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Após a morte, antes que o Espírito
se oriente, gravitando para o verdadeiro "lar espiritual" que
lhe cabe, será sempre necessário o estágio numa "antecâmara",
numa região cuja densidade e aflitivas configurações
locais corresponderão aos estados vibratórios e mentais do
recém-desencarnado. Aí se deterá até que seja
naturalmente "desanimalizado", isto é, que se desfaça
dos fluidos e forças vitais de que são impregnados todos os
corpos materiais. Por aí se verá que a estada será
temporária nesse umbral do Além, conquanto geralmente penosa.
Tais sejam o caráter, as ações praticadas, o gênero
de vida, o gênero de morte que teve a entidade desencarnada - tais
serão o tempo e a penúria no local descrito. Existem
aqueles que aí apenas se demoram algumas horas, outros levarão
alguns meses, anos consecutivos, voltando à reencarnação
sem atingirem a Espiritualidade. Em se tratando de suicidas o caso assume
proporções especiais, por dolorosas e complexas. Estes aí
se demorarão, geralmente, o tempo que ainda lhes restava para conclusão
do compromisso da existência que prematuramente cortaram. Trazendo
carregamentos avantajados de forças vitais animalizadas, além
das bagagens das paixões criminosas e uma desorganização
mental, nervosa e vibratória completas, é fácil entrever
qual será a situação desses infelizes para quem um
só bálsamo existe: - a prece das almas caritativas !
Se, por muito longo, esse estágio exorbite
das medidas normais ao caso - a reencarnação imediata será
a terapêutica indicada, embora acerba e dolorosa, o que será
preferível a muitos anos em tão desgraçada situação,
assim se completando, então, o tempo que faltava ao término
da existência cortada.
Coisa singular ! Essa escória trazia, pendente de si, fragmentos
de cordão luminoso, fosforescente, o qual, despedaçado,
como arrebentado violentamente, desprendia-se em estilhas qual um cabo
compacto de fios elétricos arrebentados, a desprenderem fluidos
que deveriam permanecer organizados para determinado fim. Ora, esse pormenor,
aparentemente insignificante, tinha, ao contrário, importância
capital, pois era justamente nele que se estabelecia a desorganização
do estado de suicida. Hoje sabemos que esse cordão fluídico-magnético,
que liga a alma ao envoltório carnal e lhe comunica a vida, somente
deverá estar em condições apropriadas para deste
separar-se por ocasião da morte natural, o que então se
fará naturalmente, sem choques, sem violência. Com o suicídio,
porém, um vez partido e não desligado, rudemente arrancado,
despedaçado quando ainda em toda a sua pujança fluídica
e magnética, produzirá grande parte dos desequilíbrios,
senão todos que vimos anotando, uma vez que, na constituição
vital para a existência que deveria ser, muitas vezes, longa, a
reserva de forças magnéticas não se haviam extinguido
ainda, o que leva o suicida a sentir-se um morto-vivo na mais
expressiva significação do termo. Mas, na ocasião
em que pela primeira vez o notáramos, desconhecíamos o fato
natural, afigurando-se-nos um motivo a mais para confusões e terrores.
Em
vários casos, a solução para os problemas, que abriram
as portas para o abismo, encontrava-se a dois passos de distância
do sofredor; surgiria o socorro enviado pela Providência ao seu
filho bem-amado, dentro de alguns dias, de poucos meses, bastando somente
que este se encorajasse para diminuta espera, em glorioso testemunho de
vontade, paciência e coragem moral, necessário ao seu progresso
espiritual ! Então concluímos com decepcionante surpresa
que fácil teria sido a vitória e até a felicidade
, se buscáramos no Amor Divino a inspiração para
os ditames da existência que desgraçadamente destruíramos.
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