| CENA 47 |
ACENDE-SE A LUZ EM MARIANA.
ELA ESTÁ ATRÁS DE PAULO E DA ADVOGADA NO TRIBUNAL.
O JUIZ LÊ A SENTENÇA. |
| JUIZ |
Senhores jurados já têm o veredicto?
(um guarda entrega ao juiz um papel dobrado, o juiz sem pressa lê
o veredicto).Por unanimidade, os jurados declararam o réu,
o senhor Paulo dos Santos...(pausa longa) INOCENTE DE TODAS AS ACUSAÇÕES
QUE LHE FORAM IMPUTADAS. |
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(Paulo e a advogada se abraçam, enquanto
à assistência reage. O promotor reclama contrariado.
A luz vai se apagando, ficando apenas um foco em Paulo e na advogada
Luisa). |
| PAULO |
Quero te agradecer do fundo do meu coração
por tudo o que você fez por mim. |
ADVOGADA |
Eu é que tenho que te agradecer. Você
me ajudou a, encontrar a fé em Deus e nos homens. Com a tua
humildade, perseverança e esse amor desmedido pelo semelhante,
fez-me ver que nem tudo está perdido, que ainda existe uma
chance para o homem encontrar a "Felicidade". |
| PAULO |
Existe sim Luisa, somos pequeninas partículas
nesse universo, centelhas divinas, seres imperfeitos na busca pela
perfeição. Deixemos que o amor comande a nossa existência
aqui na Terra. Quando conseguirmos isso, seremos felizes, porque
distinguiremos o que é real do que é ilusório.
O destino do homem é ser Deus...
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(Do fundo do corredor da platéia,
Antônio interrompe a cena, desvairado. Ele carrega um revólver
na mão e aponta para Paulo. A luz geral do palco se acende.
Todos que estavam se retirando voltam rapidamente). |
| ANTÔNIO |
Maldito demônio! Você pensa que
o teu julgamento está encerrado? Não! Eu condeno a
sua bruxaria e a você a morte! (Antônio atira três
vezes em Paulo que cai ensangüentado, amparado pela advogada
e pelo juiz. Os guardas seguram Antônio e o levam para fora
do teatro enquanto ele grita desesperadamente). |
| ANTÔNIO |
Demônio (repetindo a maldição
lançada quando Antônio fora o "cristão"
na outra vida) maldito que a maldição te acompanhe
até o fim dos teus dias! Demônio maldito! Maldito!bruxo,
feiticeiro! Sou o teu júri e o teu carrasco. O teu julgamento
ainda não terminou.Demônio maldito.. |
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(A luz volta a diminuir, ficando apenas restrita
a Paulo e aos mais próximos, Paulo está morrendo). |
| PAULO |
Fui absolvido e condenado... Vou precisar
ainda de muitas existências, para resgatar minhas dívidas.
Talvez um dia, Antônio possa me perdoar (geme de dor), mas
ele tem razão, o julgamento ainda não terminou. Chegará
o dia em que não se usarão mais a fogueira ou o revólver
para calar os paranormais. Ciência e espiritualidade estão
cada vez mais próximas uma da outra. Quando os preconceitos
caírem por terra, o homem finalmente verá a luz e
o seu caminho. Será pleno de amor. Meritíssimo, senhores
jurados esse caso ainda não está encerrado. Caberá
aos senhores e aos outros que virão, continuarem o julgamento... |