| CENA 15 |
ACENDE A LUZ NO LADO ESQUERDO DO PALCO.
|
| |
Paulo agora é um jovem empresário inglês
de uns 40 anos. Industrial do fim do século XIX, ele recebe
das mãos de alguns operários uma placa de agradecimento.
(Paulo e os empregados podem ter um leve sotaque britânico). |
|
| OPERÁRIO 1 |
Mr. Oliver, em nome de todos os operários da nossa fábrica,
gostaria que recebesse essa placa de agradecimento por tudo que
o senhor e a sua família tem feito por nós, seus empregados,
e por toda nossa comunidade. |
| |
(Todos aplaudem) |
| OPERÁRIO 1 |
Eu comecei a trabalhar para o seu avô, depois para seu pai,
que Deus o tenha, e agora para o senhor. Dediquei 50 anos da minha
vida à serviço da sua família. Meus filhos
e até meus netos vivem do trabalho aqui da fábrica.
Em todos esses anos, nunca nos sentirmos órfãos, sempre
tivemos proteção do senhor e dos seus. |
| MR. OLIVER |
Muito obrigado. Em nome de todos os meus antepassados, eu agradeço
e prometo ser fiel ao lema do meu avô, fundador da nossa indústria.
“Servir à Deus, à Pátria e aos meus semelhantes,
com dedicação, amor e trabalho”. |
| TODOS |
Muito bem! Viva Mr. Oliver! Viva! Viva! |
|
| CENA 16 |
A IMAGEM PROJETADA APARECE NOVAMENTE. Mariana,
Gabriel e Paulo conversam. |
| MARIANA |
Não entendi, mestre Gabriel. Paulo portou-se como um homem
digno. |
| PAULO |
Estava me sentindo o pior dos homens, pelo menos nessa vida dei
motivos para uma boa reação do povo. |
| GABRIEL |
(Com um leve sorriso) Não dizem que a voz do povo é
a voz de Deus... Os homens só podem ser julgados quando são
colocados à prova. Vamos observar dois anos depois, quando
Paulo ou Mr. Oliver deparou-se com as primeiras dificuldades. |
| |
(Gabriel faz um sinal com as mãos e desaparece o VT). |
| CENA 17 |
ACENDE-SE A LUZ NO LADO ESQUERDO DO PALCO. Mr.
Oliver sentado à uma mesa despacha com um assessor. |
| MR OLIVER |
(Lendo um relatório) Mr. John, esses números estão
péssimos, nosso faturamento caiu 10%! Desse jeito nosso lucro
esse mês será de apenas ... |
| MR. JOHN |
(Envergonhado) 40%. |
| MR OLIVER |
(Exaltado) 40%! Absurdo! Como poderei viver com apenas 40% de
lucro? Teremos que tomar atitudes drásticas! |
| MR. JOHN |
Mas, Mr. Oliver foi a primeira vez em dois anos que tivemos uma
queda nos lucros, isso pode ser temporário, estamos chegando
ao final do ano e normalmente o mercado se reaquece e... |
| MR OLIVER |
Pequena queda? Isso porque não foi no seu bolso! O senhor
acha que os acionistas vão concordar com o senhor? Claro
que não, temos que tomar uma atitude imediatamente! Prepare
a lista de demissões. |
| MR. JOHN |
Demissões, senhor?! |
| MR OLIVER |
Exatamente. |
| MR. JOHN |
Mas, senhor, poderíamos cortar outras coisas antes de demitir
funcionários. |
| MR OLIVER |
Nada disso, vamos demitir, se o mercado melhorar contratamos de
novo, não quero mais discussões! |
| MR. JOHN |
Como o senhor quiser. Começamos as demissões por
onde? |
| MR OLIVER |
Por aqueles que produzem menos. Todos os velhos encabeçarão
a lista, depois todos aqueles que tiverem mais de um parente trabalhando
na fábrica. Em seguida, as mulheres, afinal de contas, elas
têm que cuidar da família, não é mesmo?
Vamos reduzir a folha em pelo menos 20%. |
| MR. JOHN |
Mas Mr. Oliver, é muito! Serão mais de cem pessoas
de uma só vez, para normalizar - o lucro não necessitamos
de tantas demissões! |
| MR OLIVER |
Melhor assim. Os outros ficarão com medo de perder o emprego
e produzirão mais. Quem sabe, além de sanearmos as
finanças não aumentaremos o lucro. |
| |
(Dá uma boa risada. A gargalhada fica ecoando). |
|
B.O. |
| CENA 18 |
A IMAGEM PROJETADA REAPARECE. Gabriel, Paulo
e Mariana conversam. |
| PAULO |
Que insensibilidade a minha! Esqueci a dedicação
e o amor dos meus empregados. |
| MARIANA |
Como pode uma pessoa mudar da água para o vinho em tão
pouco tempo? |
| GABRIEL |
O dinheiro pode corromper as pessoas. O lucro fácil, a
exploração do trabalho alheio, o poder de decidir
a vida dos outros. Muitos não compreendem que foram colocadas
em determinadas posições não por mérito
próprio, mas sim para serem testados nas suas deficiências.
Seria mais complicado testar Paulo, se ele fosse um simples operário,
porque não tendo poderes, sua prova seria mais fácil.
Mas como patrão, o teste é maior. Alguns não
compreendem isso e acreditam que são os escolhidos por Deus.
Não percebem que moralmente, muitas vezes são inferiores
aos seus comandados. |
| PAULO |
(Envergonhado e sentido) O que fazer para me redimir de tantos
erros?Como resgatar tantas dívidas? |
| GABRIEL |
Suas dívidas só podem ser resgatadas por você
mesmo.E é lá, junto de seus credores que você
poderá se redimir. Quando você voltar terá esquecido
as suas outras vidas e começará de onde parou, podendo
seguir o caminho que escolher.Isso se chama “Livre Arbítrio” |
| PAULO |
(Emocionado) Muito obrigado, mestre Gabriel. Eu prometo... |
| GABRIEL |
Não prometa mais nada, cumpra antes as promessas antigas
e vá com Deus. |
| |
(Gabriel faz um sinal com as mãos e em efeito Paulo
e Mariana desaparecem. Em seguida o VT também desaparece). |
|
|