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(O Dr. José faz o juramento) |
| JUIZ |
Pode começar doutora, a testemunha
é sua. |
| ADVOGADA |
Dr. José Albino, o senhor poderia nos
dizer qual a sua especialização? |
| Dr. JOSÉ |
Sou médico psiquiatra, formado pela
Universidade de Cambridge; Psicólogo e Psicanalista formado
pela Universidade de Harvard, P.H.D. em teoria do comportamento,
e por fim, Pesquisador e Professor de Parapsicologia da Universidade
de Boston, tendo escrito e editado em doze países, quatro
livros que tratam de fenômenos parapsicológicos. |
ADVOGADA |
Como se vê, não é um curandeiro
nem um charlatão. |
| Dr. JOSÉ |
Não, não sou, mas no início
das pesquisas do Dr. Freud a medicina tradicional rotulava a psicanálise
de mera enganação e seus seguidores de charlatões. |
| PROMOTOR |
Nós estamos aqui para julgar um assassino,
ou ouvirmos histórias do início da psicanálise? |
| JUIZ |
Por favor, doutora advogada, faça as
suas perguntas. |
| ADVOGADA |
Pois não, meritíssimo. Dr. José,
como o senhor se iniciou nas pesquisas da parapsicologia? |
| PROMOTOR |
Eu protesto! Estamos aqui para julgar um crime. |
| ADVOGADA |
Meritíssimo, o senhor permitiu que
fossem mostradas imagens, onde o senhor Paulo fazia cirurgias fantásticas,
eu quero tentar provar para os senhores que aquilo não é
bruxaria ou curandeirismo. São fenômenos parapsicológicos
hoje largamente estudados por muitos cientistas, médicos
e pesquisadores como o Dr. José Albino. |
| JUIZ |
(O promotor senta-se contrariado) Protesto
indeferido, a doutora pode continuar. |
| Dr. JOSÉ |
Foi ainda na faculdade, quando li a autobiografia
do professor Jung. Ele mostrava-se perturbado por causa de acontecimentos
paranormais em sua vida. Ele tinha conhecimento da parapsicologia
ou da metafísica, como se chamava naquele tempo. Ele sabia
que ele próprio era elemento gerador daqueles fenômenos
denominados de POLTERGEIST. Acontecimentos inexplicáveis
e sem objetivos aparentes.Mas o que mais o impressionou foi quando
ele começou a ouvir vozes internas. Na psicopatologia isso
é geralmente reconhecido como indício de uma dissociação
da personalidade. Ele chegou a pensar que estava completamente perturbado,
mas quando percebeu que havia na sua psiquê coisas que não
eram produzidas por ele, mas que se produziam por si mesma, que
tinham vida própria. Ele passou a conversar com essas vozes
que se apresentaram como “Filemon” e “Ka”,
para Jung “Filemon” era um espírito do ar e “Ka”,
um espírito da terra, da natureza. A partir dali, minhas
pesquisas foram se aprofundando e fiquei impressionado com relatos
parapsicológicos que remontavam a muitos séculos atrás. |
| ADVOGADA |
Resumindo. Quando o Senhor percebeu que esses
fenômenos eram objetos de pesquisa, de estudos de pessoas
sérias, inteligentes e sadias. O senhor mergulhou mais profundamente
no universo da parapsicologia. Não é verdade? |
| Dr. JOSÉ |
É verdade. Para um cientista é
fundamental não acreditar apenas no que lhe dizem, mas buscar
sempre que possível sua experiência pessoal, por isso
não me ative somente aos relatos de Jung, Freud, Reiche,
Kardec ou Groef. Fui mais fundo e resolvi com ajuda de outros médicos
e estudiosos, da América, da Europa e também da Rússia,
pesquisar esses fenômenos no Brasil |