| CENA 45 |
ACENDE-SE A LUZ NO LADO
DIREITO DO PALCO. ANTÔNIO ENTREGA A PAULO SUA FILHA ENROLADA
NUM LENÇOL TODO ENSANGÜENTADO. |
| ANTÔNIO |
Está aqui a minha filha. Você
que é tão ligado a Deus, que possui dons divinos,
salve-a se for capaz. |
| PAULO |
Meu Deus! Por que demoraram tanto a trazê-la? |
| ANTÔNIO |
O que foi? Qual o problema? Seu mestre Jesus
não ressuscitou os mortos? Pois faça o mesmo com a
minha filha! |
PAULO |
Não sou Jesus! Não sei o quê
posso fazer por ela! Mais farei todo o possível para salvar
essa pobre criaturinha. |
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(Maria invade a cena aos prantos) |
| MARIA |
Pelo amor de Deus seu Paulo, salve a minha
menina! |
| ANTÔNIO |
Não mandei que ficasse lá fora!
Você é culpada de tudo! Foi você quem contaminou
a menina! |
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(Paulo coloca a menina sobre uma mesa e de
costas para o público, impõe as mãos sobre
ela. Enquanto isso, os dois discutem). |
| MARIA |
Eu sei... Eu sei, me penitencio por isso
todos os dias da minha vida. |
| ANTÔNIO |
Você, com sua doença e sua crendice,
será a responsável pela morte de Mariângela! |
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(Paulo ergue a menina nos braços e
pede ajuda a Deus) |
| PAULO |
Pai... Ouve a minha prece! Te imploro Pai!
Salve essa criança!. Jesus, médico dos médicos,
tu disseste que, quando dois ou mais se reunissem em teu nome, tu
lá estaria, que a tua presença se faça sentir
nesse momento Jesus, que o milagre da vida volte a bater no coração
dessa criança. Maria, nossa mãezinha querida, ouve
as orações de uma mãe desesperada, lembra-te
quando viste teu filho na cruz? Tenha compaixão da dor dessa
mãe!. Oh, Pai! Sabemos que a morte não existe. Que
a vida é eterna, mas não separe ainda esta criança
do nosso convívio. Permita, Pai, que ela fique um pouco mais
com a sua mãezinha, prorrogue o seu tempo entre nós,
para que possamos prepará-la melhor para a vida no plano
espiritual, junto a ti, meu Deus! |
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(Paulo muito emocionado abraça-se ao
corpo da menina. Ela está morta. Maria sente a morte e chora
desesperadamente). |
| MARIA |
Por que meu Deus? Por quê? Por que não
levaste a mim que sou a culpada por essa doença? Por quê?
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(Paulo entrega o corpo de Mariângela
a Antônio) |
| PAULO |
Nenhuma vida é em vão. Ela encontrou
a paz e o repouso do seu sofrimento junto a Deus. Ela viverá
eternamente em espírito e habitará para sempre o nosso
coração. Que Deus a abençoe hoje e sempre. |
| ANTÔNIO |
(Cheio de ódio) Essa criança
morta prova que você é um charlatão! Um bruxo!
Um feiticeiro! Um enviado do demônio! |
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(Maria abraça-se ao corpo da filha
é chora desesperadamente) |
| MARIA |
Chorando) Mariângela..minha filhinha...
Mariângela minha filhinha... Mariângela... |
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Maldito bruxo, trabalharei o resto da minha
existência para te destruir! Só descansarei quando
te ver acabado! Eu juro pela alma da minha filha, que a minha vingança
será eterna! |
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(Paulo chora de tristeza) |