"... Ofélia, na Grécia antiga, quando foi feita
escrava de Antecléia (Anne), apaixonou-se por Erasto, hoje
nosso professor Carlo. Ela o conheceu no palacete de Antecléia
quando esta viveu um romance com ele. Ele, como hoje, era um homem
muito atraente e nada fez para provocar o amor despertado na escrava
de sua amada, em realidade nunca trocou sequer uma palavra com ela.
Sabemos, no entanto, que os sentimentos despertados nas pessoas sempre
são justificados por uma história do passado. Ofélia
e Carlo foram amantes no antigo Egito. Ela o amava e ele apenas a
desejava fisicamente e a usava sem importar-se muito com seus sentimentos.
Não contraiu dívidas cármicas com ela, pois
nunca a enganou - discorreu Abdul.
....
Abdul continuou a explanação:
"Sabemos ser possível alterarmos um mau carma, pois esta
lei, a de causa e efeito, preside duas outras - a lei da justiça
que se expressa brilhantemente pela frase: "Dente por dente,
olho por olho", e a lei da misericórdia tão preconizada
pelo Cristo, quando repetia: 'Toda vez que fizerdes uma boa obra,
uma multidão de erros é apagada do vosso passado".
Visto isto, torna-se também compreensível a pretensão
de Teresa e Maurice em influenciar Anne de algum modo, para evitar
as duras provas esperadas, O Carma no entanto está maduro,
isto é, não há mais tempo de alterar o embate".
- Por favor, explique-nos melhor o que significa carma maduro - solicitou
um dos presentes.
- Diz-se que o carma está maduro, quando já se venceram
todos os prazos em que o mesmo poderia ser resgatado pela lei da misericórdia.
É este o caso presente - respondeu o mentor.
Gostaria que me fosse explicado como se administra o carma, isto é,
se existe mesmo um grupo de seres superiores designados de "Senhores
do Carma", que promovem a eclosão dos fatos que são
conseqüência de nossas ações boas ou más
- solicitou um jovem.
Sim, existe um grupo de irmãos mais velhos de nossa humanidade,
auxiliando na administração do carma, mas eles não
operam premiando as boas ações e muito menos planejando
castigos para as más. Por serem espíritos mais velhos
e experientes, são todos bondade, compreensão e misericórdia.
Eles retardam, podemos assim nos expressar, as conseqüências
desastrosas das infrações cometidas contra a lei da
harmonia, para que estas conseqüências não alcancem
o infrator, em bloco - o que aconteceria se não fossem assim
sustadas. Se deixado a cargo exclusivo da lei, o infrator seria muitas
vezes esmagado pelos efeitos desencadeados por ele, e não é
este o objetivo. Somente acontecem as experiências na medida
certa da suportação de cada um; o objetivo, como já
disse, é educar e auxiliar o desenvolvimento moral e não
castigar - respondeu Abdul.
- Como eles podem fazer isto? - perguntou o mesmo jovem.
- Planejando o reencontro entre vítimas e algozes em diversas
encarnações. Evitando que um número excessivo
de prejudicados se reúna em uma mesma época. Promovendo
experiências educativas que favorecem mudanças de mente,
estimulando o amor ao próximo e as boas ações
neutralizadoras de energias hostis, sediadas nas auras, que atraem
situações semelhantes. Quando uma pessoa provoca um
sofrimento em outra, a energia desencadeada por esse sofrimento adere
à aura do agressor como um vórtice; este vórtice
atrairá para seu portador uma ação de idêntica
natureza contra ele, sem haver necessidade de ninguém ficar
contabilizando, é automático. Porém se o portador
do vórtice realizar uma boa ação proporcional
ao mal anterior suscita uma vibração positiva que tem
o poder de anular a energia negativa presente em sua aura. Apaga-se
assim um mal carma pelo bem realizado, por isso o Mestre afirmou categórico:
"Fora da caridade não há salvação".
Entendeu? - explicou Abdul.
- Bem, então a função dos Senhores do Carma é
dar oportunidades de resgate cármico de acordo com o grau de
suportação de cada um e oferecer oportunidades de modificação
no padrão energético através de boas ações,
para se resgatar o mal com o bem, é isto? - concluiu o jovem,
- Você entendeu perfeitamente - falou Abdul.
Comentários da Autora(Narci Castro de Souza)
Como acabamos de ler, pudemos observar que a lei do carma não
é punitiva, e sim, educativa. Deus na sua infinita sabedoria
oferece-nos , sempre, ensejo de quitarmos os débitos contraídos
pelas transgressões da Lei da Harmonia e do Amor, com boas
ações realizadas através da mudança de
nossa mente.
Mestre Jesus nos ensina que fora da caridade não há
salvação. Podemos apagar de nosso débitos cármicos
uma multidão de pecados quando praticamos o bem .
O texto também nos fala da ação de espíritos
superiores, designados de Senhores do Carma, que administram os encontros
entre espíritos endividados, de acordo com a capacidade de
cada um para sofrer estes embates. Somos também alertados sobre
o carma maduro, aquele que já não comporta mais a possibilidade
de ser quitado por atitudes positivas. Vem então a nossa mente
a velha prece.
"Senhor dá-me coragem para modificar o que pode ser modificado.
Resignação para suportar o que não posso modificar
e sabedoria para distinguir uma da outra".