Em meio às adversidades do cotidiano
de todos nós, sempre é prudente e sábio olhar os
problemas de um modo cuidadoso. Se nos aproximamos de uma situação
complicada e ela se apresenta como algo enorme e insolúvel, vale
a pena fazer o caminho inverso, ou seja, estabelecer certa distância
em relação ao que nos aflige para analisarmos qual o melhor
caminho a seguir.
Lembremos do ditado segundo o qual devemos
dizer ao nosso problema o tamanho de Deus, e não devemos ficar
dizendo a Deus o tamanho do problema.
À medida que nos habituamos a pedir
ao Poder Superior a serenidade e o discernimento necessários
para travarmos nossas lutas diárias, passamos naturalmente a
estabelecer contato com energias muito sutis. Estas, por sua vez, são
fundamentais para aliviar o cansaço físico e mental ocasionado
pelo "Bom Combate" travado em nós mesmos, em meio às
relações que estabelecemos com as pessoas, e igualmente
com o mundo que nos rodeia.
Por falar em contato, aproveito a oportunidade
para dividir algumas impressões sobre este termo situando-o no
terreno da Gerontologia, ciência que estuda o envelhecimento sob
o olhar de diferentes áreas profissionais.
Lanço mão de uma simples pergunta:
o que dizemos daquele aparelho doméstico "velho de guerra"
que utilizamos no dia-a-dia, diante de seus primeiros sinais de desgaste?
"Pode ser mau contato...".
Será que poderíamos dizer o mesmo
de algumas pessoas mantendo distante, é evidente, o aspecto pejorativo?
Explicarei melhor meu ponto-de-vista, para fugir da idéia de
velhice como desgaste.
Ninguém envelhece de um dia para o
outro, e nem apresenta sinais de demência da noite para o dia.
Gradualmente, o ser que vivencia o processo de envelhecimento vai passando
por uma série de transformações a nível
físico, psíquico e social. Em meio a esse processo, que
é singular, pessoal e intransferível, podem acontecer
momentos nos quais se evidenciem lapsos de memória, condutas
inesperadas ou inoportunas e reações surpreendentes (positivas
ou negativas) que são, de certo modo, atitudes parecidas com
um "mau contato". Elas simplesmente acontecem e podem ou não,
no entanto, estar apontando para alguma dificuldade específica.
O que se torna perceptível no comportamento
da pessoa idosa, e que surge como um "mau contato", uma "mania
de velho" ou "caduquice" pode, na realidade, denotar
os primeiros indícios de um quadro demencial. Há que se
ter cuidado em acompanhar a constância na qual estes comportamentos
ocorrem, de modo a buscar uma orientação especializada.
Manter-se informado a respeito das mudanças
geradas pelo processo de envelhecimento é um excelente caminho,
não somente para quem está atravessando essa fase da vida,
mas também para aqueles que convivem com idosos. Se o "mau
contato" realmente persistir, torna-se imprescindível recorrer
ao auxílio de profissionais capacitados em assistir às
peculiaridades da velhice, e encarar a situação com serenidade.
Diante de uma realidade que nos apresenta
um diagnóstico de doença neurodegenerativa, dentre as
quais a Doença de Alzheimer é apenas uma delas, cabe-nos
manter um contato constante não somente com especialistas no
assunto, mas também com outras pessoas que enfrentem as mesmas
dificuldades. Evitar o isolamento é uma estratégia que
nos fortalece e revigora.
Mais uma vez retomando o ditado segundo o
qual devemos dizer aos nossos problemas o tamanho de Deus, nas situações
onde o "mau contato" revelar a fragilidade de nossa saúde
ou da saúde de quem amamos devemos estabelecer, sobretudo, o
contato com o Altíssimo, para que os problemas não se
tornem maiores do que eles realmente o são.