A Arte e o Espírito    (O Julgamento)
20ª Parte - A Ciência e os Fenômenos Parapsicológicos
por Jorge Queiroz

 

  (O Dr. José faz o juramento)
JUIZ Pode começar doutora, a testemunha é sua.
ADVOGADA Dr. José Albino, o senhor poderia nos dizer qual a sua especialização?
Dr. JOSÉ Sou médico psiquiatra, formado pela Universidade de Cambridge; Psicólogo e Psicanalista formado pela Universidade de Harvard, P.H.D. em teoria do comportamento, e por fim, Pesquisador e Professor de Parapsicologia da Universidade de Boston, tendo escrito e editado em doze países, quatro livros que tratam de fenômenos parapsicológicos.
ADVOGADA
Como se vê, não é um curandeiro nem um charlatão.
Dr. JOSÉ Não, não sou, mas no início das pesquisas do Dr. Freud a medicina tradicional rotulava a psicanálise de mera enganação e seus seguidores de charlatões.
PROMOTOR Nós estamos aqui para julgar um assassino, ou ouvirmos histórias do início da psicanálise?
JUIZ Por favor, doutora advogada, faça as suas perguntas.
ADVOGADA Pois não, meritíssimo. Dr. José, como o senhor se iniciou nas pesquisas da parapsicologia?
PROMOTOR Eu protesto! Estamos aqui para julgar um crime.
ADVOGADA Meritíssimo, o senhor permitiu que fossem mostradas imagens, onde o senhor Paulo fazia cirurgias fantásticas, eu quero tentar provar para os senhores que aquilo não é bruxaria ou curandeirismo. São fenômenos parapsicológicos hoje largamente estudados por muitos cientistas, médicos e pesquisadores como o Dr. José Albino.
JUIZ

(O promotor senta-se contrariado) Protesto indeferido, a doutora pode continuar.

Dr. JOSÉ Foi ainda na faculdade, quando li a autobiografia do professor Jung. Ele mostrava-se perturbado por causa de acontecimentos paranormais em sua vida. Ele tinha conhecimento da parapsicologia ou da metafísica, como se chamava naquele tempo. Ele sabia que ele próprio era elemento gerador daqueles fenômenos denominados de POLTERGEIST. Acontecimentos inexplicáveis e sem objetivos aparentes.Mas o que mais o impressionou foi quando ele começou a ouvir vozes internas. Na psicopatologia isso é geralmente reconhecido como indício de uma dissociação da personalidade. Ele chegou a pensar que estava completamente perturbado, mas quando percebeu que havia na sua psiquê coisas que não eram produzidas por ele, mas que se produziam por si mesma, que tinham vida própria. Ele passou a conversar com essas vozes que se apresentaram como “Filemon” e “Ka”, para Jung “Filemon” era um espírito do ar e “Ka”, um espírito da terra, da natureza. A partir dali, minhas pesquisas foram se aprofundando e fiquei impressionado com relatos parapsicológicos que remontavam a muitos séculos atrás.
ADVOGADA Resumindo. Quando o Senhor percebeu que esses fenômenos eram objetos de pesquisa, de estudos de pessoas sérias, inteligentes e sadias. O senhor mergulhou mais profundamente no universo da parapsicologia. Não é verdade?
Dr. JOSÉ É verdade. Para um cientista é fundamental não acreditar apenas no que lhe dizem, mas buscar sempre que possível sua experiência pessoal, por isso não me ative somente aos relatos de Jung, Freud, Reiche, Kardec ou Groef. Fui mais fundo e resolvi com ajuda de outros médicos e estudiosos, da América, da Europa e também da Rússia, pesquisar esses fenômenos no Brasil


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