso reconhecer que todos responderemos pelos atos que
efetuamos - explicou o interlocutor contudo, no caso em foco, se o homem
não é responsável pelos delitos em que venha a
falir a mulher desventurada, é ele, inegavelmente, o autor da
desdita em que ela se encontra. E, em desencarnando com o remorso da
traição praticada, quanto mais luz se lhe faça
no entendimento mais agudo lhe será o pesar de haver cometido
a falta.
Trabalhará, naturalmente, para levantá-la do abismo a
que ela se arrojou por segui-lo, confiante, e reconduzi-la-á
à reencarnação, em cujos liames se demorará,
aceitando-a por esposa ou filha, de modo a entregar-lhe o puro amor
prometido, sofrendo para regenerar-lhe a mente em desequilíbrio
e resgatando a sua consciência entenebrecida pela culpa.
- Da mesma forma - aduziu Hilário -, notamos na sociedade terrestre
homens arruinados por mulheres desleais que os precipitaram na criminalidade
e no vício...
- O processo da reparação é absolutamente o mesmo.
A mulher que lançou o companheiro nas sombras do mal, em despertando
à luz do bem, não descansará, enquanto não
o reerguer para a dignidade moral, diante das Leis de Deus. Quantas
mães vemos no mundo, engrandecidas pela dificuldade e pela renúncia,
morrendo cada dia, entre a aflição e o sacrifício,
para cuidar de filhos monstruosos que lhes torturam a alma e a carne?
Em muitos desses quadros terríveis e emocionantes, oculta-se,
divino, o labor da regeneração que só o tempo e
a dor conseguem realizar.
- Tudo isso, meu amigo - tornou Hilário com manifesta amargura
-, nos obriga a reconhecer que, nas falhas do campo genésico,
temos a considerar, acima de tudo, a crueldade mental que praticamos
em nome do amor...
- Isso mesmo - aprovou o Assistente. - Na perseguição
ao prazer dos sentido’s, costumamos armar as piores ciladas aos
corações incautos que nos ouvem... Contudo, fugindo à
palavra empenhada ou faltando aos compromissos e votos que assumimos,
não nos precatamos quanto à lei de correspondência,
que nos devolve, inteiro, o mal que praticamos e em cuja intimidade
as bênçãos do conhecimento superior nos agravam
as agonias,
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
Como saber se você está contraindo
débitos perante a Justiça Divina ?? Há dois mil
anos o Mestre Nazareno já respondia a essa pergunta, com a passagem
abaixo, que foi retirada do Evangelho de João:
10. Se executais
meus mandamentos, permaneceis no meu amor, assim como executei os mandamentos
de meu Pai e permaneço no amor dele.
11. Isso vos disse, para que minha alegria esteja em vós e vossa
alegria se plenifique.
12. Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros assim
como eu vos amei.
13. Ninguém tem maior amor que este, para que alguém ponha
sua alma sobre seus amigos.
14. Vós sois meus amigos se fazeis o que vos ordeno.
15. Já não vos chamo servos, porque o servo não
sabe o que faz o senhor dele; a vós, porém, chamei amigos,
porque tudo o que ouvi de meu Pai, vos fiz conhecer.
16. Não vós me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos pus,
para que vades e produzais frutos e vosso fruto permaneça, a
fim de que o Pai vos dê aquilo que lhe pedirdes em meu nome.
17. Isso vos ordeno: que vos ameis uns aos outros”.
João 15:10-17
Karma Negativo
"Sei que é um momento assustador
para você.
Está prestanto atenção a ele?"
do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior
Podemos agrupar no Karma Negativo as características
divinas ainda não desenvolvidas e os erros cometidos em prejuízo
do próximo ou de si mesmo, na atual encarnação
ou em anteriores.
É interessante lembrar que quando prejudicamos alguém
com palavras, pensamentos ou atitudes criamos dois débitos, um
para com a pessoa e outro para com nossa própria consciência.
Uma visão errada que temos da justiça
divina é a imagem de Deus nos castigando por nossos erros, cobrando
com juros e correção as infrações cometidas,
mas Deus não cobra, Ele não se ofende, não se melindra,
quem nos cobra pelo erro é nossa própria consciência,
o EU Superior obriga-nos a estar em perfeito equilíbrio com o
Universo, é assim que nós próprios atraímos
as situações adversas que vivenciamos.
Dependendo do grau de prejuízo ao próximo
que uma ação nossa cause, pode até existir a necessidade
de retorno ao plano físico para reajuste. Mas o resultado de
um mal praticado está relacionado com o grau de evolução
daquele que prejudicamos, se ele nos perdoar de coração
então o débito COM ELE se extingue (ainda fica faltando
a outra parte), caso contrário será necessário
o reencontro dos participantes até que se perdoem.
Não é incomum algoz e vítima
encarnam como membros de uma família, para que através
da convivência diária possam encontrar a paz e o perdão,
embora, muitas vezes eles acabem se comprometendo mais ainda.
A aversão ou rancor a uma pessoa próxima,
sem nenhum motivo aparente, está quase sempre ligado ao passado
espiritual.
Jesus não podia ser mais claro sobre
a necessidade de reajuste entre espíritos antes de continuar
a caminha rumo a felicidade plena:
Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta
no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma
coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te
primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.
Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás
no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário
te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão.
Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto
não pagares o último ceitil.
NÂO PERDOAR, MANTER a mágoa em
relação a uma pessoa que o ofendeu também é
uma forma de Karma Negativo, porque cria um vinculo, tornando necessário
uma nova encarnação, e isso se repetirá até
que se perdoem de coração.
A passagem abaixo, retirada do livro Missionários da Luz –
André Luiz e Chico Xavier, sintetiza o que falamos:
O caso é típico. O drama de Segismundo
é demasiadamente complexo para ser comentado em poucas palavras.
Basta, todavia, recordar que ele, Adelino e Raquel são os protagonistas
culminantes de dolorosa tragédia, ocorrida ao tempo de minha
última peregrinação pela Crosta. Em seguida a uma
paixão desvairada, Adelino foi vítima de homicídio;
Segismundo, do crime; e Raquel, do prostíbulo. Desencarnaram,
cada um por sua vez, sob intensa vibração de ódio
e desesperação, padecendo vários anos, em zonas
inferiores. Mais tarde, por intercessão de amigos redimidos,
os antigos cônjuges obtiveram a volta ao corpo físico,
a fim de santificarem os laços sentimentais e se reaproximarem
dos antigos adversários.
Mas.. Qual é o objetivo do Karma Negativo??
Causar dor?? Sofrer?? Somente o Resgate??
Quando um espírito recebe através da Lei de Retorno o
impacto dos atos realizados em outras vidas ou na atual, uma infinidade
de coisas podem acontecer, vamos tentar explorar os pontos mais importantes.
Muitos irmãos e irmãs olham
a expiação como um período de sofrimento, mas não
é bem assim, a quitação do débito contraído
é somente um, dos vários objetivos que a sua própria
Individualidade deseja alcançar.
Se o espírito conseguir compreender
o objetivo Maior que está ofuscado pelas situações
adversas então ele evitará futuras situações
de provação, pois independente do resgate ele precisa
conquistar os atributos divinos para alcançar a felicidade plena.
Pode-se até quitar o débito
espiritual, mas se o objetivo espiritual desejado não for alcançado
então será necessário voltar para aprender.
Vamos explorar um exemplo para facilitar tudo.
Um espírito encarna com a TENDÊNCIA
a desenvolver uma doença auto-imune que o acompanhará
até o final de sua vida, vamos utilizar no exemplo o reumatismo,
mas poderíamos usar a diabetes ou qualquer outra doença
auto-imune que não tem cura.
As doenças auto-imunes são,
em quase sua totalidade, de origem Kármica.
No nosso exemplo o espírito sentirá
dores reumáticas a partir da idade adulta, podendo retardar ou
adiantar a eclosão da doença, de acordo com a sua conduta
durante a juventude e início da idade adulta.
É importante entender que esta doença
faz parte de uma escolha própria para expurgar energias densas,
acumuladas em uma encarnação anterior.
Existem vários fatores que influenciam
no tempo de convívio com a doença e sua intensidade, porque
quando nascemos trazemos a tendência à doença, mas
não existe a data exata do seu inicio ou certeza de que ela vai
aparecer, isso vai depender dos méritos e deméritos da
atual encarnação. Não estamos falando sobre doenças
que já aparecem ao nascer ou bem no inicio da infância,
já que são karmas maduros..
A eclosão da doença, ou seja,
o soar do gongo, geralmente ocorre com a influencia de um fator externo
(uma outra doença, um acidente, etc) ou fatores internos (crise
emocional, stress).
Ao receber o impacto inicial da doença existem duas opções,
dois caminhos a seguir:
• Revoltar-se contra a doença
e não aceitá-la.
• Aceitar a doença como uma oportunidade
de reflexão e modificação interior, porque as doenças
auto-imunes não tem cura mas o grau de intensidade da doença
está diretamente ligado ao equilíbrio emocional e qualidade
de vida.
Aquele que opta por viver confinado a doença
e não se modificar quita sua dívida kármica, porém,
mantém a necessidade de conquistar os atributos divinos, já
que perdeu a oportunidade de crescimento espiritual.
Pode-se comparar essa experiência com
uma viagem, onde o primeiro viajante aproveita a oportunidade para conhecer
os lugares, pessoas, comida, passeios, etc. Já o segundo somente
vai até o local destino, como uma obrigação. Os
dois estão no mesmo lugar, mas vivem duas realidades totalmente
distintas.
A ilusão de que os acontecimentos negativos
são castigos ou maldições deve acabar, a nova era
espiritual deverá ser habitada por espíritos que enxergam
além do problema. Deus não será mais conhecido
pelo peso do seu martelo, mas pela benevolência do professor,
que ensina e aprimora em qualquer oportunidade.
Oxalá chegará o momento em que
todos os homens, mulheres e crianças do nosso planeta estarão
em plena harmonia, num cântico harmônico e belo de agradecimento
ao Pai, por tudo, tudo aquilo que nos fez, faz e fará crescer,
pois esse é o seu único objetivo!!
O Esquecimento
Muitos não aceitam que tenham que sofrer
nesta vida por erros cometidos em outras oportunidades, principalmente
porque não lembram e muitas vezes nem acreditam que seriam capazes
de fazer nada de errado.
É importante entender que a Justiça
Divina não pergunta se você acredita ou não nela,
independente disso as coisas acontecerão, então, entender
um pouco sobre a lei de causa e efeito permite aproveitar melhor as
oportunidades recebidas e amenizar os resgates,
O esquecimento sobre acontecimentos ocorridos
em uma vida anterior é uma benção.
Se soubesse que seu filho matou a você
e todos os que amava, conseguiria perdoá-lo tão facilmente??
Olharia para ele dormindo sob o mesmo teto, totalmente dependente e
inocente e as lágrimas viriam aos seus olhos de felicidade e
agradecimento??
Será que conseguiría se perdoar
se tivésse sido responsável por atrocidades contra várias
pessoas???
A renovação sem lembrança
é uma oportunidade de recomeçar sem levar o peso da culpa
ou a âncora da vingança, quantas pessoas não conseguem
recomeçar porque o erro as persegue, chamando de volta ao vício
ou mergulhando a consciência em culpa.
Por esse motivo paremos de reclamar e acreditemos
na infinita misericórdia e sabedoria do Criador,
Sobre a benção do esquecimento
encontramos um exemplo no livro Libertação.
Meu amigo, de hoje em diante adotarei novo rumo.
Sinto, neste
cenáculo de fraternidade, que o mal nos afundará invariàvelmente
nas trevas.
Fixou os olhos lacrimosos nos meus e rogou, depois de comovente
intervalo:
— Promete-me, porém, a bênção do olvido
na “esfera do recomeço”! (1) Fui mãe de dois
filhinhos, tão belos e tão puros como duas estrelas, mas
a morte me arrebatou muito cedo do lar.
Mas não foi a morte o único algoz que me feriu, desapiedado...
Meu marido, em seis meses, esqueceu as promessas de muitos anos e entregou-me
os dois anjos à madrasta sem entranhas, que cruelmente os amesquinha...
Há vinte meses luto contra ela, tomada de incoercível
revolta; todavia, estou entediada do ódio que me constringe o
coração! Preciso renovar-me para o bem, a fim de ser mais
útil. Entretanto, meu amigo, tenho sede de esquecimento. Ajuda-me
por piedade! Prende-me em algum lugar, onde minhas recordações
amargas possam tranqüilamente morrer. Não me deixes, por
mais tempo, entregue aos caprichos que me arrastam. Minha inclinação
ao bem é insignificante réstia de luz, no seio da noite
do mal que me envolve. Compadece-te e ajuda-me!
Não sei amar, ainda, sem o ciúme violento e aviltante!
Entretanto, não
ignoro que o Mestre Divino se entregou à cruz, em extrema renúncia!
não permitas que as minhas elevadas aspirações
desta hora venham
a perecer!
(1) Nos círculos mais próximos da experiência humana,
“esfera do
recomeço” significa reencarnação. —
Nota do autor espiritual.
Libertação – Chico Xavier – pelo espírito
André Luiz
No livro Ação e Reação
temos mais uma reflexão sobre o esquecimento e o que acontece
após o desencarne, quando lembramos de erros cometidos em outras
vidas.
Ministro amigo, compreendendo que há
dívidas que, por sua natureza e extensão, exigem de nós
várias existências ou romagens na carne terrestre para
o respectivo resgate, como apreciá-las do ponto de vista da memória?
Sinto, por exemplo, que tenho na retaguarda imensos débitos para
ressarcir, dos quais não me lembro agora...
- Sim, sim... - explicou ele - a questão é de tempo. A
medida que nos demoramos aqui na organização perispirítica,
no fiel cumprimento de nossas obrigações para com a Lei,
mais se nos dilata o poder mnemônico. Avançando em lucidez,
abarcamos mais amplos domínios da memória. Assim é
que, depois de largos anos em serviço nas zonas espirituais da
Terra, entramos espontaneamente na faixa de recordações
menos felizes, identificando novas extensões de nosso "karma"
ou de nossa "conta" e, embora sejamos reconhecidos à
benevolência dos Instrutores e Amigos que nos perdoam o passado
menos digno, jamais condescendemos com as nossas próprias fraquezas
e, por isso, vemo-nos impelidos a solicitar das autoridades superiores
novas reencarnações difíceis e proveitosas, que
nos reeduquem ou nos aproximem da redenção necessária.
Ação e Reação – Chico Xavier –
pelo espírito André Luiz
A Programação do Karma
"A morte não é triste.
O triste é que a maioria das pessoas
não vive nada."
do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior
A maioria dos espíritos que atualmente
se encontram encarnados possuía (antes de encarnar) informações
gerais sobre a sua atual encarnação, o nível de
detalhe dessas informações varia com sua evolução
e a importância que esse dado tem para sua tarefa. Somente espíritos
muito revoltados ou ainda muito pouco evoluídos não possuem
a menor idéia de como será sua encarnação.
O trecho abaixo, retirado do livro Missionários da Luz –
André Luiz e Chico Xavier aprofunda o assunto:
Temos bons amigos no Planejamento de Reencarnações,
serviço muito importante em nossa colônia espiritual, diretamente
relacionado com as atividades do Esclarecimento. Nessa instituição
durante alguns dias, você terá uma idéia aproximada
de nossa tarefa, portas adentro de semelhantes trabalhos. Grande percentagem
de reencarnações na Crosta se processa em moldes padronizados
para todos, no campo de manifestações puramente evolutivas.
Mas outra percentagem não obedece ao mesmo programa.
Elevando-se a alma em cultura, conhecimentos e, conseqüentemente,
em responsabilidade, o processo reencarnacionista individual é
mais complexo, fugindo à expressão geral, como é
lógico.
Em vista disso, as colônias espirituais mais elevadas mantêm
serviços especiais para a reencarnação de trabalhadores
e missionários.
...
Quando me refiro a trabalhadores, falo dos companheiros não completamente
bons e redimidos, mas daqueles que apresentam maior soma de qualidades
superiores, a caminho da vitória plena sobre as condições
e manifestações grosseiras da vida. Em geral, como acontece
a nós outros, são entidades em débito, mas com
valores de boa Vontade, perseverança e sinceridade, que lhes
outorgam o direito de influir sobre os fatores de sua reencarnação,
...
As entidades sob nossos olhos são trabalhadores de nossa esfera,
interessados em reencarnações próximas. Nem todos
estão diretamente ligados ao semelhante propósito, porque
grande parte está em trabalho de intercessão, obtendo
favores dessa natureza para amigos íntimos. Os rolos brancos
que conduzem são pequenos mapas de formas orgânicas, elaborados
por orientadores de nosso plano, especializados em conhecimentos biológicos
da existência terrena. Conforme o grau de adiantamento do futuro
reencarnante e de acordo com o serviço que lhe é designado
no corpo carnal, é necessário estabelecer planos adequados
aos fins essenciais.
– E a lei da hereditariedade fisiológica? perguntei.
– Funciona com inalienável domínio sobre todos os
seres em evolução, mas sofre, naturalmente, a influência
de todos aqueles que alcançam qualidades superiores ao ambiente
geral. Além do mais, quando o interessado em experiências
novas no plano da Crosta é merecedor de serviços “intercessórios”,
as forças mais elevadas podem imprimir certas modificações
à matéria, desde as atividades embriológicas, determinando
alterações favoráveis ao trabalho de redenção.
escapando, de certo modo, ao padrão geral. Claro que nem sempre
tais alterações se verificam em condições
agradáveis para a experiência futura. Os serviços
de retificação representam tarefas enormes.
É importante entender que existem dívidas
cármicas que podem ser revertidas pela mudança interior
e merecimento do encarnado, mas isso não acontece sempre, existem
“Karmas Maduros” (que só podem ser atenuados) e também
resgates solicitados pelo próprio espírito (também
só podem ser atenuados porque tem influência direta na
evolução do espírito). Nesses casos podem existir
atenuantes, mas a linha base da programação karmica continuará
atraindo o encarnado para situações que buscam o reajuste
com a lei de harmonia do Universo.
As situações que hoje geram lágrimas de revolta
e angustia foram recebidas um dia com lágrimas de alegria e esperança,
pois a doença que esmaga é força que permitirá
o plantio de sementes divinas e o reencontro com adversários
é a escada que ajudará alcançar novas esferas da
vida maior. Meditemos juntos com André Luiz no livro Missionários
da Luz:
– Não poderíamos, porém
– indaguei –, intitular semelhante prova de – “destino
fixado”?
O instrutor aduziu com paciência:
– Não incida no erro de muita gente. Isto implicaria obrigatoriedade
de conduta espiritual. Naturalmente, a criatura renasce com independência
relativa e, por vezes, subordinada a certas condições
mais ásperas, em virtude das finalidades educativas, mas semelhante
imperativo não suprime, em caso algum, o impulso livre da alma,
no sentido de elevação, estacionamento ou queda em situações
mais baixas. Existe um programa de tarefas edificantes
a serem cumpridas por aquele que reencarna, onde os dirigentes da alma
fixam a cota aproximada de valores eternos que o reencarnante é
suscetível de adquirir na existência transitória.
E o Espírito que torna à esfera de carne pode melhorar
essa cota de valores, ultrapassando a previsão superior, pelo
esforço próprio intensivo, ou distanciar-se dela, enterrando-se
ainda mais nos débitos para com o próximo, menosprezando
as santas oportunidades que lhe foram conferidas.
...
– Todo plano traçado na Esfera Superior tem por objetivos
fundamentais o bem e a ascensão, e toda alma que reencarna no
círculo da Crosta, ainda aquela que se encontre em condições
aparentemente desesperadoras, tem recursos para melhorar sempre.
Missionários da Luz – Chico Xavier – pelo
espírito André Luiz
Quando o espírito desencarna e desperta
do outro lado da vida, ele começa a compreender melhor a gravidade
dos seus erros e a necessidade de reajuste para com a sua própria
consciência antes. O texto abaixo, do livro Missionários
da Luz, nos leva a essa reflexão.
Mas, como acontece quase sempre, os heróis
na promessa fraquejam na realização, porque se apegam
muito mais aos próprios desejos que à compreensão
da Vontade Divina. De posse dos bens da vida física, nega-se
Adelino a perdoar, recapitulando erradamente as lições
do passado. Antes mesmo da reencarnação do antigo transviado,
já se manifesta contrário a qualquer auxílio. Sempre
o velho círculo vicioso – quando fora da oportunidade
bendita de trabalho terrestre e vendo a extensão das próprias
necessidades, desvela-se o companheiro em prometer fidelidade e realização,
mas, logo que se apossa do tesouro do corpo físico, volta ao
endurecimento espiritual e ao menosprezo das leis de Deus.
Missionários da Luz – Chico Xavier – pelo espírito
André Luiz
Karma Aliviado
Acredito que o exemplo que encontramos no
livro Ação e Reação explica, ensina e exemplifica
como podemos aliviar o resgate de débitos kármicos:
Devotou-se, então, depois de melhorado,
aos serviços mais duros de nossa organização, conquistando
com o tempo apreciáveis lauréis que lhe valeram a volta
à esfera humana, com o direito de iniciar o pagamento da larga
dívida em que se onerou, desavisado. Cultuando a prece com a
renovação do mundo íntimo, renasceu de espírito
inclinado à fé religiosa, ardente e operante, encontrando
no Espiritismo com Jesus, ao influxo dos amigos desencarnados que o
assistem, precioso campo de fortalecimento moral e trabalho digno, no
qual tem sabido estender, com louvável aproveitamento das horas,
o seu raio de ação no estudo edificante e na caridade
pura, atraindo em seu favor as mais amplas simpatias, por parte de irmãos
encarnados e desencarnados, que lhe devem generosidade e carinho. Atirado
a imensas dificuldades materiais, desde cedo cresceu órfão
de pai, de vez que não valorizou no passado a ternura paterna,
lutando com extrema pobreza e com enfermidade constante...
Custodiado, porém, por benfeitores da nossa Mansão, foi
conduzido a um templo espírita, ainda muito jovem, onde, submetido
a tratamento da epiderme esfogueada, entrou no conhecimento de nossa
Renovadora Doutrina... A leitura dos princípios espíritas,
ao sol do Evangelho do Senhor, constituiu para ele recordações
naturais dos ensinamentos assimilados em nossa casa, antes da reencarnação.
Desde aí, aceitou nobremente a responsabilidade de viver e buscou,
acima de tudo, aplicar a si próprio as diretrizes regeneradoras
da fé que abraça.
Disciplinou-se. Rendeu sincero preito às suas obrigações
e, não obstante os entraves orgânicos, muito moço
se dedicou às representações comerciais, de cujos
labores retira os abençoados recursos que sabe repartir com necessitados
numerosos, reservando para si tão-somente o indispensável.
Não é um rico da Terra, na acepção do conceito,
mas um trabalhador da fraternidade que sabe dar o próprio coração
naquilo que distribui.
Trilhando o caminho da simplicidade e da renúncia edificante,
modificou as impressões de muitos dos companheiros de outro tempo,
que, nas baixas camadas da sombra, se lhe haviam transformado em perseguidores
e desafetos, obsessores esses que, em lhe observando os exemplos novos,
se sentiam moralmente desarmados para os conflitos que se propunham
manter. É assim que não deixa de ressarcir as suas culpas,
sofrendo-lhes o gravame em si mesmo.
Entretanto, pelos valores que entesoura, devotado ao bem alheio, resgata
o pretérito com o alívio possível, ganhando tempo
e adquirindo novas bênçãos. Ajudando aos outros,
desbasta, dia a dia, o montante dos seus débitos, de vez que
a Misericórdia do Pai Celestial permite que os nossos credores
atenuem o rigor da cobrança, sempre que nos vejam oferecendo
ao próximo necessitado aquilo que lhes devemos...
Silas confiou-se a pausa breve, mas Hilário, tanto quanto eu
fascinado por sua exposição clara e sensata, rogou, sedento
de ensino:
- Continue, Assistente. Esta lição viva ilumina-nos de
esperança... Como se explica estar Adelino ganhando tempo?
Nosso amigo sorriu e acrescentou:
- Correia, que não merecia a ventura do lar tranqüilo por
haver arruinado o lar paterno, casou-se e padeceu o abandono da companheira
que lhe não entendeu o coração.
Avançando para a terna Marisa que dormia, acentuou:
- Assim, pela vida útil a que se consagra e pela caridade incessante
que passou a exercer, atraiu para junto de si, como filha da sua carne,
a antiga madrasta que desviou dos braços paternais, hoje reencarnada
junto dele para reeducar-se ao calor de seus exemplos nobres, guardando
a dor de saber-se filha de pobre mulher que renegou o tálamo
conjugal, tanto quanto ela mesma o menosprezou no passado recente. Mas...
não é apenas essa a vantagem de Adelino...
Silas pousou levemente a destra nos pequenos que ressonavam e prosseguiu:
- Dedicando-se de alma e corpo à sua renovação
com o Cristo, nosso amigo recolheu como filhos adotivos os dois cúmplices
do parricídio tremendo, os antigos capatazes Antônio e
Lucídio, que, abusando de humildes donzelas escravizadas, de
quem furtavam os filhinhos para exterminar ou vender, não encontraram
senão o alcoice por berço, vindo para o círculo
afetivo do companheiro de outro tempo, no sangue africano que tanto
enxovalharam, de modo a lhe receberem o amparo moral à reforma
precisa.
Enquanto nos edificávamos com o precioso ensinamento, Silas observou:
- Como é fácil de reconhecer, nosso irmão, através
da responsabilidade espíritacristã, corretamente sentida
e vivida, conquistou a felicidade de reencontrar os laços do
pretérito criminoso para o necessário reajuste, ao passo
que, se houvesse desertado da luta pela irreflexão da companheira
ou se tivesse cerrado a porta do coração a dois meninos
infelizes, teria adiado para futuros séculos o nobre trabalho
que está fazendo agora...
Dispúnhamo-nos a formular novas indagações, mas
Correia despedira-se da mãezinha e viera ocupar um leito modesto,
não longe das crianças.
Demonstrando hábitos respeitáveis, sentou-se em prece.
Foi quando Silas, recomendando-nos cooperação, abeirou-se
dele e aplicou-lhe passes magnéticos, esclarecendo-nos, logo
após:
- Ainda pela utilidade que sabe imprimir aos seus dias, Adelino mereceu
a limitação da enfermidade congenial de que é portador.
Tendo sofrido, por longo tempo, o trauma perispirítico do remorso,
por haver incendiado o corpo do próprio pai, nutriu em si mesmo
estranhas labaredas mentais que, como já lhes disse, o castigaram
intensamente além-túmulo... Renasceu, por isso, com a
epiderme atormentada por vibrações calcinantes que, desde
cedo, se lhe expressaram na nova forma física por eczema de mau
caráter... Semelhante moléstia, em face da dívida
em que se empenhou, deveria cobrir-lhe todo o corpo, durante muitos
e angustiosos lustros de sofrimento, mas, pelos méritos que ele
vai adquirindo, a enfermidade não tomou proporções
que o impeçam de aprender e trabalhar, porquanto granjeou a ventura
de continuar a servir, pelo seu impulso espontâneo na plantação
constante do bem.
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
Karma Físico, Astral e Mental
Toda ação tem seu preço
e seu prazer.
Reconhecer ambos os lados
o torna...
Realistas e responsável
por seus atos.
do filme Poder Além da Vida – Peaceful Warrior
É importante entender que Karma não
está ligado somente a conseqüências ruins ou boas
de ações passadas, o principal objetivo do Karma em nosso
atual estado evolutivo é estimular o crescimento espiritual.
Para o homem se libertar da chamada “roda
das encarnações” é necessário esgotar
o corpo astral, ou seja, o corpo dos desejos, das sensações,
enquanto alimentamos desejos e sensações estaremos vitalizamos
esse corpo e mais “Karma Astral” é acumulado para
um futuro desgaste. O Karma pode ser gerado no planos físico
– ações, astral – emoções, mental
– pensamentos.
Sidarta Gautma, O Buda, falou claro para a humanidade ao ensinar que
devemos ter uma postura reta na ação, palavra e pensamento
(Reta-Ação, Reta-Palavra, Reto-Pensamento).
No livro A Autobiografia de um Iogue temos
um relato muito interessante sobre o que falamos, ele foi extraído
de uma experiência entre o mestre Láhiri Mahásaya
(na época de sua iniciação) com o grande Avatar
Babáji.
“ É meia noite. Meu guia riu suavemente.
Aquela luminosidade é a cintilação de um palácio
de ouro, materializado aqui, esta noite, pelo incomparável Bábají.
No obscuro passado, você uma vez expressou o desejo de desfrutar
as belezas de um palácio. Nosso mestre está agora satisfazendo
esse desejo seu e livrando o assim do último laço de seu
karma . E acrescentou: O magnífico palácio será
o cenário de sua iniciação, esta noite, em Kriya
Yoga. Todos os seus irmãos, aqui, se reúnem num hino de
júbilo pelo fim de seu exílio. Contemple o!
...
“Examinei o vaso; suas jóias eram dignas de coleção
de um rei. Deslizei minha mão pelas paredes da sala, espessas
de ouro reluzente. Grande satisfação mental empolgou me.
Um desejo, oculto em minha subconsciência desde vidas pretéritas,
parecia, simultaneamente, saciar-se e extinguir se.
...
“ Láhiri, você ainda se regala com seu desejado palácio
de ouro? Os olhos de meu guru cintilavam como suas próprias safiras.
– Acorde! Todos os seus anseios terrenos estão a ponto
de extinguir-se para sempre! Ele murmurou algumas palavras místicas
de bênção. Levante se, meu filho. Receba sua iniciação
no reino de Deus, por meio de Kriya Yoga.
A Autobiografia de um Iogue – Paramahansa Yogananda
Karma e Doença
As moléstias conhecidas no mundo
e outras que ainda escapam ao
diagnóstico humano, por muito tempo persistirão nas esferas
torturadas da alma, conduzindo-nos ao reajuste. A dor é o grande
e abençoado remédio.
Reeduca-nos a atividade mental, reestruturando as peças de nossa
instrumentação e polindo os fulcros anímicos de
que se vale a nossa inteligência para desenvolver-se na jornada
para a vida eterna. Depois do poder de Deus, é a única
força capaz de alterar o rumo de nossos pensamentos, compelindo-nos
a indispensáveis modificações, com vistas ao Plano
Divino, a nosso respeito, e de cuja execução não
poderemos fugir sem graves prejuízos para nós mesmos.
Libertação – Chico Xavier – pelo espírito
André Luiz
A dor não é elemento indispensável
para o crescimento espiritual, no entanto, em muitos casos é
ferramenta indispensável para furar o bloqueio que levantamos
a nossa frente.
Algumas doenças estão diretamente vinculadas ao Karma
pessoal do indivíduo, mas isso não deve ser generalizado,
desequilíbrio emocional, mental ou físico também
são agentes que podem causar problemas de saúde.
Doenças auto-imunes, genéticas,
como o reumatismo, diabete, síndrome de down, atrofia de membros,
etc, são Karmicas, podendo ser impostas ao espírito com
expiação ou escolhidas por ele próprio para aliviar
a culpa que dilacera sua consciência.
Existem até casos de espíritos
com grande bagagem espiritual que solicitam restrições
sérias para conquista de atributos divinos, mas esses são
os casos mais raros. A genialidade utilizada para driblar as dificuldades
e a força interior que utilizam para alcançar os seus
objetivos são grandes lições para a humanidade.
Abaixo copio uma passagem do livro Ação
e Reação, onde o instrutor espiritual aponta alguns dos
motivos espirituais que podem gerar doenças genéticas.
...na solução de certas dívidas
que nos obscurecem a senda, mas sim a providências retificantes,
depois de muitas quedas reiteradas nos mesmos deslizes e deserções,
que imploramos em favor de nós e em nós mesmos, quais
sejam as deficiências congeniais com que ressurgimos no berço
físico. Aqueles que por vezes diversas perderam vastas oportunidades
de trabalho na Terra, pela ingestão sistemática de elementos
corrosivos, como sejam o álcool e outros venenos das forças
orgânicas, tanto quanto os inveterados cultores da gula, quase
sempre atravessam as águas da morte como suicidas indiretos e,
despertando para a obra de reajuste que lhes é indispensável,
imploram o regresso à carne em corpos desde a infância
inclinados à estenose do piloro, à ulceração
gástrica, ao desequilíbrio do pâncreas, à
colite e às múltiplas enfermidades do intestino que lhes
impõem torturas sistemáticas, embora suportáveis,
no decurso da existência inteira. Inteligências notáveis,
com sucessivas quedas morais, através da leviandade com que se
utilizaram do esporte e da dança, espalhando desespero e infortúnio
nos corações afetuosos e sensíveis, pedem formas
orgânicas ameaçadas de paralisia e reumatismo, visitadas
de achaques e neoplasmas diversos, que lhes obstem os movimentos demasiado
livres
Ação e Reação – Chico Xavier-
pelo espírito André Luiz
Podemos também nascer com “fragilidades”
em algumas regiões do corpo, como o coração, pulmão,
imunidade, alergias, etc, que estão diretamente ligadas a erros
do passado. Hábitos saudáveis e emoções
equilibradas poderiam evitar o maior comprometimento dessas áreas,
mas, na maioria das vezes não é dado o valor necessário
ao corpo físico e muito menos a uma vida saudável e equilibrada.
Dessa forma as regiões frágeis ficam expostas a agentes
externos, padecendo então pelo próprio desequilíbrio,
obrigandoo espírito a rever seus hábitos, emoções
e pensamentos.
A passagem abaixo, extraída do livro
Ação e Reação, mostra exatamente isso:
Perfeitamente - acentuou o mentor amigo -,
nossas disposições, para com essa ou aquela enfermidade
no corpo terrestre, representam zonas de atração magnética
que dizem de nossas dívidas, diante das Leis Eternas, exteriorizando-nos
as deficiências do espírito.
Druso meditou alguns instantes, como se estivesse ponderando no íntimo
a gravidade do assunto, e apreciou:
- Nossas assertivas não excluem, decerto, a necessidade da assepsia
e da higiene, da medicação e do cuidado preciso, no tratamento
dos enfermos de qualquer procedência. Desejamos simplesmente acentuar
que a alma ressurge no equipamento físico transportando consigo
as próprias falhas a se lhe refletirem na veste carnal, como
zonas favoráveis à eclosão de determinadas moléstias,
oferecendo campo propício ao desenvolvimento de vírus,
bacilos e bactérias inúmeros, capazes de conduzi-la aos
mais graves padecimentos, de acordo com os débitos que haja contraído,
mas também carrega consigo as faculdades de criar no próprio
cosmo orgânico todas as espécies de anticorpos, imunizando-se
contra as exigências da carne, faculdades essas que pode ampliar
consideravelmente pela oração, pelas disciplinas retificadoras
a que se afeiçoe, pela resistência mental ou pelo serviço
ao próximo com que atrai preciosos recursos em seu favor. Não
podemos esquecer que o bem é o verdadeiro antídoto do
mal.
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
Algumas doenças funcionam como termômetro
para o espírito, alertando-o sobre desequilíbrios e necessidade
de reflexão. Se o individuo optar por buscar a causa do problema
então poderá evitar o agravamento e manifestação
da moléstia, caso contrário, terá que tomar medicamentos
e suportar as crises, que em alguns casos se tornam crônicas.
O espírito que vai encarnar pode solicitar
um mecanismo que o ajude a frear suas tendências inferiores, vícios
ou paixões, que em oportunidades anteriores o levaram às
lastimáveis quedas. Nesses casos, a doença funciona como
um freio, que TENTA evitar a reincidência no erro, já que
as oportunidades anteriores foram perdidas. Toda vez que insistir no
erro ele sentirá dor e comprometerá sua saúde.
Contudo, a escolha sempre será do espírito
encarnado, ele poderá optar por buscar o equilíbrio (hábitos,
ambientes, condutas, etc) para conviver com suas fragilidades ou se
revoltar e deixar que suas paixões o dominem, sofrendo as conseqüências
do próprio desequilíbrio. Abaixo copiamos uma passagem
interessante do livro Ação e Reação:
Companheiros que, em muitas circunstâncias,
se deixaram envenenar pelos olhos e pelos ouvidos, comprometendo-se
em vasta rede de criminalidade, através da calúnia e da
maledicência, imploram veículos fisiológicos castigados
por deficiências auditivas e visuais que lhes impeçam recidivas
desastrosas. Intelectuais e artistas que despedem sagrados recursos
do espírito na perversão dos sentimentos humanos, por
intermédio da criação de imagens menos dignas,
rogam aparelhos cerebrais com inibições graves e dolorosas
para que, nas reflexões de temporário ostracismo, possam
desenvolver as esquecidas qualidades do coração. Homens
e mulheres que abusaram de dotes físicos, manobrando a beleza
e a perfeição das formas para disseminar a loucura e o
sofrimento naqueles que lhes admitiam as falsas promessas, solicitam
corpos vulneráveis às dermatoses aflitivas, quais o eczema
e a tumoração cutânea, ou portadores de alterações
da tireóide que os constranjam a reiteradas lutas educativas.
Grandes faladores que escarneceram da divina missão do verbo,
conturbando multidões ou enlouquecendo almas desprevenidas, suplicam
doenças das cordas vocais, para que, atravessando afonias periódicas,
desistam de tumultuar os espíritos por intermédio da
palavra brilhante. E milhares de pessoas que transformaram o santuário
do sexo numa forja de perturbações para a vida alheia,
arruinando lares e infelicitando consciências, imploram equipamentos
físicos atormentados por lesões importantes no campo genésico,
experimentando, desde a puberdade, inquietantes desequilíbrios
ovarianos e testiculares. A cegueira, a mudez, a idiotia, a surdez,
a paralisia, o câncer, a lepra, a epilepsia, o diabete, o pênfigo,
a loucura e todo o conjunto das moléstias dificilmente curáveis
significam sanções instituídas pela Misericórdia
Divina, portas a dentro da Justiça Universal, atendendo-nos aos
próprios rogos, para que não venhamos a perder as bênçãos
eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões
humanas.
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
Mostramos que a dor física ou moral
pode nos ajudar a evitar a reincidência em erros ou alertar sobre
potenciais problemas, mas um espírito pode também ser
beneficiado pela dor, resgatando um débito e ao mesmo se beneficiando
da situação reflexão e crescimento. No livro Ação
e Reação o instrutor espiritual utiliza o nome de “Dor-Auxílio”
A dor é ingrediente dos mais importantes
na economia da vida em expansão. O ferro sob o malho, a semente
na cova, o animal em sacrifício, tanto quanto a criança
chorando, irresponsável ou semiconsciente, para desenvolver os
próprios órgãos, sofrem a dor-evolução,
que atua de fora para dentro, aprimorando o ser, sem a qual não
existiria progresso. Em nosso estudo, porém, analisamos a dor-expiação,
que vem de dentro para fora, marcando a criatura no caminho dos séculos,
detendo-a em complicados labirintos de aflição, para regenerá-la,
perante a Justiça... É muito diferente...
- Curioso! - exclamou Hilário - não havia pensado ainda
em semelhantes conceitos... Dor-evolução, dor-expiação...
- Como temos ainda dor-auxílio - atalhou Druso, benevolente.
- Como assim?
E percebendo a surpresa que se nos estampava no rosto, o orientador
aduziu:
- Em muitas ocasiões, no decurso da luta humana, nossa alma adquire
compromissos vultosos nesse ou naquele sentido. Habitualmente, logramos
vantagens em determinados setores da experiência, perdendo em
outros. Às vezes, interessamo-nos vivamente pela sublimação
do próximo, olvidando a melhoria de nós mesmos. É
assim que, pela intercessão de amigos devotados à nossa
felicidade e à nossa vitória, recebemos a bênção
de prolongadas e dolorosas enfermidades no envoltório físico,
seja para evitar-nos a queda no abismo da criminalidade, seja, mais
freqüentemente, para o serviço preparatório da desencarnação,
a fim de que não sejamos colhidos por surpresas arrasadoras,
na transição da morte. O enfarte, a trombose, a hemiplegia,
o câncer penosamente suportado, a senilidade prematura e outras
calamidades da vida orgânica constituem, por vezes, dores-auxílio,
para que a alma se recupere de certos enganos em que haja incorrido
na existência do corpo denso, habilitando-se, através de
longas reflexões e benéficas disciplinas, para o ingresso
respeitável na Vida Espiritual.
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz
A maior parte das pessoas busca somente a
cura para sua doença, interpretam o corpo como tão somente
um emaranhado de células e órgãos, estão
vendo somente a ponta do iceberg.
Geralmente o problema é bem mais profundo,
e para ser erradicado demandará um grande esforço do espírito,
em vários setores diferentes, como por exemplo:
– Pensamentos nobres e dignos.
- Emoções equilibiradas.
- Hábitos físicos saudáveis.
- Vencer o vício, quando existir..
- Aprender a se perdoar ou perdoar o próximo.
- Disciplina no tratamento alopático.
Pode-se tomar um remédio que proteja
a região inflamada, acabando com a dor que incomoda, mas se a
fonte do desequilíbrio não cessar então a carga
tóxica continuará caminhando do corpo astral até
o físico, atacando novamente a área comprometida ou outra
que esteja receptiva.
Dr. Fritz fala sobre esse assunto:
Vamos traçar um paralelismo. O Medicamento
está para a cura da doença assim como o elemento catalizador
está para a reação química. Assim, entendemos
o medicamento como indicado para estabelecer o inicio do processo de
cura.
O leitor inteligente entenderã que não é a administração
tão somente do medicamento que proporcionará a cura da
doença. O paciente com suas vibrações positivas,
fé e confiança na sua recuperação pela misericórdia
do PAI Celestial propicia o estabelecimento de campos de forças
magnéticas geradores de energias vitais. Esses pacotes energéticos
são absorvidos pelas células doentes que se reorganizam
e se revitalizam. São as imutáveis leis orgânicas
de renovação.
Dr. Fritz – O Médico e sua Missão
O assunto é muito interessante, pois
é possível que um espírito com uma doença
cármica crônica tenha uma qualidade de vida melhor que
aquele com débitos menos sérios, mas que nada faz para
alcançar o equilíbrio.
A força de vontade do espírito
para alcançar a cura física e espiritual, a realização
de um tratamento físico, com profissional especializado e a ajuda
espiritual permitem atenuar doenças e até curar, quando
existe essa possibilidade.
A cura de uma doença pode ocorrer em
qualquer lugar, a qualquer momento, tudo depende do Karma, do esforço
do espírito em se melhorar e do seu merecimento. Por outro lado
temos pessoas que foram em todos os lugares possíveis e não
conseguiram sequer atenuar sua dor.
Quando perguntaram ao médium que assistia o Dr. Fritz se ele
podia curar a todos, ele respondeu que a espiritualidade informava aqueles
que poderiam ser curados, os que ainda não estavam prontos (deveriam
trabalhar seu interior) e aqueles que o Karma não permitiria
a cura, sendo somente autorizado atenuar os efeitos da doença.
Os comentários deste tópico
não devem desestimular aqueles que buscam a cura, mas devemos
entender a mensagem dos céus, pois existem pessoas que gastam
todas as suas energias buscando a cura da doença, deixando de
lado o que realmente deveria ser tratado, sua Alma.
Abaixo copio algumas passagens da entrevista
realizada com o Dr. Fritz:
Com respeito a cura do paciente, ele pode ser curado
no primeiro atendimento ou ela pode demorar a ocorrer?
As condições espirituais do paciente e seu merecimento
são os parâmetros que possibilitam a ocorrência da
cura. Asssim, a cura depende do término do "pagamento"
dos débitos existentes junto a "contabilidade" Divina,
dos karmas e da regressão da enfermidade. O paciente poderá
ser curado na hora ou receber o tratamento e a enfermidade ir regredindo.
Toda doença apresenta o progresso evolutivo e o progresso regressivo.
Para nós que as conhecemos, as doenças nem sempre devem
ser consideradas como um mal, na acepção da palavra. Na
maioria das vezes sua nuances convidam os médicos e cientistas
à pesquisa, possibilitando o alargamento do conhecimento e o
consequente progresso profissional.
Para o doente elas se apresentam como uma forma de regeneração
espiritual. assim, o doente se regenera e o médico tem a oportunidade
de aprender e servir seu semelhante, contri buindo para sua cura. Destacamos,
ainda uma vez, a importância da saúde do corpo físico
para os encarnados, tendo em vista seus compromissos com o aperfeiçoamento
espiritual nessa encarnação.
...
Isso não quer dizer, entretanto, que o doente não deva
se tratar. Nunca se sabe quando a misericórdia de DEUS vai nos
“premiar” com a cura, tendo em vista o termino do resgate
do paciente ou a do adiamento da prova para uma outra ocasião,
para possibilitar a este cumprir uma missão de elevação
espiritual e moral ainda nessa encarnação”
Dr. Fritz – O Médico e sua Missão –
Mauricío da Silva Magalhães
Karma e Doenças Mentais
Existe uma pergunta que não sai da
cabeça daqueles que possuem doenças muito sérias,
tiveram perdas importantes ou reberam filhos doentes mentais –
“Por que EU??”
Mães dedicadas e heróicas recebem
em seu ventre espíritos altamente endividados, são irmãos
encarcerados no corpo, que vêm sem o direito de falar ou agir,
tamanho é o seu compromisso e necessidade de recuperação.
Espíritos bons e puros não vêm
a Terra com o corpo todo atrofiado ou doentes mentais, isso não
vai acontecer. Podemos ter espíritos boníssimos que solicitam
“defeitos” genéticos para exercitar seu amor, humildade
e fé, mas de forma alguma teremos Bezerra de Menezes reencarnando
com algum tipo de retardamento mental.
Os pais que recebem esses transgressores são
geralmente cúmplices do passado ou espíritos boníssimos,
que abrem os braços para auxiliar na recuperação
dos filhos pródigos do Pai.
André Luiz fala um pouco mais sobre
esse assunto no livro No Mundo Maior.
É paralítico de nascença,
primogênito de um casal aparentemente feliz, e conta oito anos
na existência nova — informou Calderaro, indican¬do-o
—; não fala, não anda, não chega a sentar-se,
vê muito mal, quase nada ouve dá esfera hu¬mana; psiquicamente,
porém, tem a vida de um sentenciado sensível, a cumprir
severa pena, lavra¬da, em verdade, por ele próprio. Há
quase dois séculos, decretou a morte de muitos compatriotas numa
insurreição civil. Valeu-se da desordem po¬lítico-administrativa
para vingar-se de desafetos pessoais, semeando ódio e ruínas.
Viveu nas regiões inferiores, apartado da carne, inomináveis
su¬plícios. Inúmeras vítimas já lhe
perdoaram os cri¬mes; muitas, contudo, seguiram-no, obstinadas,
anos afora... A malta, outrora densa, rareou pou¬co a pouco, até
que se reduziu aos dois últimos inimigos, hoje em processo final
de transformação. Com as lutas acremente vividas, em sombrias
e dantescas furnas de sofrimento, o desgraçado aprestou-se para
esta fase conclusiva de resgate; conseguiu, assim, a presente reencarnação
com o propósito de completar a cura efetiva, em cujo pro¬cesso
se encontra, faz muitos anos.
A paisagem era triste e enternecedora. O doen¬te, de ossos enfezados
e carnes quase transparentes, pela idade deveria ser uma criança
bela e feliz; ali, entretanto, se achava imóvel, a emitir gritos
e sons guturais, próprios da esfera sub-humana.
Com o respeito devido à dor e com a obser¬vação
imposta pela Ciência, verifiquei que o pequeno paralítico
mais se assemelhava a um des¬cendente de símios aperfeiçoados.
- Sim, o espírito não retrocede em hipótese alguma
— explicou Calderaro —; todavia, as for¬mas de manifestação
podem sofrer degenerescên¬cia, de modo a facilitar os processos
regenerativos. Todo mal e todo bem praticados na vida impõem
modificações em nosso quadro representativo. Nosso desventurado
amigo envenenou para muito tempo os centros ativos da organização
perispiritual. Cer¬cado de inimigos e desafetos, frutos da atividade
criminosa a que se consagrou voluntàriamente, per¬manece
quase embotado pelas sombras resultantes dos seus tremendos erros. No
campo consciencial, chora e debate-se, sob o aguilhão de reminiscências
torturantes que lhe parecem intérminas; mas os sentidos, mesmo
os de natureza física, mantêm-se obnubilados, à
maneira de potências desequilibra¬das, sem rumo... Os pensamentos
de revolta e de vingança, emitidos por todos aqueles aos quais
de¬llberadamente ofendeu, vergastaram-lhe o corpo perispiritual
por mais de cem anos consecutivos, como choques de desintegração
da personalidade, e o infeliz, distante do acesso à zona mais
alta do ser, onde situamos o (castelo das noções superiores,
em vão se debateu no (Campo do esforço presente, isto
é, à altura da região em que loca¬lizamos as
energias motoras; é que os adversários implacáveis,
apegando-se a ele, através da influên¬cia direta, compeliram-lhe
a mente a fixar-se nos impulsos automáticos, no império
dos instintos; permitiu a Lei que assim acontecesse, naturalmente porque
a conduta de nosso infortunado irmão fora igual à do jaguar
que se aproveita da força para dominar e ferir. Os abusos da
razão e da autori¬dade constituem faltas graves ante o Eterno
Go¬verno dos nossos destinos.
O estimado Assistente fitou-me com seus olhos muito lúcidos e
perguntou:
— Compreendeste?
Como desejasse ver-me suficientemente escla¬recido, acrescentou:
— Espiritualmente, este pobre doente não re¬grediu.
Mas o processo de evolução, que constitui o serviço
do espírito divino, através dos milênios, efetuado
para glorioso destino, foi por ele mesmo (o enfermo) espezinhado, escarnecido
e retardado. Semeou o mal, e colhe-o agora. Traçou audacioso
plano de extermínio, valendo-se da autoridade que o Pai lhe conferira,
concretizou o deplorável pro¬jeto e sofre-lhe as consequências
naturais de modo a corrigir-se. Já passou a pior fase. Presente¬mente,
já se afastou do maior número de inimigos, aproximando-se
de amoroso coração materno, que o auxilia a refazer-se,
ao término de longo curso de regeneração.
No Mundo Maior – Chico Xavier – pelo espírito
André Luiz
Karma e Família
Os espíritos que formam a conhecida
família terrena – mãe, pai, irmãos - geralmente
possuem alguma afinidade entre si, com histórias milenares de
amor e bondade ou ódio e vingança. Quando se reencontram
através dos laços consangüíneos as lembranças
afloram, trazendo a empatia ou antipatia gratuita. É por esse
motivo que um filho pode morrer de amor pela mãe e odiar com
todas as suas forças o pai, ou vice-versa, temos também
irmãos que se digladiam desde a infância ou vivem em terna
paz.
Existem casos raros, mas perfeitamente possíveis
de espíritos que se vinculam a uma família sem possuir
laços de afinidade. A espiritualidade pode solicitar a um casal
de espíritos bons (evolução média ou superior)
a oportunidade de receber sob sua tutela um espírito revoltado
e desregrado, tentando dessa forma estimular o seu crescimento espiritual
e resgate de débitos espirituais. Também podemos ter um
espírito superior, em missão de auxílio a um grupo
de espíritos que solicita permissão para participar da
família.
Se você acha que está na família
errada está profundamente enganado, pois nada acontece por acaso,
seja o Karma positivo ou negativo estamos sempre localizados no lugar
certo para o nosso crescimento espiritual.
Muitas dessas histórias se arrastam
há séculos e somente terminarão quando o vinculo
de ódio se extinguir, porque qualquer sentimento negativo que
tenhamos para com outros espíritos cria uma ligação
negativa entre ambos, tornando necessário a devida harmonização
com as leis de equilíbrio.
O assassino impiedoso de ontem é hoje
a mãe que cuida com profundo carinho do filho; O ladrão
que roubou é agora o pai que educa e cuida; O carrasco que levou
a morte é o paciente irmão, que protege e ampara, Deus
é infinita misericórdia e as oportunidades de reajuste
nunca se acabam.
Evoluiremos todos para um dia entender que
a família não está circunscrita somente ao sangue,
e sim ao espírito. Jesus viveu essa verdade até seu último
suspiro, tratava a todos como irmãos e irmãs.
Tentando Fugir do Karma
As forcas inferiores da Alma são
comandadas pela obstinação e o egoísmo enquanto
as forcas superiores obedecem a vontade divina.
Baghavad Gitã
Em alguns casos de resgate é possível
tentar “fugir” do Karma, um pai ou uma mãe podem
abandonar o filho deficiente, a mãe pode abortar o antigo inimigo
que lhe bate a porta pedindo perdão, o missionário do
amor pode rejeitar a mediunidade, a alma que se prontificou a caridade
pode negar a dedicação ao próximo, tudo pode acontecer,
CONTUDO, o débito continua e será resgatado nessa vida
ou em outra, provavelmente de uma forma muito mais agressiva e não
contornável.
O pai que abandona o filho enjeitado por não
admitir que sua prole tenha defeitos pode vir deficiente, para aprender
a valorizar todas as formas de expressão da vida.
O médium que veio com grandes facilidades
para exercer sua mediunidade e a renegou ou a utilizou para benefício
próprio terá que resgatar o mau uso e o benefício
ilícito.
Por mais difícil que seja o Karma,
não devemos fugir, já que não será esquecido
e na próxima oportunidade concedida ao espírito a prova
que não será tão facilmente remediável,
até o momento em que o karma "amadurecer" e se tornar
impossível para o espírito se esquivar (Karma Maduro).
Karma e Mediunidade
Já escrevemos um artigo sobre mediunidade,
mas nunca é demais lembrar desse assunto. O médium não
é espírito iluminado, é um trabalhador do bem que
está lutando contra suas fraquezas para crescer, não podemos
afirmar de forma alguma que só porque uma pessoa é médium
ela é “mais evoluída” ou melhor que outra.
Podemos então incluir TODOS os médiuns
de prova (aqueles que são médiuns por interferência
da espiritualidade e não pela própria evolução)
como devedores perante a justiça divina.
Essa é uma das possíveis formas
de se resgatar débitos espirituais sem a “dor”, a
mediunidade é um acelerador espiritual e, ao mesmo tempo, pagador
de contas espirituais.
A mediunidade é uma oportunidade oferecida
aqueles que durante o período de erraticidade (desencarnado)
se esforçaram pela melhorar e se dedicaram a auxiliar o próximo..
A mediunidade não é imposta
ao espírito, em quase todos os casos ela é decorrente
de sua própria solicitação. Um dos vários
problemas decorrentes de rejeitar a mediunidade é esse, parte
do Karma que seria quitado auxiliando o próximo é convertido
para situações adversas que o médium rebelde enfrentará.
Liquidação do Karma
Também
as forcas inimigas da alma são nossos amigos e mestres, pois
por meio delas é que alcançamos a experiência; elas
são os degraus pelos quais o homem sobe até o conhecimento
perfeito de si mesmo.
Baghavad Gitã
È muito difícil para um encarnado
saber quando o seu karma ou de outra pessoa se extinguiu, somente instrutores
espirituais, com algum grau de evolução, que possuem informações
sobre os registros acásicos podem revelar estas informações.
Os Mestres (os verdadeiros, não estamos
falando dos falsos gurus) também conseguem acessar os registros
kármicos.
Por isso não fique contando as horas
ou imaginando quando se acabarão os dias de dificuldade, porque
o pagamento do seu débito espiritual pode estar apenas começando,
concentre-se em crescer, aproveitar os momentos e ser feliz, o resto
será conseqüência.
Retiramos uma passagem do livro Ação
e Reação para reflexão:
Quando a nossa
dor não gera novas dores e nossa aflição não
cria aflições naqueles que nos rodeiam, nossa dívida
está em processo de encerramento. Muitas vezes, o leito de angústia
entre os homens é o altar bendito em que conseguimos extinguir
compromissos ominosos, pagando nossas contas, sem que o nosso resgate
a ninguém mais prejudique. Quando o enfermo sabe acatar os Celestes
Desígnios, entre a conformação e a humildade, traz
consigo o sinal da dívida expirante...
Ação e Reação – Chico Xavier
– pelo espírito André Luiz