Escolhemos a Semana
Santa deste ano de 2006, para iniciarmos uma série de páginas a fim de
recordarmos as preciosas lições deixadas a nós por Jesus Cristo.
Repetidas vezes Ele enfatizou
a necessidade de valorizarmos a parte imortal de nossa natureza: o Espírito.
Colimou estas lições, oferecendo-se a
sanha daqueles, que imaturos, pretenderam aniquilá-lo através da
condenação infamante aplicada aos malfeitores e criminosos: a morte na
cruz.
Com esta entrega, ele exemplificou que
não importa o fim da expressão física e transitória de cada um de nós,
se a parte nobre de nosso ser é preservada e salva.
No episódio do drama do Calvário se
sobressai a ação de um de seus discípulos : Judas, filho de Simão
Iscariótis.
Ambos demonstraram, escrevendo com o
sangue do primeiro e a desonra do segundo, que é mais importante
salvar a alma, do que conquistar posições transitórias que exaltam a
personalidade, mas que não dignificam a vida.
A revelação da difícil missão que coube
a Judas de passar por traidor, seria demonstrada no final do ciclo que
precederia o retorno do Cristo no cenário da Terra, e este é o
momento.
Passemos a palavra a Judas:
" Minha árdua missão foi
passar diante dos olhos do mundo , por dois milênios como aquele que
traiu Jesus.
Hoje já posso revelar, o
que ontem seria, se contasse, a única traição ao Mestre a quem amo e
venero.
Muito antes de aportarmos
outra vez na carne, Jesus e aqueles que seriam designados como seus
emissários, nos reunimos e estudamos a nossa participação. Cada um de
nós recebeu a responsabilidade de, seguindo Jesus, auxiliar a pregação
da Boa Nova que Ele traria para humanidade, não só através das sábias
lições oferecidas com sua palavra, como também através dos próprios
passos que daria na jornada que faria no Plano Físico do planeta
Terra.
Entre os escolhidos, encontravam-se
espíritos de diversos graus evolutivos. O Espírito mais elevado entre
nós, sem dúvida era aquele que receberia na carne o nome de João, a
quem o Mestre sempre chamava de ‘meu discípulo amado".
A fidelidade de Pedro o elegeu como
aquele que seria responsável pela Escola fundada pelo Mestre. A minha
coragem, me elegeu para realizar a tarefa mais ingente: a de passar
por traidor. Ao passar por traidor estaria renegando a minha imagem,
aniquilando a personalidade em favor da parte mais nobre de meu ser: o
Espírito.
Fui informado que seria
amaldiçoado por gerações inteiras, esta seria a contribuição decisiva
para a minha emancipação espiritual, escrever com minha desonra a
confirmação que mais importância tem em nossa vida o tesouro que
embora oculto no próprio coração é o que conta, pois é o acervo que
levamos conosco ao deixarmos a vida física. Só se tornaria pública
esta dolorosa missão no início da era de Aquário, isto é, cerca de
dois mil anos mais
tarde.
Ao
renascermos na Terra, mergulhados no manto protetor da carne,
esquecemos o programa que cumpriríamos junto ao Mestre. Misericordioso
esquecimento que permitiu não precisarmos antecipadamente vivenciar as
angústias do que estava destinado para passarmos.
Antes mesmo da última ceia em que
partilharíamos o pão e o vinho, o que daria início ao drama do
Calvário, Jesus nos informou o que teria de acontecer: seria preso,
seria torturado e por fim crucificado. Era preciso. Aparentemente
sairiam vitoriosos os que não tinham ainda condições de entendimento,
e por isso, temiam perder prestígio e poder, em decorrência de Sua
ascendência sobre o povo, que cada vez mais O exaltava, aplaudia e
seguia. Mas Ele despertaria da morte no terceiro dia, após ser
sepultado. Um de nós já havia sido escolhido para entregá-Lo à tropa
comandada pelos doutores da lei e dos representantes do Sinédrio, e no
devido momento Ele nos indicaria quem devia fazer isso.
Natural, a apreensão que tomou conta de
nós. Quem seria o que como traidor, teria que procurar as autoridades
do Sinédrio e por dinheiro se oferecer para tão ingrata missão? Jesus
nos falava sobre a importância dessa tarefa. Dizia-nos
Ele:
"Ao sacerdote em exercício
cabe a tarefa de oferecer ao altar, para o sacrifício da Páscoa ( e
lembrem: a Páscoa é comemorada para recordarmos o nascimento de uma
nova etapa, que é a chegada à terra prometida),o cordeiro imolado.
Esta tarefa é de suma importância para o Templo. Eu sou o Cordeiro que
tem de ser imolado para deixar gravado com o meu sangue a lição que
venho trazer aos homens. O Cordeiro Pascal representa a parte animal
de nossa natureza que é imolada como símbolo do que os homens têm de
fazer para ganharem a Vida verdadeira, libertando-se, assim, da
animalidade e deixando aflorar o ser divino que são. Esse ritual que
foi necessário ser feito pelos espíritos imaturos, deverá ser
substituído pelos que me seguirem de agora em diante. Em verdade vos
digo: o pão representa o meu corpo, o vinho o meu sangue. Aquele que
quiser entrar na vida imanente, deverá comer meu corpo e beber meu
sangue. Ao comerem e beberem o pão e o vinho o faça em memória de Mim.
Comer de minha carne é escutar o meu ensino e assimilá-lo. É fazer com
que minhas palavras penetrem fundo em seus corações e alimentem suas
vidas. E, assim, se tornarem um comigo. Eu sou a Divina Presença que
do âmago de toda vida manifestada, a preside e alimenta. Poderíamos
dizer que tanto o grão de trigo quanto a uva têm que se anular,
deixando-se esmagar e, aparentemente morrer, para se tornarem o pão e
o vinho que nos alimentam. Entenderam? Isso mesmo, o Filho do Homem
tem de passar para que sejam assimilados seus ensinos através do
exemplo de Sua vida".
Chegou,
então a hora. Estávamos sentados para partilhar a última ceia com o
Mestre. A expectativa era grande. Quem teria de entregá-Lo? Pedro se
encontrava sentado ao lado de João, o que estava com a cabeça
encostada no ombro do Mestre. Tenso, como todos nós, baixinho pediu a
João:
"Pergunta ao Mestre qual de nós
vai entregá-Lo".
"Aquele que eu
der o pão molhado no vinho. Este deverá entregar-me" - respondeu
Jesus, após ouvir a pergunta de João. Acabando de falar, o Mestre
partiu o pão mergulhou-o em seu cálice e deu-mo. Meu coração disparou,
embora algo já me dissesse ( pois, meu Espírito o sabia) que a mim
caberia a terrível missão. Levantei-me e olhei para meu querido
Mestre, um pouco hesitante, ele então
ordenou:
"O que tens de fazer, faze-o
logo".
Saí depressa, a realizar o que
me fora ordenado. Revejo todos os acontecimentos que a partir desse
momento foram desencadeados. Eu, me aproximando de Jesus, no local
onde ele e nossos companheiros de dirigiram, após a ceia – beijando-o
– esse fora o sinal combinado, para identificá-Lo entre todos. Os
guardas chegando e prendendo-O.
Pedro,
emocional como sempre, tentando impedir o que não podia ser impedido.
O Mestre sendo levado, a vigília silenciosa às portas do palácio de
Herodes, sua peregrinação de volta a Pilatos. A voz do povo sendo
abafada pela algazarra dos fariseus e dos saduceus que
gritavam:"Condena Jesus"! ao serem indagados por Pilatos quem, entre
Barrabás e Jesus queriam que fosse perdoado. Depois, Jesus levando o
madeiro, a crucificação, e sua cabeça pendendo. De longe, eu não
perdia um detalhe, com o coração oprimido. Então,
fraquejei.
"Céus! Eu não deveria tê-Lo escutado!
Eu não deveria tê-Lo entregue! Ele morreu!"
Ao mesmo
tempo vinham em minha mente as Suas palavras:
"Eu
morrerei, mas após terceiro dia me erguerei do túmulo. Confie!"
"Não, não pode ser... O machucaram muito! Ele
sangra! Até o seu lado foi lancetado pela espada de um soldado! Fui
ingênuo em acreditar que Ele poderia sair dessa situação horrível! Ó
meu Deus perdoa-me! Fui um louco!"
Foi
apenas um momento de fraqueza. Venceu a minha fidelidade e confiança
nas palavras do Mestre. Assim como Jesus se retirou da vida pública
após sua ressurreição, eu também me retirei. Mais tarde, aqueles que
se encarregaram de escrever os relatos através dos Evangelhos,
justificaram o meu afastamento relatando um suicídio que permitiria
continuar em segredo a minha missão.
Em breve os albores
de uma nova era de Paz e de Luz se fará sentir, que todos estejam
atentos para que quando o Cristo iniciar Sua missão os encontre
vigilantes.