5. Obsessão de Crianças
É sabido que toda criança reencarnada
possui um anjo tutelar, que fica muito próximo até que
seu corpo astral se adapte à nova encarnação. Isso
acontece até os 7 anos de idade.
Isso não quer dizer que nada de ruim
acontece até os 7 anos, simplesmente existe um espírito
amigo muito próximo, que inspira pais e parentes para auxiliar
no desenvolvimento sadio da criança.
A justiça divina porém é
implacável e, nos casos de maior comprometimento, a criança
pode passar por sofrimentos físicos e/ou espirituais em sua infância.
O protetor espiritual da criança só pode isentá-la
até o limite que seu merecimento possui (falaremos mais sobre
esse merecimento logo abaixo).
A criança pode receber emissões
negativas de energia de duas formas:
1. Os pais podem viver em um ambiente que
não segue as leis de amor e bondade, ou, em grande desavença
conjugal, emitindo assim energias negativas. Pode-se também
ter um terceiro elemento, externo, que deseja mal ou inveja a família
e emite energias nocivas para seu ambiente doméstico. Os pais
podem estar harmonizados e em paz, por isso repelem as emissões,
contudo, a criança, que se encontra mais frágil no contato
espiritual pode se ressentir. Por isso é importante realizar
o Evangelho no Lar, para que TODO O LAR esteja protegido e não
somente as pessoas.
2. A criança tem ligações
karmicas, ou seja, existe um compromisso desse espírito reencarnante
com outros espíritos que ainda não conseguiram se libertar
do mundo físico.
Pode ocorrer dos espíritos "encontrarem" o seu antigo
adversário, e se inicia a obsessão, logo na infância.
Alguns espíritos por merecimento são
protegidos durante a infância, não permitindo o anjo tutelar
que seus obsessores o pertubem. Como entender isso, o que é o
merecimento espiritual de uma criança? Ela possui ligações
karmicas?
Interessante esse assunto e fui entender um
pouco mais em um livro de André Luiz. Funciona da seguinte maneira,
conforme a atuação do espírito após a sua
última encarnação, enquanto ele se encontrava na
erraticidade (plano astral), mais benefícios e "pequenas"
facilidades ele encontra para sua nova prova, uma dessas facilidades
é encontrar com seus verdugos em idade mais madura, com a formação
moral, intelectual e emocional mais desenvolvida. Os méritos
adquiridos pelo trabalho em favor do próximo enquanto estava
desencarnado permitem ao espírito maior preparo para enfrentar
as provas e resgatar os débitos.
Existem casos de tamanho ódio entre
espíritos obsessores e reencarnates, que a espiritualidade "esconde"
os espíritos, sob um corpo atrofiado mental e físico para
que os adversários não o encontrem.
Retiramos um trecho interessante do livro
Sexo e Obsessão, de Divaldo Franco pelo espírito Manoel
Miranda.
"Continuamos naquele recinto e, como
era a primeira vez que tinha oportunidade de encontrar-me em um Escola
para crianças, pude observar que todas eram acompanhadas por
Espíritos, algumas felizes, e não poucas por Entidades
cruéis que, desde cedo, intentavam perturbá-las, vinculando-se-lhes
psiquicamente. Diversas podiam situar-se no diagnóstico de obsidiadas,
tão estreito era já o conúbio mental entre os desencarnados
e elas...
Sabemos que a criança é
sempre um Espírito velho, que conduz muitas experiências
evolutivas, embora a forma em que se apresenta. Não obstante,
nesse período de infância sempre recebe maior apoio, a
fim de que não haja prejuízos e impedimentos ao processo
reencarcionista que está empreendendo. Como se explicam, então,
esses processos obsessivos que ora defrontamos?
... muitos processos de obsessão
têm o seu início fora do corpo físico, quando os
calcetas e rebeldes, os criminosos e viciados reencontram suas vítimas
no Além-Túmulo, que se lhes imantam, nos tentames infelizes
e de resultados graves me diversas formas de obsessões. A obsessão
na infância muitas vezes é continuidade da ocorrência
procedente da Erraticidade. Sem impedir o processo da reencarnação,
essa influência perniciosa acompanha o período infantil
de desenvolvimento, gerando graves dificuldades no relacionamento entre
filhos e pais, alunos e professores, e na vida social saudável
entre coleguinhas. Irritação, agressividade, indiferença
emocional, perversidade, obtusão de raciocínio, enfermidades
físicas e distúrbios psicológicos fazem parte das
síndromes perturbadoras da infância, que têm suas
nascentes na interferência de Espíritos perversos uns,
traiçoeiros outros, vingativos todos eles...
Os fármacos ou neurolépticos
conseguem, muitas vezes, auxiliar os neurônios na execução
das sinapses, bloqueando as interferências espirituais, porém
por pouco tempo.
E não terá ela – voltei interrogar – a proteção
do seu anjo da guarda, que contribua para impossibiltar a obsessão
?
É certo que sim – respondeu,
gentil. – Sucede, porém, que os débitos contraídos
são muito graves, e a misericórdia divina já vem
amparando-a, sendo a reencarnação o melhor instrumento
para a sua reparação.... Ninguém caminha a sós
e, por isso mesmo, na conjuntura aflitiva em que a menina se debate,
o seu Espírito protetor muitas vezes impede que seja arrastada
pelo seu algoz para as regiões mais infelizes em que se situa,
nos períodos do parcial desdobramento pelo sono físico,
dificultando-lhe o domínio quase total que teria sobre as suas
faculdades mentais e os seus sentimentos de afetividade e de comportamento.”
6. Obsessão Sexual
A obsessão pelo sexo não é
muito diferente das outras formas que estudamos, contudo, devido ao
imenso sofrimento que o sexo desvirtuado impõe aos espíritos
encarnados e desencarnados, decidimos criar um tópico para aprofundar
esse tema.
A obsessão sexual geralmente se inicia
através do desvio de comportamento sexual da vítima, que
com isso abre brechas para que os obsessores se aproximem e comecem
a "preparar o terreno" para vampirização e exploração.
Vamos definir superficialmente "desvio
de comportamento sexual": Não engloba somente aquele que
pratica atos desequilibrados, PENSAMENTOS extremamente sensuais são
alimento para atrair a atenção dos obsessores, que tudo
farão para estimular os seus desejos não tão secretos
(lembre que os espíritos tem acesso aos nossos pensamentos).
Um ponto importante na obsessão sexual
é que nem sempre existem vínculos criados em vidas anteriores,
às vezes o obsessor conhece a sua vítima em algum local
por ele freqüentado, havendo sintonia entre os dois começa
o assédio do obsessor, que encontra livre acesso nas mentes desguarnecidas
de pensamentos elevados.
Por isso é muito importante tomar cuidado
com o lugar que se freqüenta e caso não seja possível
evitar a visita é bastante prudente entrar em prece. Todos os
lugares onde a energia sensual é dominante existem obsessores
sexuais SEDENTOS por absorverem as sensações dos encarnados.
Podemos citar os motéis, boates onde
se pratica o streaptease ou relações sexuais ao vivo,
prostíbulos e também boates (o tipo de obsessor que vamos
encontrar nas boates depende do tipo de vibração emitida
por seus freqüentadores).
André Luiz no livro Sexo e Destino
tem um ótimo exemplo do vampirismo sexual:
"Saiba você que na quinta noite
de minha permanência aqui, notando Beatriz em aguda crise de sofrimento,
diligenciei buscar meu genro para assisti-la em pessoa... E sabe onde
o encontrei?
Nada de escritório, segundo a falsa
informação que deixara em casa. Indignado, fui surpreendê-lo
numa furna penumbrosa, em plena madrugada, junto da menina que você
acaba de conhecer. Os dois unidos, qual marido e mulher. Champanha correndo
e música lasciva. Entidades perturbadoras e perturbadas, jungidas
ao corpo dos bailarinos, enquanto outras iam e vinham, a se inclinarem
sobre taças, cujo conteúdo lábios entediados não
haviam conseguido sorver totalmente.
Em recanto multicolorido, onde algumas
jovens exibiam formas semi-nuas em coleios esquisitos, vampiros articulavam
trejeitos, completando, em sentido menos digno, os quadros que o mau-gosto
humano pretendia apresentar, em nome da arte.Tudo rasteiro, impróprio,
inconveniente..."
A leitura constante de revistas pornográficas
e vídeos pornôs também estimula os pensamentos desvirtuados
do sexo, atraindo os obsessores que se afinizam com essas vibrações.
Vemos que o principal alimento da obsessão sexual é o
padrão vibratório e o tipo de pensamento e ações
realizadas pelo encarnado.
O obsessor funciona com estopim, estimulando
cada vez mais a degradação moral do encarnado e fazendo
o possível para que ele nunca esteja satisfeito.
Carlos Torres Pastorino fala um pouco mais
sobre a obsessão sexual no livro Técnicas da Mediunidade:
"Atingido através do chakra
fundamental, que corresponde ao períneo do corpo astral, isto
é, que fica localizado entre o ânus e os órgãos
genitais.
Ligam-se aí os obsessores de vibração
sexual e aqueles que além de absorverem a vitalidade
pelo chakra esplênico, sugando o prâna do baço, conseguem
dobrar essa ligação com o fundamental, para extraírem
energia vital das gônadas.
As vítimas desses obsessores tornam-se
altamente sexuais e sensuais, insaciáveis nesse
campo, e sem qualquer freio que as retenha diante da satisfação
entrevista para seus desejos
exacerbados ...
De modo geral as formas astrais desses
espíritos é animalesca: larvas, lagartas,
aranhas, serpentes e até, quando em reuniões grupais,
polvos. O movimento constante
dessas formas causa comichão nas partes sexuais, no ânus
ou na vagina, onde penetram
para satisfazer-se. E essa movimentação leva a vítima
a paroxismos de excitação nervosa,
que vai causar-lhe, com o tempo, profundo, mórbido e por vezes
irreparável esgotamento
físico e nervoso, por uma irritabilidade constante e crônica
...
E é oportuno observar que muitos
casos de homossexualismo (em ambos os sexos) se
deve a esse tipo de obsessão que, pela atuação
continuada, desvia a sensibilidade dos canais
normais para outros setores, forçando a vítima a buscar
satisfação por meios contrários à natureza.."
Muitas vítimas da obsessão sexual
são atraídas durante o sono físico para colônias
no plano astral inferior, onde os verdugos estimulam a alienação
do obsediado, ampliando cada vez mais o seu controle sobre a vítima.
No livro Sexo e Obsessão, de Divaldo
Franco, pelo espírito Manoel Miranda encontramos a seguinte referência
a essa prática:
"- Os seus adversários espirituais
encharcam-no de idéias pervertidas e desejos lúbricos
insaciáveis, devairando-o. Fixando-se-lhe nos painéis
mentais, telecomandam-no a distância, e quando se desprende pelo
sono físico é atraído ou arrebatado para os sítios
de vergonha e depravação, nos quais mais se acentuam os
desbordamentos da paixão insana... "
Na colônia do astral inferior ele relata
os seguintes acontecimentos:
"Num dos quadros dantescos, pudemos
defrontar diversos Espíritos reecarnados, que seguiam jugulados
aos seus algozes, prsos a coleiras com se fossem felinos esfaimados,
babando ante o espetáculo que lhes aguçava os instintos
grosseiros. ...
Figuras estranhas, com aspecto semelhante
aos antigos seres mitológicos do panteão greco-romano,
confundiam-se com muitos outros indivíduos extravagantes em complexas
simbioses de vampirismo, carregando-se uns aos outros, acompanhando
freneticamente um desfile de carros alegóricos...".
7. Obsessão
de Médiuns e Trabalhadores da Luz
A obsessão de médiuns é
um assunto interessante, já que muitos descobriram que eram médiuns
através da obsessão. Com a interferência dos espíritos
de baixo padrão eles compreenderam a importância de equilibrar
suas vidas.
É importante falar um pouco sobre mediunidade
para que este tópico não incorra em dúvidas ou
interpretação errônea.
Todos somos médiuns, a prova disso
é que todos podemos ser vítimas de obsessão, ou
seja, qualquer um pode receber influências mentais ou emocionais
de outro espírito. Os médiuns que trataremos mais amplamente
aqui são aqueles que possuem a faculdade mediúnica "mais
aflorada" que o normal, isto é, a espiritualidade "abre
um pouco mais" as suas portas de contato com o o "outro lado"
para que ele de alguma forma ajude na melhora dos seus irmãos
(encarnados e desencarnados).
Ao contrário do que muitos pensam o
médium é, na maioria das vezes, um espírito que
ainda possui várias arestas que devem ser lapidadas, por isso
ele pode falhar como qualquer outro.
A mediunidade é uma "oportunidade"
para que o irmão resgate seus erros e compromissos anteriores
de forma mais rápida. Pelo seu contato com a espiritualidade,
sua preparação antes de encarnar e o estudo que GERALMENTE
ele é estimulado a fazer, ele se torna mais "saudável"
para as lutas, mas de forma alguma consegue extinguir as "tendências
inferiores" que ainda vibram latentes, somente o trabalho incessante
e a dedicação ao próximo poderão levá-lo
ao fortalecimento necessário.
Porque escrevi isso tudo? Simples, porque
os espíritos inferiores sabem disso, eles sabem das tendências
inferiores da grande maioria dos médiuns, porque eles o estudam
para saber seus pontos fracos.
Eles também sabem que sua mediunidade
aflorada, quando aprimorada através de um desenvolvimento sério
será útil aos espíritos superiores, que a utilizarão
para esclarecer os necessitados e retirar muitos das sombras, o que
atrapalha os planos das trevas.
Outro ponto importante é que a obsessão
de médiuns IMPREVIDENTES que não oferecem resistência
ao contato com o astral inferior, sofrendo facilmente a fascinação
e posterior subjugação.
Muitos médiuns pensam que porque conseguiram
vencer os obsessores no seu primeiro encontro e decidem entrar para
um centro estão imunes às suas investidas, LEDO ENGANO!!!
O que temos são tréguas, mas com certeza eles tentarão
de formas diferentes tirá-lo do caminho de Jesus, quanto maior
o alcance e mais importante o trabalho mediúnico, mais forte
o assédio.
Por isso quanto maior o destaque do médium
mais ele deve exercer os conselhos do Mestre, "Orar e Vigiar",
ser humilde, menos orgulhoso e buscar sempre burilar as suas imperfeições.
A obsessão ao médium também
pode se dar pelos outros motivos citados: vingança, vampirismo,
etc.. , e como todos os outros deve reformular sua conduta para que
se cure.
Trabalhar como médium não é
a resposta para obsessão, ele primeiro deve se curar, entender
as responsabilidades e compromissos da tarefa mediúnica e aceitar
os ensinamentos de Jesus para que depois COMECE a PREPARAÇÃO
para o trabalho.
Muitos se perguntam porque os mentores permitem
que o médium seja obsediado, já que ele é responsável
por zelar pelo seu pupilo. Cabe aqui explicar que o médium quando
mergulha nos prazeres e sensações físicas, perde
o contato com o seu mentor, que debalde tenta chamá-lo para realidade
espiritual. Quantos conselhos são ignorados e quantos chamados
são respondidos com sarcasmo? Os mentores nada podem fazer quando
o médium que está a seus cuidados afunda na lama do mundo
físico, pois por própria escolha ele entra em contato
com os espíritos trevosos e se afasta da proteção
e auxílio do mentor.
O mentor então espera até que
o médium se canse, provando real desejo de renovação.
Nesse momento o mentor faz de tudo para encaminhá-lo
a irmãos que educam e exemplificam nas leis do amor e da caridade.
Mas não pense que o caminho do médium
é uma estrada florida só porque ele deciciu se aprimorar.
Para se livrar dos algozes ele terá que mostrar muita força
de vontade, contudo, o mesmo mal que o fez afundar será útil
para construir a sua fortaleza interior, que um dia será utilizada
para imunizá-lo contra as investidas das trevas.
Muitos médiuns que aparecem com sua
mediunidade aflorada esquecem a necessidade do preparo intelectual,
emocional e até físico. Muitos querem trabalhar, esquecendo
dos impedimentos e dificuldades que aparecerão.
Uma boa parte desses médiuns acabam
sendo influenciados por legiões de obsessores, que então
os usam para práticas do mal e se tornam mercenários dos
bens espirituais. É um quadro triste e doloroso, pois o médium
será explorado durante a sua vida e após o seu desencarne,
já que os espíritos que o atendiam se acham no direito
de cobrar os "favores" realizados.
No livro Nos Domínios da Mediunidade,
de Chico Xavier temos um bom exemplo de Mediunidade Transviada:
"Descera a noite totalmente, quando
penetramos estreita sala, em que um círculo de pessoas se mantinha
em oração.
Várias entidades se imiscuíam
ali, em meio dos companheiros encarnados, mas em lamentáveis
condições, de vez que pareciam inferiores aos homens e
mulheres que se faziam componentes da reunião.
Apenas o irmão Cássio, um
guardião simpático e amigo, de quem o Assistente nos aproximou,
demonstrava superioridade moral.
Notava-se-lhe, de imediato, a solidão
espiritual, porqüanto desencarnados e encarnados da assembléia
não lhe percebiam a presença e, decerto, não lhe
acolhiam os pensamentos.
Ante as interpelações do
nosso orientador, informou, algo desencantado:
- Por enquanto, nenhum progresso, não
obstante os reiterados apelos à renovação. Temos
sitiado o nosso Quintino com os melhores recursos ao nosso alcance,
mobilizando livros, impressos e conversações de procedência
respeitável, no entanto, tudo em vão... O teimoso amigo
ainda não se precatou quanto às duras responsabilidades
que assume, sustentando um agrupamento desta natureza...
Aulus buscou reconfortá-lo com
um gesto silencioso de compreensão e convidou-nos a observar.
Revestia-se o recinto de fluidos desagradáveis
e densos.
Dois médiuns davam passividade
a companheiros do nosso plano, os quais, segundo minhas primeiras impressões,
jaziam convertidos em criados autênticos do grupo, assalariados
talvez para serviços menos edificantes. Entidades diversas, nas
mesmas condições, enxameavam em torno deles, subservientes
ou metediças.
O fenômeno da psicofonia era ali
geral.
Os sensitivos desdobrados se mantinham
no ambiente, alimentando-se das emanações que lhes eram
peculiares.
...
Aqueles homens e mulheres que se congregavam no recinto, com intenções
tão estranhas, teriam coragem de pedir a companheiros encarnados
os serviços que reclamavam dos Espíritos? Não estariam
ultrajando a oração e a mediunidade para fugir aos problemas
que lhes diziam respeito?
Não dispunham, acaso, de veneráveis
conhecimentos para mobilizar o cérebro, a língua, os olhos,
os ouvidos, as mãos e os pés, no aprendizado enobrecedor?
Que faziam da fé? seria justo que um trabalhador relegasse a
outros a enxada que lhe cabia suportar e mover na gleba do mundo?
Aulus registrou-me as reflexões
amargas, porque, generoso, deu-se pressa em reconfortar-me:
- Um estudo atual de mediunidade, mesmo
rápido quanto o nosso, não seria completo se não
perquiríssemos a região do psiquismo transviado, onde
Espiritos preguiçosos, encarnados e desencarnados, respiram em
regime de vampirização recíproca. Aliás,
constituem produto natural da ignorância viciosa em todos os templos
da Humanidade. Abusam da oração tanto quanto menoscabam
as possibilidades e oportunidades de trabalho digno, porqüanto
espreitam facilidades e vantagens efêmeras para se acomodarem
com a indolência, em que se lhes cristalizam os caprichos infantis.
- Mas, prosseguirão assim, indefinidamente?
perguntei.
- André, sua dúvida está
fora de propósito. Você possui bastante experiência
para saber que a dor é o grande ministro da Justiça Divina.
Vivemos a nossa grande batalha de evolução. Quem foge
ao trabalho sacrificial da frente, encontra a dor pela retaguarda. O
Espírito pode confiar-se à inação, mobilizando
delituosamente a vontade, contudo, lá vem um dia a tormenta,
compelindo-o a agitar-se e a mover-se para entender os impositivos do
progresso com mais segurança. Não adianta fugir da eternidade,
porque o tempo, benfeitor do trabalho, é também o verdugo
da inércia.
Hilário, que refletia, silencioso,
junto de nós, inquiriu preocupado:
- Por que se entregam nossos irmãos
encarnados a semelhantes práticas de menor esforço? Há
tantas lições de aprimoramento espiritual, há tantos
apelos à dignificação da mediunidade, nas linhas
doutrinárias do Espiritismo!... Por que o desequilíbrio?
Aulus pensou alguns instantes e redargüiu:
- Hilário, é imprescindível
recordar que não nos achamos diante da Doutrina do Espiritismo.
Presenciamos fenômenos mediúnicos, manobrados por mentes
ociosas, afeiçoadas à exploração inferior
por onde passam, dignas, por isso mesmo, de nossa piedade. E não
ignoramos que fenômenos mediúnicos são peculiares
a todos os santuários e a todas as criaturas. Quanto à
preferência de nossos amigos pela convivência com os desencarnados
ainda imensamente presos ao campo sensorial da vida física, incapazes
ainda de mais ampla visão das realidades do Espírito,
isso é compreensível na Terra. É sempre mais fácil
ao homem comum trabalhar com subalternos ou iguais, porque, servir ao
lado de superiores exige boa-vontade, disciplina, correção
de proceder e firme desejo de melhorar-se. Sabemos que a morte não
é milagre. Cada qual desperta, depois do túmulo, na posição
espiritual que procurou para si... Ora, o homem vulgar sente-se mais
à solta junto das entidades que lhe lisonjeiam as paixões,
estimulando-lhe os apetites, de vez que todos somos constrangidos a
educar-nos, na vizinhança de companheiros evolutidos, que já
aprenderam deram a sublimar os próprios impulsos, consagrando-se
à lavoura incessante do bem.
- Mas não será isso um abuso
do homem encarnado? não será crime parasitar os desencarnados
de condição inferior? — indagou Hilário.
- Isso não padece dúvida — confirmou o instrutor.
- E esse delito ficará impune?
Aulus fixou leve expressão de bom humor e respondeu:
- Não se preocupem demasiado. Quando o erro procede da ignorância
bem-intencionada, a Lei prevê recursos indispensáveis ao
esclarecimento justo no espaço e no tempo, porqüanto a genuína
caridade, sob qualquer título, é sempre venerável.
Entretanto, se o abuso é deliberado, não faltará
corrigenda.
Vagueou o olhar sobre o diretor da assembléia e sobre os medianeiros
que incorporavam os comunicantes e acrescentou:
- Teotônio e Raimundo, tanto quanto alguns outros desencarnados
da posição deles, e que aqui se aglomeram, realmente são
mais vampirizados que vampirizadores. Fascinados pelas requisições
de Quintino e dos médiuns que lhe prestigiam a obra infeliz,
seguem-lhes os passos, como aprendizes no encalço dos mentores
aos quais se devotam. Na hipótese de não se reajustarem
no bem, tão logo se desencarnem o dirigente deste grupo e os
instrumentos medianímicos que lhe copiam as atitudes, serão
eles surpreendidos pelas entidades que escravizaram, a lhes reclamarem
orientação e socorro, e, mui provavelmente, mais tarde,
no grande porvir, quando responsáveis e vitimas estiverem reunidos
no instituto da consangüinidade terrestre, na condição
de pais e filhos, acertando contas e recompondo atitudes, alcançarão
pleno equilíbrio nos débitos em que se emaranharam.
Ante a nossa admiração silenciosa, o Assistente concluiu:
- Cada serviço nobre recebe o salário que lhe diz respeito
e cada aventura menos digna tem o preço que lhe corresponde."
Como contribuição de minha querida
amiga Narcí copio o texto enviado por ela para complementar esse
tópico:
"Embora muitos problemas obsessivos
se devam a invigilância das vítimas, existem muitos casos
de interferência espiritual negativa independente da invigilância.
Muitos ataques são desferidos em direção a todos
os que estão a serviço do Cristo, embora nesses casos,
não haja uma situação permanente obsessiva. Sempre
ocorre o auxílio dos mentores com o desligamento destas entidades
usadas por magos negros com a finalidade de desestabilizar os trabalhadores
da Luz".
8. Obsessão de Desencarnados
Os espíritos que não souberam
honrar as virtudes e o amor, prejudicando a si e ao próximo estão
sujeitos a obsessão após a morte. As informações
que estaremos passando neste tópico só se aplicam aos
moribundos que não possuem o merecimento para intercessão
dos entes queridos, sendo então deixados a sua sorte, para que
no sofrimento e na dor a crosta de vaidade e orgulho seja amolecida.
A obsessão de desencarnados é
geralmente realizada pelas legiões de obsessores, que basicamente
tem os seguintes objetivos:
- Absorver a vitalidade ainda existente
nos seus corpos.
- Vinganças, torturas e maldades.
- Para os que praticaram o mal eles
podem achar que estão fazendo justiça com as próprias
mãos, julgando os que praticaram maldade enquanto encarnados.
- Hipnotizam e manipulam alguns,
colocando-os junto a encarnados para desequilibrá-los e facilitar
a execução de seus planos maldosos
Abaixo exemplificaremos cada um dos casos com
trechos retirados dos livros de André Luiz, escritos por Chico
Xavier.
8.1 Absorção
de Vitalidade do recém-desencarnado
Missionários da Luz - Capítulo 11 – Intercessão
"Podemos seguir adiante. O pobre irmão,
semi-inconsciente, permanece imantado a um grupo perigoso de vampiros,
em lugarejo próximo ...
Semelhantes infelizes - elucidou Alexandre
- abusam de recém-desencarnados sem qualquer defesa, como este
pobre Raul, nos primeiros dias que se sucedem à morte física,
subtraindo-lhes as forças vitais, depois de lhes explorarem o
corpo grosseiro ...
O pobrezinho permanece temporariamente
desmemoriado. O estado dele, depois de tão prolongada sucção
de energias vitais, é de lamentável inconsciência.
Em face da minha estranheza, Alexandre
acrescentou:
- Que deseja você? Esperaria por aqui o processo de menor esforço?
O magnetismo do mal está igualmente cheio de poder, mormente
para aqueles que caem voluntariamente sob os seus tentáculos."
Obreiros da Vida Eterna – Capitulo 15 – Aprendendo
Sempre
"Nossa função, acompanhando
os despojos — esclareceu ele, afávelmente —, não
se verifica apenas no sentido de exercitar o desencarnado para os movimentos
iniciais da libertação. Destina-se também à
sua defesa. Nos cemitérios costuma congregar-se compacta fileira
de malfeitores, atacando vísceras cadavéricas, para subtrair-lhes
resíduos vitais."
8.2 Julgamento
de Desencarnados
Libertação – Capitulo 5 – Operações
Seletivas
"Os julgadores, por sua vez, desceram,
pomposos, dos tronos içados e tomaram assento numa espécie
de nicho a salientar-se de cima, inspirando silêncio e temor,
porque a turba inconsciente, em redor, calou-se de súbito.
Tambores variados rufaram, como se estivéssemos
numa parada militar em grande estilo, e uma composição
musical semi-selvagem acompanhou-lhes o ritmo, torturando-nos a sensibilidade.
Terminado aquele ruído, um dos
julgadores se levantou e dirigiu-se à massa, aproximadamente
nestes termos:
- Nem lágrimas, nem lamentos.
Nem sentença condenatória, nem absolvição
gratuita.
Esta casa não pune, nem recompensa.
A morte é caminho para a justiça.
Escusado qualquer recurso à compaixão, entre criminosos.
Não somos distribuidores de sofrimento,
e, sim, mordomos do Governo do Mundo.
Nossa função é a
de selecionar delinqüentes, a fim de que as penas lavradas pela
vontade de cada um sejam devidamente aplicadas em lugar e tempo justos.
Quem abriu a boca para vilipendiar e ferir,
prepare-se a receber, de retorno, as forças tremendas que desencadeou
através da palavra envenenada.
Quem abrigou a calúnia, suportará
os gênios infelizes aos quais confiou os ouvidos.
Quem desviou a visão para o ódio e para a desordem, descubra
novas energias para contemplar os resultados do desequilíbrio
a que se consagrou, espontaneamente.
Quem utilizou as mãos em sementeiras
de malícia, discórdia, inveja, ciúme e perturbação
deliberada, organize resistência para a colheita de espinhos.
Quem centralizou os sentidos no abuso
de faculdades sagradas espere, doravante, necessidades enlouquecedoras,
porque as paixões envilecentes, mantidas pela alma no corpo físico,
explodem aqui, dolorosas e arrasadoras. A represa por longo tempo guarda
micróbios e monstros, segregados a distância do curso tranquilo
das águas; todavia, chega um momento em que a tempestade ou a
decadência surpreendem a obra vigorosa de alvenaria e as formas
repelentes, libertadas, se espalhem e crescem em toda a extensão
da corrente.
Seguidores do vício e do crime,
tremei!
Condenados por vós mesmos, conservais a mente prisioneira das
mais baixas forças da vida, à maneira do batráquio
encarcerado no visco do pântano, ao qual se habituou no transcurso
dos séculos!. .
Nesse ponto, o orador fêz pausa
e reparei os circunstantes.
Olhos esgazeados pelo pavor jaziam abertos em todas as máscaras
fisionômicas.
O juiz, por sua vez, não parecia respeitar o menor resquício
de misericórdia. Mostrava-se interessado em criar ambiente negativo
a qualquer espécie de soerguimento moral, estabelecendo nos ouvintes
angustioso temor.
Prolongando-se o intervalo, enderecei com o olhar silenciosa interrogação
ao nosso orientador, que me falou quase em segredo:
- O julgador conhece à saciedade
as leis magnéticas, nas esferas inferiores, e procura hipnotizar
as vítimas em sentido destrutivo, não obstante usar, como
vemos, a verdade contundente.
- Não vale acusar a edilidade desta
colônia - prosseguiu a voz trovejante -, porque ninguém
escapará aos resultados das próprias obras, quanto o fruto
não foge às propriedades da árvore que o produziu.
Amaldiçoados sejam pelo Governo
do Mundo quem nos desrespeite as deliberações, baseadas,
aliás, nos arquivos mentais de cada um.
Assinalando, intuitivamente, a queixa
mental dos ouvintes, bradou, terrificante:
- Quem nos acusa de crueldade? Não
será benfeitor do espírito coletivo o homem que se consagra
à vigilância de uma penitenciária? e quem sois vós,
senão rebotalho humano? Não viestes, até aqui,
conduzidos pelos próprios ídolos que adorastes?
Nesse momento, convulsivo choro invadiu
a muitos.
Gritos atormentados, rogativas de compaixão
se fizeram ouvir. Muitos se prosternaram de joelhos.
Imensa dor generalizara-se.
Gúbio trazia a destra sobre o peito,
como se contivesse o coração, mas, vendo por minha vez
aquele grande grupo de espíritos rebelados e humilhados, orgulhosos
e vencidos, lastimando amargamente as oportunidades perdidas, recordei
meus velhos caminhos de ilusão e - porque não dizer? -
ajoelhei-me também, compungido, implorando piedade em silêncio.
Exasperado, o julgador bradou, colérico:
- Perdão? Quando desculpastes sinceramente os companheiros da
estrada? onde está o juiz reto que possa exercer, impune, a misericórdia?
E incidindo toda a força magnética que lhe era peculiar,
através das mãos, sobre uma pobre mulher que o fixava,
estarrecida, ordenou-lhe com voz soturna:
- Venha! venha!
Com expressão de sonâmbula,
a infeliz obedeceu à ordem, destacando-se da multidão
e colocando-se, em baixo, sob os raios positivos da atenção
dele.
- Confesse! confesse! — determinou
o desapiedado julgador, conhecendo a organização frágil
e passiva a que se dirigia.
A desventurada senhora bateu no peito, dando-nos a impressão
de que rezava o “confiteor” e gritou, lacrimosa:
- Perdoai-me! perdoai-me, ó Deus meu!
E como se estivesse sob a ação de droga misteriosa que
a obrigasse a desnudar o íntimo, diante de nós, falou,
em voz alta e pausada:
- Matei quatro filhinhos inocentes e tenros...
e combinei o assassínio de meu intolerável esposo... O
crime, porém, é um monstro vivo. Perseguiu-me, enquanto
me demorei no corpo...
Tentei fugir-lhe através de todos os recursos, em vão...
e por mais buscasse afogar o infortúnio em "bebidas de prazer",
mais me chafurdei no charco de mim mesma...
De repente, parecendo sofrer a interferência de lembranças
menos dignas, clamou:
- Quero vinho! vinho! prazer!...
Em vigorosa demonstração
de poder, afirmou, triunfante, o magistrado:
- Como libertar semelhante fera humana ao preço de rogativas
e lágrimas?
Em seguida, fixando sobre ela as irradiações que lhe emanavam
do temível olhar, asseverou, peremptório:
- A sentença foi lavrada por si
mesma! não passa de uma loba, de uma loba...
A medida que repetia a afirmação, qual se procurasse persuadi-la
a sentir-se na condição do irracional mencionado, notei
que a mulher, profundamente influenciável, modificava a expressão
fisionômica. Entortou-se-lhe a boca, a cerviz curvou-se, espontânea,
para a frente, os olhos alteraram-se, dentro das órbitas. Simiesca
expressão revestiu-lhe o rosto.
Via-se, patente, naquela exibição
de poder, o efeito do hipnotismo sobre o corpo perispirítico.
Em voz baixa, procurei recolher o ensinamento de Gúbio, que me
esclareceu num cicio:
- O remorso é uma bênção,
sem dúvida, por levar-nos à corrigenda, mas também
é uma brecha, através da qual o credor se insinua, cobrando
pagamento. A dureza coagula-nos a sensibilidade durante certo tempo;
todavia, sempre chega um minuto em que o remorso nos descerra a vida
mental aos choques de retorno das nossas próprias emissões.
E acentuando, de modo singular, a voz
quase imperceptível, acrescentou:
- Temos aqui a gênese dos fenômenos de licantropia, inextricáveis,
ainda, para a investigação dos médicos encarnados.
Lembras-te de Nabucodonosor, o rei poderoso, a que se refere a Bíblia?
Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu, sentindo-se animal, durante
sete anos. O hipnotismo étão velho quanto o mundo e é
recurso empregado pelos bons e pelos maus, tomando-se por base, acima
de tudo, os elementos plásticos do perispírito.
Notando, porém, que a mulher infeliz prosseguia guardando estranhos
caracteres no semblante perguntei:
- Esta irmã infortunada permanecerá
doravante em tal aviltamento da forma?
Finda longa pausa, o Instrutor informou, com tristeza:
- Ela não passaria por esta humilhação se não
a merecesse. Além disso, se se adaptou às energias positivas
do juiz cruel, em cujas mãos veio a cair, pode também
esforçar-se intimamente, renovar a vida mental para o bem supremo
e afeiçoar-se à influenciação de benfeitores
que nunca escasseiam na senda redentora. Tudo, André, em casos
como este, se resume a problema de sintonia. Onde colocamos o pensamento,
aí se nos desenvolverá a própria vida."
8.3 Hipnose
Nos Domínios da Mediunidade
"Abeiramo-nos de triste companheiro,
de macilenta expressão fisionômica, e Hilário, num
impulso todo humano, perguntou-lhe:
- Amigo, como te chamas?
- Eu? - tartamudeou o interpelado.
E, num esforço tremendo e inútil para recordar-se de alguma
coisa, ajuntou:
- Eu não tenho nome...
- Impossível!... — considerou meu colega, dominado de espanto
- todos temos um nome.
- Esqueci-me, esqueci-me de tudo... - comentou o infeliz, desoladoramente.
- É um caso de amnésia a estudar - aclarou o companheiro
da equipe de trabalho que visitávamos.
- Fenômeno natural? - interrogou Hilário, perplexo.
- Sim, pode ser natural, em razão de algum desequilíbrio
trazido da Terra, mas é possível que o nosso amigo esteja
sendo vítima de vigorosa sugestão pós-hipnótica,
partida de algum perseguidor de grande poder sobre os seus recursos
mnemônicos. Encontra-se ainda profundamente imantado às
sensações físicas e a vida cerebral nele ainda
é uma cópia das linhas sensoriais que deixou. Assim considerando,
é provável esteja submetido ao império de vontades
estranhas e menos dignas, às quais se teria associado no mundo.
- Céus! - clamou meu colega impressionado — é possível
semelhante dominação depois da morte?
- Como não? a morte é continuação da vida,
e na vida, que é eterna, possuimos o que buscamos.
Atento aos nossos estudos da mediunidade, observei:
- Se o nosso amigo desmemoriado for conduzido ao aparelho mediúnico,
manifestar-se-á, acaso, assim, ignorando a identidade que lhe
é própria?
- Perfeitamente. E precisará de tratamento carinhoso como qualquer
alienado mental comum. Exprimindo-se por algum médium que lhe
dê guarida, será para qualquer doutrinador terrestre o
mesmo enigma que estamos presenciando."
8.4 Vinganças
Sexo e Obsessão – Divaldo Pereira Franco
"... Abençoada pela desencarnação,
foi recolhida por execrando comparsas que a aprisionaram, desvitalizando-a
através de vampirização contínua e de escabrosidades
inimagináveis."
9. Obsessão de Suicidas
Os suicidas podem ser obsediados ou utilizados
como fonte de desequilíbrio para a vítima encarnada. As
emanações de suicidas são extremamente desagradáveis
e podem pertubar bastante um encarnado se ficarem próximos a
eles.
É difícil imaginar (porém
não impossível) um suicida conseguir sozinho obsediar
alguém, seu campo mental e emocional ficam totalmente desequilibrados.
Ele vive o ato do seu crime constantemente, como que hipnotizado.
As energias do suicida são tão
desequilibradas que a espiritualidade recolhe esses irmãos para
um local apropriado, evitando que os encarnados entrem em contato com
essas energias extremamente nocivas. Os lugares para onde eles são
levados são conhecidos na literatura como Vale dos Suicidas,
que nada mais é que uma região no Astral Inferior destinada
ao expurgo.
Retiramos um trecho do livro Memórias
de um Suicida, de Yvonne Pereira:
"Nas peripécias que o suicida
entra a curtir depois do desbarato que prematuramente o levou ao túmulo,
o Vale Sinistro apenas representa um estágio temporário,
sendo ele para lá encaminhado por movimento de impulsão
natural, com o qual se afina, até que se desfaçam as pesadas
cadeias que o atrelam ao corpo físicoterreno, destruído
antes da ocasião prevista pela lei natural. ...
Nossa qualidade de suicidas, cuja aura
virulada por irradiações inferiores poderia levar a perturbação
e o desgosto às pobres criaturas encarnadas das quais nos aproximássemos,
ou delas receber influenciações prejudiciais ao delicado
tratamento a que éramos submetidos, inibia-nos permanecer em
quaisquer recintos habitados ou visitados por almas encarnadas."
Existem legiões de obsessores que se
aproveitam de suicidas que não tem o "pequeno merecimento"
(haja visto o sofrimento que passam) de serem amparados pelas legiões
de benfeitores, que encaminham-nos para os Vales.
Esses grupos vampirizam as energias vitais
do suicida, torturam-no e o utilizam para obsediar encarnados.
Os suicidas possuem seu corpo astral impregnado
da matéria fluídica, já que exterminaram-no prematuramente,
rompendo abruptamente os laços entre o corpo físico e
os corpos superiores.
Os obsessores muito se interessam por vampirizar
essas energias. Do livro Memórias de um Suicida retiramos o seguinte
trecho:
"Será preciso que se desagreguem
dele as poderosas camadas de fluidos vitais que lhe revestiam a organização
física, adaptadas por afinidades especiais da Grande Mãe
Natureza à organização astral, ou seja, ao perispírito,
as quais nele se aglomeram em reservas suficientes para o compromisso
da existência completa; que se arrefeçam, enfim, as mesmas
afinidades, labor que na individualidade de um suicida será acompanhado
das mais aflitivas dificuldades, de morosidade impressionante, para,
só então, obter possibilidade vibratória que lhe
faculte alívio e progresso".
Os obsessores também podem ligar o
suicida a uma pessoa que desejam obsediar, vampirizar ou destruir. As
emanações do suicida vão minando a resistência
psíquica do encarnado, além, de vivenciar as sensações
de um suicídio e compartilhar do desejo de se matar.
Fechamos esse tópico com a explicação
dada no livro Memórias de um Suicida sobre os obsessores dos
suicidas:
"Por exemplo: - Existem almas de suicidas
que não chegam a ingressar no Vale por vias naturais. Ingressar
ali já será estar o delinqüente mais ou menos amparado,
porque sob nossa assistência e vigilância, embora oculta,
registrado nos assentamentos da Colônia como candidato a futura
hospitalização. Há no entanto aqueles que são
aprisionados, ou seduzidos e desencaminhados, antes de atingirem o Vale,
por maltas de obsessores, que, às vezes, também foram
suicidas, ou mistificadores, entidades perversas e criminosas, cujo
prazer é a prática de vilezas, escória do mundo
invisível desnorteada pelas próprias maldades, que continuam
vivendo na Terra ao lado dos homens, contaminando a sociedade e os lares
terrenos que lhes não oferecem resistência através
da vigilância dos bons pensamentos e prudentes ações,
infelicitando criaturas incautas que lhes fornecem acesso com a própria
inferioridade moral e mental! Se escravizado por semelhante horda, o
suicida entra a experimentar torturas à frente das quais os acontecimentos
verificados no Vale - que são o resultado lógico do ato
de suicídio - pareceriam meros gracejos!
Porque não disponham de poderes espirituais
verdadeiros, esses infelizes, que vivem divorciados da luz do Bem e
do Amor ao próximo, aquartelam-se, geralmente, em locais pavorosos
e sinistros da própria Terra, - afinados com seus estados mentais,
tais como o seio das florestas tenebrosas, catacumbas abandonadas dos
cemitérios, cavernas solitárias de montanhas muitas vezes
desconhecidas dos homens e até antros sombrios de rochedos marinhos
e crateras de vulcões extintos.
Hipócritas e mentirosos, fazem crer
às suas vítimas serem tais regiões obras suas,
construídas pelo poder de suas capacidades, pois invejam as Colônias
regeneradoras dirigidas pelas entidades iluminadas, e, aprisionando-as,
torturam-nas por todas as formas, desde a aplicação dos
maus tratos "físicos" e da obscenidade, até
a criação da loucura para suas mentes já incendidas
pela profundidade dos sofrimentos que lhes eram pessoais; infligem-lhes
suplícios, finalmente, cuja concepção ultrapassa
a possibilidade de raciocínio das vossas mentes, e cuja visão
não suportaríeis por ainda serdes demasiadamente fracos
para vos isolardes das pesadas sugestões que sobre vós
cairiam, capazes de vos levarem a adoecer!”
10. Obsessão de Encarnado para
Desencarnado e de Encarnado para Encarnado
A obsessão não ocorre somente
do desencarnado para o encarnado, ela pode também partir do encarnado.
Muitos irmãos que ainda se encontram
no corpo físico podem se vincular de tal forma a espíritos
desencarnados que passam a exigir sua presença. O espírito
desencarnado pode então entrar em desequilíbrio e a atração
chega a um ponto onde não sabemos quem é a vítima
e quem é o verdugo...
No livro Nos Domínios da Mediunidade
temos um ótimo exemplo:
"Alcançáramos o leito
simples em que Libério, de olhar esgazeado, se mostrava distante
de qualquer interesse pela nossa presença.
Enxergava-nos, impassível.
Exibia o semblante dos loucos, quando transfigurados por ocultas flagelações.
Um dos guardas veio até nós e comunicou a Abelardo que
o doente trazido à internação denotava crescente
angústia.
Aulus auscultou-o, paternalmente, e, em seguida, informou:
- O pensamento da irmã encarnada
que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-o.
Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. E’ um caso de perseguição
recíproca. Os benefícios recolhidos no grupo estão
agora eclipsados pelas sugestões arremessadas de longe.
- Temos então aqui - aleguei -
um símile perfeito do que verificamos comumente na Terra, nos
setores da mediunidade torturada. Médiuns existem que, aliviados
dos vexames que recebem por parte de entidades inferiores, depressa
como que lhes reclamam a presença, religando-se a elas automaticamente,
embora o nosso mais sadio propósito de libertá-los.
- Sim - aprovou o orientador -, enquanto
não lhes modificamos as disposições espirituais,
favorecendo-lhes a criação de novos pensamentos, jazem
no regime da escravidão mútua, em que obsessores e obsidiados
se nutrem das emanações uns dos outros. Temem a separação,
pelos hábitos cristalizados em que se associam, segundo os princípios
da afinidade, e daí surgem os impedimentos para a dupla recuperação
que lhes desejamos.
O doente fizera-se mais angustiado, mais pálido.
Parecia registrar uma tempestade interior, pavorosa e incoercível.
- Tudo indica a vizinhança da irmã
que se lhe apoderou da mente. Nosso companheiro se revela mais dominado,
mais aflito...
Mal acabara o orientador de formular o seu prognóstico e a pobre
mulher, desligada do corpo físico pela atuação
do sono, apareceu à nossa frente, reclamando feroz:
- Libório! Libório! por que
te ausentaste? Não me abandones! Regressemos para nossa casa!
Atende, atende!...
- Que vemos? - exclamou Hilário, intrigado.
- Não será esta a criatura que o serviço desta
noite pretende isolar das más influências?
E porque o orientador respondesse de modo afirmativo, meu colega continuou:
- Deus de bondade! mas não está ela interessada no reajustamento
da própria saúde? não roga socorro à instituição
que freqUenta?
- Isso é o que ela julga querer
- explicou Aulus, cuidadoso -, entretanto, no íntimo, alimenta-se
com os fluidos enfermiços do companheiro desencarnado e apega-se
a ele, instintivamente. Milhares de pessoas são assim. Registram
doenças de variados matizes e com elas se adaptam para mais segura
acomodação com o menor esforço. Dizem-se prejudicadas
e inquietas, todavia, quando se lhes subtrai a moléstia de que
se fazem portadoras, sentem-se vazias e padecentes, provocando sintomas
e impressões com que evocam as enfermidades a se exprimirem,
de novo, em diferentes manifestações, auxiliando-as a
cultivar a posição de vítimas, na qual se comprazem.
Isso acontece na maioria dos fenômenos de obsessão. Encarnados
e desencarnados se prendem uns aos outros, sob vigorosa fascinação
mútua, até que o centro de vida mental se lhes altere.
É por esse motivo que, em muitas ocasiões, as dores maiores
são chamadas a funcionar sobre as dores menores, com o objetivo
de acordar as almas viciadas nesse gênero de trocas inferiores.
A esse tempo, a recém-chegada conseguira
abeirar-se mais intimamente de Libório, que passou a demonstrar
visível satisfação. Sorria ele agora à maneira
de uma criança contente.
Identificando, porém, a presença de Dona Celina, a infeliz
bradou, colérica:
- Quem é esta mulher? dize! dize!...
Nossa abnegada amiga avançou para ela com simplicidade e implorou:
- Minha irmã, acalme-se! Libório está fatigado,
enfermo! Ajudemo-lo a repousar!...
A interlocutora não lhe suportou
o olhar doce e benigno e, longe de reconhecer a prestimosa médium
do grupo a que se associara, enceguecida de ciúme, gritou para
o enfermo palavras amargas, que não seria licito reproduzir,
e abandonou o recinto, em desabalada carreira.
Libório mostrou evidente contrariedade. Áulus, contudo,
aplicou-lhe passes, restituindo-lhe a calma.
Em seguida, o Assistente nos disse, amorável:
- Como vemos, a Bondade Divina é
tão grande que até os nossos sentimentos menos dignos
são aproveitados em nossa própria defesa. O despeito da
visitante, encontrando Celina junto do enfermo, dar-nos-á tréguas
valiosas, de vez que teremos algum tempo para auxiliá-lo nas
reflexões necessárias. Quando acordar no corpo carnal,
pela manhã, nossa pobre amiga lembrar-se-á vagamente de
haver sonhado com Libório, ao lado de uma companheira, pintando
um quadro de impressões a seu bel-prazer, porqüanto cada
mente vê nos outros aquilo que traz em si mesma.
Abelardo estava satisfeito. Acariciava o doente, antevendo-lhe as melhoras.
Hilário, semi-espantado, considerou:
- O que me assombra é reconhecer o serviço incessante
por toda a parte. Na vigilia e no sono, na vida e na morte..."
Também existe a obsessão entre
encarnados. Esta pode ocorrer durante a vigília e também
durante o sono físico.
A causa de tais perseguições podem variar entre paixão
não correspondida, vingança, inveja e até ciúme.
11. Possessão
Allan Karde define a possessão
no livro A Gênese:
"Na obsessão, o Espírito
atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica
com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como
teia e constrangido a proceder contra a sua vontade. Na possessão,
em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui,
por assim dizer, ao Espírito encarnado; toma-lhe o corpo para
domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu
dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão,
conseguintemente, é sempre temporária e intermitente,
porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente
o lugar de um encarnado, pela razão de que a união molecular
do perispírito e do corpo só se pode operar no momento
da concepção. (Cap. XI, nº 18. )De posse momentânea
do corpo do encarnado, o Espírito se serve dele como se seu próprio
fora: fala pela sua boca, vê pelos seus olhos, opera com seus
braços, conforme o faria se estivesse vivo. Não é
como na mediunidade falante, em que o Espírito encarnado fala
transmitindo o pensamento de um desencarnado; no caso da possessão
é mesmo o último que fala e obra; quem o haja conhecido
em vida, reconhece-lhe a linguagem, a voz, os gestos e até a
expressão da fisionomia.
....
Quando é mau o Espírito possessor, as coisas se passam
de outro modo.Ele não toma moderadamente o corpo do encarnado,
arrebata-o, se este não possui bastante força moral para
lhe resistir. Fá-lo por maldade para com este, a quem tortura
e martiriza de todas as formas, indo ao extremo de tentar exterminá-lo,
já por estrangulação, já atirando-o ao fogo
ou a outros lugares perigosos. Servindo-se dos órgãos
e dos membros do infeliz paciente, blasfema,injuria e maltrata os que
o cercam; entrega-se a excentricidades e a atos que apresentam todos
os caracteres da loucura furiosa.São numerosos os fatos deste
gênero, em diferentes graus de intensidade, e não derivam
de outra causa muitos casos de loucura. Amiúde, há também
desordens patológicas, que são meras conseqüências
e contra as quais nada adiantam os tratamentos médicos, enquanto
subsiste a causaoriginária. Dando a conhecer essa fonte donde
provém uma parte das misériashumanas, o Espiritismo indica
o remédio a ser aplicado: atuar sobre o autor domal que, sendo
um ser inteligente, deve ser tratado por meio da inteligência."
No livro Missionários da Luz
temos um exemplo de Possessão.
"... passei a observar a senhora,
ainda jovem, que se mostrava sob irritação forte, no recinto,
preocupando os amigos encarnados. Diversos perseguidores, invisíveis
à perquirição terrestre, mantinham-se ao lado dela,
impondo-lhe terríveis perturbações, mas de todos
eles sobressaia um obsessor infeliz, de maneiras cruéis. Colara-se-lhe
ao corpo, em toda a sua extensão, dominando-lhe todos os centros
de energia orgânica. Identificava a luta da vitima, que buscava
resistir, quase inutilmente. Meu bondoso orientador percebeu-me a estranheza
e explicou:
- Este, André, representa um caso de possessão completa.
E, dirigindo-se ao intérprete que
argumentava momentos antes, recomendou-lhe estabelecer ligeiro diálogo
com o perseguidor temível, para que eu ajuizasse quanto ao assunto.
Sentindo-se tocado pela destra carinhosa do nosso companheiro, o infortunado
gritou:
- Não! Não! Não me venha ensinar o caminho do Céu!
Conheço minha situação e ninguém pode deter
o meu braço vingador!...
- Não desejamos forçá-lo, meu irmão - acentuou
o amigo com serenidade evangélica -, tranqüilize-se! Enquanto
alimentar propósitos de vingança, será castigado
por si mesmo. Ninguém o molesta, senão a própria
consciência; as algemas que o prendem à inquietude e à
dor foram fabricadas pelas suas próprias mãos!
- Nunca! - bradou o desventurado - nunca! E ela? O Fez acompanhar a
pergunta de horrível expressão e continuou:
- O senhor que prega a virtude justifica a escravidão de homens
livres? Acredita no direito de construir senzalas para humilhar os filhos
do mesmo Deus? Esta mulher foi perversa para nós todos. Além
de meu esforço vingador, vibram de ódio outros corações
que não a deixam descansar. Persegui-la-emos onde for.
Esboçou um gesto sinistro e prosseguiu:
- Por simples capricho, ela vendeu minha esposa e meus filhos! Não
é justo que sofra até que mos restitua? Será crível
que Jesus, o Salvador por excelência, aplaudisse o cativeiro?
O nosso intérprete, muito calmo,
obtemperou: - O Mestre não aprovaria a escravidão; contudo,
meu amigo, recomendou-nos o perdão recíproco, sem o qual
nunca nos desvencilharemos do cipoal de nossas faltas. Qual de nós,
antigos hóspedes da carne, conseguirá exibir um passado
sem crimes? Neste momento, seus olhos revelam a culpa de uma irmã
infeliz. Sua alma, entretanto, meu irmão, permanece desvairada
pelo furacão da revolta. Sua memória está conseqüentemente
desequilibrada e ainda não pode reapossar-se das lembranças
totais que lhe dizem respeito. Não lhe sendo possível
recordar o pretérito, com exatidão, não seria mais
razoável esperar, em seu caso, pelo Justo Juiz? Como julgar e
executar alguém, pelas próprias mãos, se ainda
não pode avaliar a extensão dos seus próprios débitos?
O revoltado parecia chocar-se ante os argumentos
ouvidos, mas, longe de capitular em sua posição de perseguidor,
respondeu asperamente:
- Para os mais fracos, suas observações serão valiosas.
Não para mim, porém, que conheço as sutilezas dos
pregadores de sua esfera. Não abandonarei meus propósitos.
Minha situação não se resolverá com simples
palavras.
Nosso companheiro, compreendendo O endurecimento do antagonista e apiedando-se-lhe
da ignorância, continuou, em tom fraterno:
- Não se trata de sutileza e sim
de bom senso. Aliás, não desejo retirar-lhe as razões
de natureza individualista, mesmo porque vigorosos laços unem-lhe
a influenciação à mente da vitima. Entretanto,
apelo para os sentimentos nobres que ainda vibram em seu coração,
fazendo-lhe reconhecer que, sem as desculpas recíprocas, não
liquidaremos nossos débitos. Em geral, o credor exigente é
cego para com os próprios compromissos. A sua reclamação,
na essência, deve ser legitima; no entanto, é estranhável
o seu processo de cobrança, no qual não descubro qualquer
vantagem, visto que suas atividades de vingador, além de aprofundar
suas chagas intimas, tornam-no antipático aos olhos de todos
os companheiros.
Ferido talvez, mais fundamente, em sua
vaidade, o obsessor calou-se, enquanto o intérprete se voltava
para nós outros, indagando de meu orienta dor quanto à
conveniência de ajudar-se magneticamente ao infeliz, a fim de
que as reminiscências dele pudessem abranger alguns quadros do
passado distante.
Alexandre, todavia, considerou:
- Não seria oportuno dilatar-lhe as lembranças. Não
conseguiria compreender. Antes de maior auxílio ao seu entendimento,
é necessário que sofra. Aproveitando a pausa mais longa
que se fizera entre todos, observei detidamente a pobre obsidiada. Cercada
de entidades agressivas, seu corpo tornara-se como que a habitação
do perseguidor mais cruel. Ele ocupava-lhe o organismo desde o crânio
até os pés, impondo-lhe tremendas reações
em todos os centros de energia celular. Fios tenuissimos, mas vigorosos,
uniam-nos ambos, e, ao passo que o obsessor nos apresentava Um quadro
psicológico de satânica lucidez, a desventurada mulher
mostrava aos colaboradores encarnados a imagem oposta, revelando angústia
e inconsciência.
- «Salvem-me do demônio! Salvem-me
do demônio! - gritava sem cessar, comovendo os companheiros em
torno da mesa humilde - oh! Meu Deus, quando terminará meu suplicio?»
Olhos desmesuradamente abertos, como a fixar os inimigos invisíveis
à observação comum, bradava angustiosamente, após
ligeiros instantes de silêncio: - «Chegaram todos do inferno!
Estão aqui! Estão aqui! Ai! Ai!»
Seus gemidos semelhavam-se a longos silvos estertorosos.
Atendendo-me à expectação, esclareceu o instrutor:
- Esta jovem senhora apresenta doloroso caso de possessão. Desde
a infância, era perseguida pelos adversários tenazes de
outro tempo. Na vida de solteira, porém, no ambiente de proteção
dos pais, ela conseguiu, de algum modo, subtrair-se à integral
influenciação dos inimigos persistentes, embora Lhes sentisse
a atuação de maneira menos perceptível. Sobrevindo,
no entanto, as responsabilidades do matrimônio, em que, na maioria
das vezes, a mulher recebe maior quinhão de sacrifícios,
não pôde mais resistir. Logo após o nascimento do
primeiro filhinho, caiu em prostração mais intensa, oferecendo
oportunidade aos desalmados perseguidores e, desde então, experimenta
penosas provas."
No livro Nos Domínios da Mediunidade
temos outro exemplo de possessão.
"Atendendo às recomendações
do supervisor, os guardas admitiram a passagem de uma entidade evidentemente
aloucada, que atravessou, de chofre, as linhas vibratórias de
contenção, vociferando, frenética: - Pedro! Pedro!...
Parecia ter a visão centralizada no doente, porque nada mais
fixava além dele. Alcançando o nosso irmão encarnado,
este, de súbito, desfecha um grito agudo e cai espetacular.
...
Pedro e o obsessor que o jugulava pareciam agora fundidos um no outro.
Eram dois contendores engalfinhados em luta feroz. Fitando o companheiro
encarnado mais detidamente, concluí que o ataque epiléptico,
com toda a sua sintomatologia clássica, surgia claramente reconhecível.
O doente trazia agora a face transfigurada por indefinível palidez,
os músculos jaziam tetanizados e a cabeça, exibindo os
dentes cerrados, mostrava-se flectida para trás, enquanto que
os braços se assemelhavam a dois galhos de arvoredo, quando retorcidos
pela tempestade.
...
- É a possessão completa ou a epilepsia essencial.
- Nosso amigo está inconsciente? – aventurou Hilário,
entre a curiosidade e o respeito.
- Sim, considerando como enfermo terrestre, está no momento sem
recursos de ligação com o cérebro carnal. Todas
as células do córtex sofrem o bombardeio de emissões
magnéticas de natureza tóxica. Os centros motores estão
desorganizados.
Todo o cerebelo está empastado de fluidos deletérios.
As vias do equilíbrio aparecem completamente perturbadas. Pedro
temporariamente não dispõe de controle para governar-se,
nem de memória comum para marcar a inquietante ocorrência
de que é protagonista. Isso, porém, acontece no setor
da forma de matéria densa, porque, em espírito, está
arquivando todas as particularidades da situação em que
se encontra, de modo a enriquecer o patrimônio das próprias
experiências."
12. Técnicas de Obsessão
É impossível informar todos
os tipos de artimanhas e técnicas utilizadas pelos irmãos
obsessores, contudo, podemos citar algumas que foram encontradas em
livros e também observadas durante as reuniões de desobsessão.
É muito importante entender que um
obsessor não larga a vítima só porque essa vai
ao centro espírita e muitas vezes o obsessor não pode
ser desligado de abruptamente e nem levado diretamente para uma reunião
de desobsessão. Os instrutores espirituais são prudentes
e esperam o melhor momento para agir.
É importante ter paciência e
entender o que os irmãos obsessores tudo fazem para não
perderem suas vítimas.
12.1 Durante o Sono
Durante o sono o desencarnado pode arrastar
o encarnado para regiões do astral inferior onde pode estender
o seu domínio sobre a mente e as emoções da vítima.
Quando a vítima se desliga do corpo muitos obsessores a perseguem,
fazendo-a relembrar dos erros cometidos, muitas vezes até agredindo-a.
Muitos pesadelos são na verdade encontros com obsessores.
Também pode acontecer do obsessor se
mostrar transformado em monstro ou até projetar imagens ou cenas
tenebrosas para inspirar medo em sua vítima, tornando-a ainda
mais frágil e suscetível de influência.
12.2 Obsessão a Distância
Quando foi estabelecida uma forte ligação
entre o obsessor e a vítima é possível que a obsessão
se faça parcialmente à distância. Os obsessores
podem plasmar condensadores astrais que funcionam como acumuladores
de vibrações inferiores, bombardeando constantemente a
vítima. Estas técnicas são muito comuns nos feitiços
realizados pelos conhecedores de magia negra.
12.3 Ligação de Entidades
Infelizes e Inconscientes ao Obsediado
Essa é um prática muito comum
realizada pelas legiões de obsessores.
São ligadas a vítima as seguintes
categorias de espíritos:
- Espíritos desequilibrados que se
encontram inconscientes.
- Suicidas.
- Ovóides (espíritos que perderam
a forma).
- Desencarnados hipnotizados.
- Sangue-Sugas e outros elementos astrais
que absorvem vitalidade
O obsessor desta forma fica ligado ao perispírito
da vítima sem esforço, já que o próprio
desequilíbrio dos irmãos vai, aos poucos, debilitando
a aura da vítima.
Os ovóides e as sangue-sugas podem
ser utilizados para absorver a vitalidade da vítima. Os obsessores
aparecem de tempos em tempos para retirar a vitalidade armazenada e
manter sua dominação sobre o obsediado.
Retiramos um exemplo do livro Libertação,
de Chico Xavier:
"Dois desencarnados, de horrível
aspecto fisionômico, inclinavam-se, confiantes e dominadores,
sobre o busto da enferma, submetendo-a a complicada operação
magnética. Essa particularidade do quadro ambiente dava para
espantar. No entanto, meu assombro foi muito mais longe, quando concentrei
todo o meu potencial de atenção na cabeça da jovem
singularmente abatida. Interpenetrando a matéria espessa da cabeceira
em que descansava, surgiam algumas dezenas de “corpos ovóides”,
de vários tamanhos e de cor plúmbea, assemelhando-se a
grandes sementes vivas, atadas ao cérebro da paciente através
de fios sutilíssimos, cuidadosamente dispostos na medula alongada.
A obra dos perseguidores desencarnados
era meticulosa, cruel.
Margarida, pelo corpo perispirítico,
jazia absolutamente presa, não só aos truculentos perturbadores
que a assediavam, mas também à vasta falange de entidades
inconscientes, que se caracterizavam pelo veículo mental, a se
lhe apropriarem das forças, vampirizando-a em processo intensivo.
Em verdade, já observara, por mim,
grande quantidade de casos violentos de obsessão, mas sempre
dirigidos por paixões fulminatórias. Entretanto, ali verificava
o cerco tecnicamente organizado.
Evidentemente, as "formas ovóides"
haviam sido trazidas pelos hipnotizadores que senhoreavam o quadro.
Com a devida permissão, analisei
a zona física hostilizada. Reparei que todos os centros metabólicos
da doente apareciam controlados. A própria pressão sanguínea
demorava-se sob o comando dos perseguidores. A região torácica
apresentava apreciáveis feridas na pele e, examinando-as, cuidadoso,
vi que a enferma inalava substâncias escuras que não somente
lhe pesavam nos pulmões, mas se refletiam, sobremodo, nas células
e fibras conjuntivas, formando ulcerações na epiderme.
A vampirização era incessante.
As energias usuais do corpo pareciam transportadas às "formas
ovóides”, que se alimentavam delas, automàticamente,
num movimento indefinível de sucção."
12.4 Hipnose
A hipnose do desencarnado sobre o encarnado
pode ser melhor entendida como um livre acesso dos pensamentos e emoções
do hipnotizador para o encarnado, que não oferece resistência,
tendo as visões, desejos e até sensações
emitidas.
Pensamento fixo em idéias de baixo
teor e se concentrando no seu envio para o encarnado, assim o desencarnado
emite poderosas energias, que somente podem ser freadas se o prejudicado
tiver em seu coração as sementes do Evangelho.
Abaixo seguem alguns trechos que explicam
um pouco mais sobre a hipnose realizada pelos obsessores:
Nos Domínios da Mediunidade
– Capitulo 22 – Emersão no Passado
"É um problema complexo de
fascinação. Nossa irmã permanece controlada por
terrível hipnotizador desencarnado, assistido por vários
companheiros que se deixaram vencer pelas teias da vingança.
No ímpeto de ódio com que se lança sobre a infeliz,
propõe-se humilhá-la, utilizando-se da sugestão.
Não fosse o concurso fraternal que veio recolher neste santuário
de prece, em transes como este seria vítima integral da licantropia
deformante. Muitos Espíritos, pervertidos no crime, abusam dos
poderes da inteligência, fazendo pesar tigrina crueldade sobre
quantos ainda sintonizam com eles pelos débitos do passado. A
semelhantes vampiros devemos muitos quadros dolorosos da patologia mental
nos manicômios, em que numerosos pacientes, sob intensiva ação
hipnótica, imitam costumes, posições e atitudes
de animais diversos.
Ao passo que a doente gemia de estranho
modo, amparada pelo esposo e por Raul, que se esmerava no auxílio,
Hilário, espantado, indagou:
- Tão doloroso fenômeno é comum?
- Muito generalizado nos processos expiatórios em que os Espíritos
acumpliciados na delinqUência descambam para a esfera vibratória
dos brutos - esclareceu nosso orientador, coadjuvando em benefício
da enferma, cujo cérebro prosseguia governado pelo insensível
perseguidor como brinquedo em mãos de criança.
- E por que não separar de vez
o algoz da vítima?
- Calma, Hilário! - ponderou o Assistente. Ainda não examinamos
o assunto em sua estrutura básica. Toda obsessão tem alicerces
na reciprocidade. Recordemos o ensinamento de nosso Divino Mestre. Não
basta arrancar o joio. É preciso saber até que ponto a
raiz dele se entranha no solo com a raiz do trigo, para que não
venhamos a esmagar um e outro. Não há dor sem razão.
Atendamos, assim, à lei da cooperação, sem o propósito
de nos anteciparmos à Justiça Divina"
12.5 Confundindo os Obsidiados
O obsessor faz de tudo para não deixar
que o obsediado se ligue a grupos religiosos ou de auto-ajuda que acabarão
afastando-o do domínio do verdugo.
Os obsessores confundem o obsediado quando
alguém próximo tenta auxiliá-lo ou quando por vontade
própria ele começa a freqüentar algum templo de ensinamentos
elevados.
O obsessor causa problemas pessoais, impedimentos, desânimo, irritações,
etc que desestimulem o obsediado.
Muitos irmãos relatam das dificuldades
que têm de manter as rotinas de tratamento, sendo muitas vezes
obrigados a faltar o encontro.
A solução é paciência
e perseverança. Ninguém está desamparado, se existem
espíritos que trabalham para que tudo dê errado, existem
muitos outros que operam na esfera de Jesus e que jamais te negarão
ajuda.
Abaixo seguem dois trechos retirados para
exemplificar o que informamos:
Libertação – Chico
Xavier, pelo Espírito André Luiz
"Reparei, através do halo de
muita gente, que determinado número de frequentadores se esforçava
por melhorar a atitude mental na oração. Reflexos arroxeados,
tendendo a vacilante brilho, apareciam aqui e acolá; contudo,
os malfeitores desencarnados propositadamente se postavam ao pé
dos que se candidatavam à fé renovadora e reverente, buscando
conturbá-los.
Não longe, fixei a atenção numa senhora que acompanhava
o sacerdote com o manifesto desejo de receber a bênção
celestial; os olhos úmidos e os tênues raios de luz, que
se lhe projetavam da mente, diziam da sincera aspiração
àvida superior que, naquele instante, lhe banhava o pensamento
devoto; entretanto, dois transviados da esfera inferior, percebendo-lhe
a esperança construtiva, tentavam anular-lhe a atenção
e, segundo o que me foi permitido verificar, lhe sugeriam reminiscências
de baixo teor, inutilizando-lhe a tentativa.
Voltei-me para o orientador, que prestimosa-mente
explicou:
- A história de gênios satânicos, atacando os devotos
de variados matizes, é, no fundo, absolutamente verdadeira. As
inteligências pervertidas, incapazes de receber as vantagens celestes,
transformam-se em instrumentos passivos das inteligências rebeladas,
que se interessam pela ignorância das massas, com lastimável
menosprezo pela espiritualidade superior que nos governa os destinos.
A aquisição de fé, por isto mesmo, demanda trabalho
individual dos mais persistentes. A confiança no bem e o entusiasmo
de viver que a luz religiosa nos infunde modificam-nos a tonalidade
vibratória. Lucramos infinitamente com a imersão das forças
interiores no sublimado idealismo da crença santificante, a que
nos afeiçoamos; todavia, o serviço real que nos cabe não
se resume só a palavras. A profissão de fé não
é tudo. A experiência da alma no corpo denso destina-se,
de maneira fundamental, ao aprimoramento do indivíduo. É
nos atritos da marcha que o ser se desenvolve, se apura e ilumina. Não
obstante, a tendência dos crentes, em geral, é a de fugir
aos conflitos da senda. Pessoas existem que depois de servirem ao ideal
religioso, durante dois anos, pretendem o repouso de vinte séculos.
Em todas as casas de fé, os mensageiros do Senhor distribuem
favores e bênçãos compatíveis com as necessidades
de cada um; entretanto, é imprescindível que se prepare
o coração nas linhas do mérito, a fim de recolhê-los.
Entre emissão e recepção, prevalece o imperativo
da sintonia. Sem esforço preparatório, é impossível
ambientar o benefício"
Nos Domínios da Mediunidade
– Chico Xavier, pelo Espírito André Luiz
"Que ocorre, porém, quando os encarnados não
prestam atenção aos ensinamentos ouvidos?
- Sem dúvida, passam pelos santuários da fé na
condição de urnas cerradas. Impermeáveis ao bom
aviso, continuam inacessíveis à mudança necessária.
- Mas este mesmo fenômeno se repete nas igrejas de outras confissões
religiosas?
- Sim. A palavra desempenha significativo papel nas construções
do espírito. Sermões e conferências de sacerdotes
e doutrinadores, em variados setores da fé, sempre que inspirados
no Infinito Bem, guardam o objetivo da elevação moral.
O Assistente meditou um instante e acrescentou:
- Entre os homens, porém, se não é fácil
cultivar a vida digna, é muito difícil habilitar-se a
criatura à morte libertadora. Comumente, desencarna-se a alma,
sem que se lhe desagarrem os pensamentos, enovelados em situações,
pessoas e coisas da Terra. A mente, por isso, continua encarcerada nos
interesses quase sempre inferiores do mundo, cristalizada e enfermiça
em paisagens inquietantes, criadas por ela mesma. Daí o valor
do culto religioso respeitável, formando ambiente propício
à ascensão espiritual, com indiscutíveis vantagens,
não só para os Espíritos encarnados que a ele assistem,
com sinceridade e fervor, mas também para os desencarnados, que
aspiram à própria transformação. Todos os
santuários, em seus atos públicos, estão repletos
de almas necessitadas que a eles comparecem, sem o veículo denso,
sequiosas de reconforto. Os expositores da boa palavra podem ser comparados
a técnicos eletricistas, desligando «tomadas mentais»,
através dos princípios libertadores que distribuem na
esfera do pensamento.
Sorriu bem-humorado e prosseguiu:
- Em razão disso, as entidades vampirizantes operam contra eles,
muitas vezes envolvendo-lhes os ouvintes em fluidos entorpecentes, conduzindo
esses últimos ao sono provocado, para que se lhes adie a renovação"
Para visualizar o primeiro artigo da série sobre Obsessão - Obsessão e Obsessores -
clique aqui
Para visualizar o terceiro artigo da série sobre Obsessão - Tratamento da Obsessão
clique aqui