| CENA 37 |
ACENDE-SE A LUZ NO CENTRO
DO PALCO. TODOS MENOS PAULO ESTÃO NO TRIBUNAL. MARIANA PÕE
AS MÃOS SOBRE A CABEÇA DE ANGÉLICA QUE CHORA
MUITO DE ARREPENDIMENTO. A ADVOGADA CONTINUA COM AS PERGUNTAS |
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| ANGÉLICA |
O seu Paulo é um santo!...É
um santo!(chorando
muito).Ele não me estuprou, não me
estuprou...(Chora mais ainda)
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(Começa um burburinho no palco e na
platéia) |
| ADVOGADA |
(Incisiva) A senhorita foi avisada que poderia
ser processada por perjúrio, não foi? (Angélica
confirma com a cabeça) Eu tenho mais uma pergunta a fazer:
A senhorita mentiu também quanto à gravidez? |
| ANGÉLICA |
Não... Não menti |
ADVOGADA |
Então, se não foi o meu cliente,
o senhor Paulo, o responsável e com certeza também
não foi o “Espírito Santo”, quem foi então
que a violentou? |
| PROMOTOR |
Protesto! A brilhante advogada já conseguiu
o que queria, não há mais necessidade de constranger
a testemunha! |
| ADVOGADA |
Meritíssimo não tenho a intenção
de constranger essa pobre criatura, quero apenas ajudá-la.
Sinto que a violência ocorreu de fato e que, por medo ou por
amor à sua mãe, ela não nos contou a verdade. |
| JUIZ |
Como testemunha nesse caso, a senhorita já
está dispensada, mas se tiver ainda alguma coisa a acrescentar
que possa justificar o seu delito de perjúrio, por favor,
nos diga. |
| ANGÉLICA |
(Chorando muito) Eu não podia falar
a verdade! Tinha que mentir! Estava tão feliz pela recuperação
da saúde da minha mãezinha, que não tinha o
direito de dar a ela um desgosto tão grande. Se minha mãe
soubesse da verdade, seria sua morte, mas como esconder uma gravidez?
Impossível. Logo, ela iria perceber e eu teria que dizer
quem era o pai, por isso menti e coloquei a culpa no seu Paulo.
Ele é um homem tão bom, eu sei que um dia ele vai
me perdoar... Quem me violentou... Foi o meu padrasto (aumenta o
choro) ... Eu não podia contar para minha mãe, ela
morreria de desgosto e vergonha. Meu padrasto voltava para casa
à noite, completamente bêbado, minha mãe estava
inconsciente e eu sem ter a quem recorrer... Foi terrível!
Ele me estuprou na própria cama da minha mãe, ao lado
dela e eu sem poder reagir, sem poder gritar, foi terrível,
terrível! |
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(A platéia volta a reagir. Todos falam
ao mesmo tempo. O juiz intervém) |
| JUIZ |
Silêncio! Silêncio! Silêncio! |
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B. O. |
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| CENA 38 |
SURGE VT NO FILÓ, GABRIEL EM
CENA SURGE MARIANA. |
| MARIANA |
Que vida difícil dessa menina, Mestre.
Uma mãe doente, estuprada pelo padrasto, e ainda acusada
de perjúrio. |
| GABRIEL |
É. Mas como eu disse antes todos temos
atenuantes, não justifica mas às vezes explica. |
| MARIANA |
O que o Sr. quer dizer com isso? |
| GABRIEL |
Essa menina foi movida pelo amor à
sua mãe e ódio ao Paulo dois sentimentos muito forte
e perigosos quando não administrados corretamente. |
| MARIANA |
O amor está claro, mas, o ódio
ao Paulo? |
| GABRIEL |
No caso de Paulo, essa testemunha também
é um cobrador. Angélica, aquela pobre menina que o
acusou de estupro, foi vítima de Paulo em outra vida. Ela
era aquele homem, "Marcel", que seduzido pelo poder do
sexo e pelo magnetismo de Gabrielle, que era Paulo quando mulher
acabou por suicidar-se. Voltou agora como mulher, vítima
do seu próprio padrasto, que havia sido sua esposa abandonada
na outra encarnação. Angélica tentou dessa
vez, pagar a Paulo na mesma moeda. Como uma linda mulher, foi uma
tentação para Paulo, um grande teste, para ele e para
ela. |
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(Gabriel faz um movimento e Mariana desaparece.
Em seguida desaparece o VT. O juiz começa a gritar mesmo
no escuro) |