Segundo o saudoso Chacrinha, o Velho Guerreiro,
"quem não se comunica, se trumbica". Farei alusão
a essa popular e certeira frase para propor algumas reflexões
a respeito da importância do diálogo e da troca de informações
na área do envelhecimento humano.
O mundo vem passando por um processo de envelhecimento
populacional visível e quantificável. Estima-se que, em
2025, o Brasil contará com a sexta maior população
idosa do mundo. Pesquisadores tupiniquins altamente gabaritados alertam
para o fato de que "as projeções apontam para um
crescimento de 130% no período de 2000 a 2025, relativamente
ao grupo etário com 60 anos e mais de idade". Diante de
dados tão impressionantes, as peças se encaixam e o mosaico
urbano torna-se compreensível: basta olhar à nossa volta
e constatar que já não somos um país de jovens.
É muito comum a convivência entre as diferentes gerações
nos mais diferentes lugares. Contudo, nem sempre existe uma comunicação
entre jovens e velhos efetiva e harmoniosa. É aí que precisamos
tomar cuidado para que ninguém "se trumbique", conforme
o preceito do Velho Guerreiro.
O espaço ocupado por esta coluna, por
exemplo, propõe-se a ser um canal de comunicação,
por assim dizer, intergeracional. Nossa proposta é disseminar
informações sobre o processo de envelhecimento, frisando
que ele é conseqüência natural de uma vida longeva.
Mesmo que, no presente momento, estejamos em plena forma física,
esbanjando jovialidade, e não tenhamos nenhum contato mais próximo
com nenhuma pessoa idosa, torna-se de grande relevância adquirirmos
a consciência de que o aumento da expectativa de vida do ser humano
pode ser considerado como uma grande bênção para
o espírito em evolução, e uma oportunidade concedida
com a permissão divina e auxílio dos avanços da
ciência dos homens.
Voltando ao sentido da comunicação
contido na máxima do Velho Guerreiro, considero que o estabelecimento
de um diálogo entre as pessoas de diferentes idades tende a ser
um caminho para uma compreensão mais ampliada a respeito das
transformações pelas quais passamos diariamente ao longo
da vida física, que, mesmo sendo transitória merece ser
vivida plenamente. Se todo mundo se comunicar, ninguém vai se
trumbicar. E assim, dialogando e trocando experiências vividas
e sentidas, provavelmente fortaleceremos os elos que nos unem uns aos
outros, e reconheceremos que fazemos parte de um todo, mesmo que nossos
pés já tenham trilhado muitos passos no caminho.
Você, pessoa idosa, comunique-se! Você,
jovem, comunique-se!
Vamos contar histórias, comparar o
ontem e o hoje, para construirmos um amanhã promissor para todos
nós. Vamos aprender a reconhecer a beleza do passar do tempo,
e usufruir do momento presente sem lamentar por tudo o que já
passou, e sem se desesperar pelo que ainda vai chegar. Deste modo podemos,
inclusive, buscar entendimento sobre o que se configura como velhice,
a partir de uma perspectiva mais positiva e menos excludente.